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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Stax Studio, 1973: A Última Grande Sessão de Gravação


No início de 1973, a carreira de Elvis estava no seu pico: Ele havia retornado aos palcos com sucesso há 4 anos, seus shows ainda vendiam muito bem e seus discos tinham grande apreciação, embora começassem a se resumir a coletâneas de gravações antigas ou restos de sessões de estúdio que antes não tinham apelo suficiente para serem vendidas.

O "Aloha from Hawaii" fora mais um grande hit, mas quando o LP com a apresentação foi lançado em 4 de fevereiro de 1973, o Rei do Rock não havia entrado em estúdio por praticamente um ano e isso preocupava Parker e a RCA.

Pelo meio do ano via-se que a carreira de Elvis entrava em uma encruzilhada profissional e pessoal. Sem consultar seu protegido, o Coronel venderia todo o catálogo de 1954-72 para a RCA por uma enorme quantia, garantindo sua liberdade financeira, embora o cantor viesse a ficar furioso com seu agente ao descobrir a manobra feita por suas costas.

Depois de anos com a editora Hill & Range, Parker e Presley também criaram sua própria empresa, a Whitehaven Music, que trouxe um período de grandes oportunidades, mas também foi uma época ruim na vida do astro. Elvis estava se divorciando de sua esposa, Priscilla, e seu humor havia mudado para um estado sombrio. Ele não tinha vontade de socializar e se entregar às gravações, mas ter a RCA batendo em sua porta a todo instante e o pressionando a entregar novos materiais era ainda mais incômodo.

Como Elvis não queria deixar a cidade e sua filha, Lisa Marie, para gravar, um antigo aliado foi convocado. Marty Lacker, que unira Presley a Chips Moman no American Sound Studio em 1969, foi escalado para ir a Graceland.

Elvis e Parker com o macaco de pelúcia
que se tornaria uma atração aparte nos shows
de agosto/setembro de 1973 em Las Vegas


Quando Elvis o viu, a primeira coisa que disse foi que precisava conseguir um estúdio em Memphis. Lacker pensou imediatamente no Stax. Na época, o Soul estava explodindo e o Stax havia entrado em sua segunda idade de ouro. Elvis acompanhara o progresso do estúdio ao longo dos anos e adorava os discos que saíam de lá.

Parte do motivo pelo qual Lacker sugeriu o Stax foi logístico: O estúdio tinha uma configuração de segurança adequada e guardas em seu portão, porque as sessões de Elvis tinham que ser fechadas, e a localização estava a poucos minutos de Graceland, uma atração extra para que o cantor realmente não tivesse que ir muito longe para trabalhar.

Em 1973, o Stax havia parado de alugar o estúdio para artistas externos, mas a oportunidade de hospedar Elvis era especial demais para deixar passar. O superstar residente da gravadora, Isaac Hayes, até desistiu de um tempo que já havia reservado para deixar Elvis gravar. Dada a proximidade de sua casa e o status incandescente do Stax, as gravações começavam a parecer um casamento feito no paraíso, uma oportunidade para Elvis mais uma vez ser contemplado trabalhando em sua cidade natal.

Mas o primeiro conjunto de sessões - realizadas nas madrugadas de 20 a 26 de julho - foi tudo, menos mágico. O comportamento de Elvis e seu desempenho sempre foram baseados no humor em que ele se encontrava, e o cantor ainda estava profundamente abalado com o colapso de seu casamento.

Além de uma mistura de membros da banda de turnê de Elvis e alguns ex-funcionários do American Sound, vários músicos da Stax foram convocados para tocar com Presley, mas apesar de o cantor ter fundado a sua própria editora, o material escolhido para as sessões ainda era precário. Números sentimentais e melancólicos como "Three Corn Patches" fizeram pouco para inspirar as performances de Elvis. Mesmo as canções mais potentes provaram ser muito carregadas para lidar na época.

No dia 20, Elvis chegou três horas atrasado e, após revirar o catálogo de músicas disponíveis algumas vezes, acabou por não fazer gravações. O dia 21 viu alguma melhora. Elvis terminou 9 takes de "If You Don't Come Back", 15 de "Three Corn Patches" e outros 6 de "Take Good Care of Her", além de fazer um ensaio de "It's Diff'rent Now". Na noite seguinte, 9 takes de "Find Out What's Happening", 15 de "I've Got a Thing About You Baby" e dois de "Just a Little Bit" foram produzidos.

O dia 23 viu dez takes de "Raised On Rock" serem chamados, mas apenas o último ser gravado, e a rendição mais intimista e realmente trabalhada com carinho por Elvis em todos os dias dessa sessão em 8 takes de "For Ol' Times Sake". "Girl of Mine" teria 11 takes gravados no dia 24 e seria a última em que Elvis poria sua voz naquela sessão. Curiosamente, os Masters dessas músicas foram todos obtidos no último take.

Naquela noite do dia 24 para 25, as coisas tomariam um rumo inesperado. Após notar que seu microfone pessoal havia sido roubado, Elvis teve um ataque de fúria e despejou sua raiva sobre todos e tudo que viu pela frente. Saindo de forma intempestiva, ele deixou Memphis para se isolar em sua casa em Malibu. A banda teve de ficar sozinha e trabalhar em algumas trilhas naquela e na noite seguinte, na esperança de que Elvis viesse a colocar sua voz nelas em algum momento.

Como conta a história, o cantor apenas terminaria "Sweet Angeline", mas nunca tocaria nas trilhas de "Good, Bad But Beautiful", "The Wonders You Perform" e "Color My Rainbow".

Isolar-se em Malibu tinha sido a saída de Elvis para que não fosse perturbado, mas a RCA estava disposta a conseguir um número de gravações mínimo para a produção de ao menos um disco com 10 a 12 faixas. Após ouvir que o cantor não planejava voltar ao estúdio, a gravadora foi mais esperta e enviou a banda e os equipamentos de gravação para sua casa em Malibu, obrigando-o a trabalhar em algumas faixas.

Elvis se limitou a colocar sua voz em "Sweet Angeline" e gravar "I Miss You" e "Are You Sincere", fechando 12 músicas. Dez delas foram imediatamente lançadas no disco "Raised On Rock".

Elvis e sua prima Bobbi Wren no Stax Studio em julho de 1973


Se as sessões de julho foram uma decepção, foi um cenário totalmente diferente quando Elvis voltou ao estúdio cinco meses depois para outra semana de gravação, entre 10 e 17 de dezembro de 1973. O divórcio com Priscilla fora finalizado em outubro, Elvis havia encontrado uma nova namorada na ex-Rainha da Beleza do Tennessee, Linda Thompson, e se recuperado fisicamente depois de uma longa estada no Baptist Memorial Hospital naquele outono devido a uma overdose de remédios e pneumonia.

Uma nova mistura de músicos saudou Presley para o segundo conjunto de sessões, incluindo alguns veteranos como o baixista Norbert Putnam. Putnam, que havia trabalhado com Elvis em 1970, percebeu imediatamente que o cantor havia saído do outro lado de um momento difícil.

"Ele tinha acabado de passar por um divórcio horrível, ganhara um pouco de peso e não estava se movendo tão rápido. Mas assim que entramos lá, ele rapidamente voltou à vida", lembrou o músico em entrevista.

A atmosfera de convívio que sempre marcou as melhores sessões de Presley estava de volta. O cantor entrava e contava histórias, fazia palhaçadas até que todos ficassem totalmente relaxados e prontos para trabalhar. As sessões começavam por volta das 22h e encerravam às 3h ou 4h com meia dúzia de faixas prontas, incluindo os vocais.

O material para as sessões de dezembro era muito melhor quando comparado ao de julho, com novas canções de alguns dos escritores favoritos de Elvis sendo gravadas junto com covers de materiais familiares de Chuck Berry e Waylon Jennings. Mesmo uma peça leve como "Mr. Songman" - a história de um artista desgastado pela estrada - foi transformada em uma trama comovente e profundamente sentida por um Presley recarregado.

Elvis no Stax Studio em dezembro de 1973


No dia 10 de dezembro as faixas "I've Got a Feelin' in My Body" e "It's Midnight" foram trabalhadas com esmero, com destaque para os 19 takes da última. O fato de a letra dela ser um tanto próxima da situação de vida atual do cantor pode ter tido um grande impacto em sua excelente rendição cheia de sentimento.

Na noite seguinte foi a vez de "You Asked Me to" e "If You Talk in Your Sleep", a qual Elvis teve prazer especial em gravar por ser uma música com letra maliciosa e aproximada do que ele vivia naquele momento em relação a aventuras amorosas. O dia 12 foi o mais produtivo, com o cantor entregando "Mr. Songman", "Thinking About You", "Love Song of the Year" e "Help Me", esta última obtida em um único e incrível take no fim da noite.

Canções sentimentais haviam se tornado a especialidade de Elvis naquela sessão e a noite do dia 13 provaria isso. "My Boy" e "Loving Arms" foram terminadas com perfeição em apenas 3 takes cada e "Good Time Charlie's Got the Blues" fechou o dia com chave de ouro em 9 takes, dos quais apenas 3 foram necessários para obter o Master.

Na noite seguinte, Elvis gravaria "Talk About the Good Times" e adoraria a sugestão de Marty Lacker, uma linda balada chamada "We Had It All" cuja letra trazia basicamente um homem cantando para sua ex-mulher. Ele fez arranjos e ensaiou algumas vezes, mas chegou à conclusão de que não poderia gravá-la, justificando: "Não quero que os fãs pensem que estou cantando sobre Priscilla."

Na madrugada de 15 para 16 de dezembro de 1973, a animada sessão produziu um excelente cover de "Promised Land" de Chuck Berry, à qual Elvis adicionou overdubs na mesma noite, "Your Love's Been a Long Time Coming" e "There's a Honky Tonk Angel (Who Will Take Me Back in)".

A madrugada seguinte seria a última de gravações no Stax e Elvis estava inspirado. O clássico Gospel "If  That Isn't Love" iniciou a sessão elevou o espírito do cantor e o impulsionou a dar o seu melhor em "Spanish Eyes" e "She Wears My Ring". Ao fim daquela semana, Elvis havia obtido 18 Master que definiriam sua carreira nos próximos dois anos.

Os resultados das sessões no Stax seriam coletados de maneira um tanto aleatória. As faixas foram divididas e lançadas em dois LPs separados: "Good Times" em 1974 e "Promised Land" em 1975.

Embora o material fosse render a Elvis três músicas no Top 20, as gravações ficaram perdidas em um dilúvio de produtos que incluiu mais um álbum ao vivo, "Elvis Recorded Live On Stage in Memphis", e o esforço mal concebido de um disco apenas falado, "Having Fun On Stage with Elvis".

Ainda assim, muitas das performances das sessões no Stax se destacariam entre as mais vitais de sua carreira. Em 2013 os Masters do estúdio foram remasterizados e lançados no CD triplo "Elvis at Stax", que também trouxe alguns takes alternativos.

As sessões no Stax não seriam as últimas gravações que Elvis faria em Memphis (ele utilizaria a Jungle Room de Graceland para produzir suas últimas faixas de estúdio em fevereiro e outubro de 1976) nem em sua carreira (antes de Graceland ele ainda gravaria em Hollywood em março de 1975), mas as faixas obtidas ali forneceriam o último grande vislumbre dos poderes vocais e musicais do Rei do Rock antes do lento retiro de seus últimos anos.

quarta-feira, 12 de março de 2025

10 a 13 de Março de 1975: A última Sessão de Estúdio


RCA Studio C; Hollywood, 1975


No início de 1975, a carreira de Elvis havia chegado a um ponto de estagnação: Os shows de 1974, embora tivessem boa qualidade, apresentavam um cantor cansado da rotina e de seus problemas pessoais, o que frequentemente acabava gerando episódios de desabafos e explosões de raiva em cima do palco. Desapontado com a traição do Coronel, que vendera todos os direitos das músicas de 1956-73 para a RCA, e com as músicas oferecidas pela Hill & Range, ele tinha cada vez menos vontade de entrar em estúdio e, de fato, naquele ponto, já não o fazia há mais de um ano. 

O "Aloha from Hawaii" fora um grande hit, mas já havia acontecido há dois anos. O único LP com músicas inéditas em 1974, "Good Times", havia sido lançado há 10 meses e "Recorded Live On Stage in Memphis" fora produzido tão às pressas e tão mal editado que falhou em ser o grande álbum ao vivo daquele ano quando chegou às lojas em julho. Aparte destes, todos os outros lançamentos de 1974 apenas compilavam sucessos do passado sem a percepção de que o nome de Elvis estava perdendo espaço no novo mercado enquanto a gravadora lucrava.

Foi o lançamento de "Promised Land", exatamente no dia do 40º aniversário de Elvis, que acendeu a luz vermelha na RCA. A gravadora comemorou o bom desempenho do álbum em comparação com os do ano anterior, mas não deixou de notar que, para seguir com resultados positivos, precisaria de novos lançamentos com material inédito. O problema então era como fazê-lo, uma vez que "Promised Land" trazia as últimas faixas inéditas de estúdio, gravadas ainda em 1973.


Havia, no entanto, problemas maiores: Como colocar Elvis dentro de um estúdio era o principal. O Rei do Rock havia proclamado em dezembro de 1973, após as últimas sessões de gravação no Stax Studio em Memphis, que faria o que fosse possível para não entrar em estúdio novamente se a qualidade das músicas não melhorasse e se seus requisitos não fossem atendidos. O simples fato de que ele passara 1974 sem se aproximar de uma sessão de gravação provava o quanto séria era esta afirmação.

Outro problema era o estado de saúde de Elvis. Depois dos episódios de explosões de raiva no palco em 1974, era notável que o cantor estava passando por problemas em diversos setores. Alguns diziam que a combinação de remédios usados para evitar as dores terríveis que sentia causava as alterações no humor; outros afirmava que era o consumo exagerado dos mesmos, sem necessidade, que o deixava daquele jeito. Havia ainda quem dissesse que nada tinha a ver com remédios, mas sim com a insatisfação com o andar de sua vida e carreira. Fosse o que fosse, aquilo tudo atrapalhava o andamento das coisas.

Como de costume, Elvis estava escalado para começar a primeira temporada de Las Vegas em 1975 em 26 de janeiro. Apesar disso, ele vinha reclamando de dores e outros problemas desde o início do mês e manifestava abertamente a falta de vontade de se apresentar. Ocorrências médicas mais graves acabaram por colocar Elvis no hospital em 29 de janeiro de 1975 por problemas relacionados ao fígado e ao uso exagerado de medicamentos. Anos mais tarde, descobriríamos que o cantor foi fazer uma desintoxicação de emergência após quase sofrer uma overdose de remédios controlados.


Com o início da temporada de Las Vegas adiado para 18 de março de 1975, Elvis ficou em repouso no Baptist Memorial. Para piorar as coisas, Vernon deu entrada no mesmo hospital em 5 de fevereiro, após sofrer um infarto. Segundo consta, ele estava muito tenso com a situação do filho (o uso de remédios de forma descontrolada) e isso agravou problemas cardíacos de família (também herdados por Elvis). Ambos se recuperaram juntos no mesmo quarto, mas não sem Vernon ter a conversa mais franca de sua vida com Elvis, afirmando que Gladys havia morrido de preocupação com as atitudes do filho.

Problemas familiares aparte, a RCA esperou que Elvis saísse do hospital em 14 de fevereiro para indagar sobre novas gravações. O cantor não estava nada entusiasmado com a possibilidade de entrar em um estúdio, mas tinha a obrigação contratual de fazê-lo e o bafo quente do Coronel em sua nuca. Ele até tentou se esconder em sua casa em Malibu, mas a gravadora tinha uma carta na manga: o RCA Studio C em Hollywood.

Localizado a uma hora de carro de sua casa em Malibu, o Studio C não era novidade para Elvis, que gravava faixas ali desde 1960. Da trilha de "G.I.Blues" aos overdubs de álbums consagrados como "From Elvis in Memphis", "Elvis Sings the Wonderful World of Christmas", "Raised On Rock", "Good Times"  e "Promised Land", o estúdio tinha sido parte de sua carreira há muito tempo. Embora relutante, Elvis acabou aceitando a proposta da RCA após perceber que aquele seria um bom momento para fazer suas exigências. Entre elas, estava a de que escolheria apenas músicas que fossem de seu gosto pessoal, com músicos que fossem de sua confiança e no horário que mais lhe conviesse. Sem muito espaço para barganhar, a gravadora acabou por ceder.


Elvis chegou ao Studio C por volta das nove da noite de 10 de março de 1975.
 Como de costume, ele fez questão de cumprimentar e conversar com todos que lhe auxiliariam naquele trabalho antes de começar a gravar faixas. Risos, bebidas e petiscos foram o foco até próximo das 11 da noite, quando o cantor decidiu tentar alguns takes de "Fairytale". O sucesso das Pointer Sisters era uma das músicas preferidas de Elvis na época, o que se mostrou nesta rápida sessão que alcançou o Master com apenas três tomadas.

Como de praxe, já era madrugada de 11 de março quando Elvis finalmente engrenou e começou a produzir em massa. A segunda música da sessão foi o sucesso de Tom Jones em 1966, "Green Green Grass of Home", outra muito interpretada pelo cantor em seus momentos de descanso em Graceland. Após cinco takes, o Master tinha sido alcançado e era hora de partir para o clássico "I Can Help" de Billy Swan. Esta sofreu um pouco por não estar entre as mais adoradas por Elvis, mas ele fez um ótimo trabalho nas duas tomadas que gravou.

Passava de quatro da manhã quando Elvis decidiu que tentaria gravar "And I Love You So". O sucesso de Don McLean em 1970, regravado por Perry Como em 1973,  era a canção mais intimista do dia, e Elvis precisava de todo seu sentimento para fazer um bom trabalho. Para isso, ele chamou Sheila Ryan, sua namorada enquanto Linda Thompson estava "de castigo", e cantou o primeiro take diretamente para ela. O Master, no entanto, só seria registrado na quinta tomada, próximo das sete da manhã, a qual também encerraria a sessão.


Às 9 da noite de 11 de março de 1975, lá estavam Elvis e seus músicos novamente reunidos no Studio C para mais uma sessão. Escrita por Don Reid, do grupo Gospel The Statler Brothers,  "Susan When She Tried" foi a primeira seleção da noite e foi extensamente trabalhada em seis takes. A madrugada chegou com Elvis fazendo quatro tomadas de "T.R.O.U.B.L.E." e se divertindo com uma jam session ao som de "Tiger Man".

Depois de um breve intervalo para comes e bebes, a sessão foi retomada às 4 da manhã do dia 12. Revigorado, Elvis fez um excelente take de "Woman Without Love" que acabou por tornar-se o Master imediatamente. O final da sessão foi todo dedicado ao sucesso de Faye Adams em 1953, "Shake a Hand", em três tomadas muito bem trabalhadas.

A última sessão de estúdio da carreira de Elvis ocorreu entre a noite do dia 12 e a madrugada de 13 de março de 1975. Escrita por Gregg Gordon especialmente para o Rei do Rock, "Bringin' it Back" refletia quase que totalmente o momento da vida do cantor, que fez uma interpretação magistral em quatro takes magníficos. Já próximo das 3 da manhã, Elvis pôs sua voz em outras quatro tomadas fenomenais de "Pieces of My Life", sucesso de Charlie Rich no ano anterior.


Os resultados das sessões de março de 1975 no Studio C da RCA em Hollywood seriam todos lançados no LP "Today", em 7 de maio daquele ano. Pela primeira vez na carreira de Elvis, a gravadora se via sem nenhuma possibilidade de erro ou de lançamentos parciais, uma vez que não havia sobras de sessões anteriores para tais aventuras. Somente "T.R.O.U.B.L.E.", a única música rock do álbum, foi lançada como single promocional em abril de 1975, com "Mr. Songman", do LP "Promised Land", no lado B, mas o compacto não teve o sucesso esperado.

Sem absolutamente nenhum material novo disponível e sem chances de Elvis aceitar participar de novas sessões de gravação, a RCA se viu obrigada a atravessar o ano de 1975 fazendo lançamentos de compilações de sucessos do passado e singles do material dos álbuns daquele ano. Elvis, descontente com os rumos de sua vida e carreira, somente aceitaria gravar novas faixas em fevereiro de 1976, no aconchego de sua Jungle Room em Graceland., fazendo com que os três dias em março de 1975 fossem os últimos a ver o Rei do Rock em estúdio.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

25 de Fevereiro de 1961: O Primeiro Retorno de Elvis aos Palcos

Elvis durante conferência de imprensa no Hotel Claridge; 25 de fevereiro de 1961 


Depois de deixar de lado uma carreira extremamente meteórica iniciada em 1954 para arriscar uma manobra de marketing maluca do Coronel, Elvis abandonou os palcos no fim de 1957 para servir ao exército dos EUA por dois anos a partir do ano seguinte. Felizmente, a jogada foi um grande acerto e o Rei do Rock voltou a gravar em estúdio em 1960 sob uma popularidade ainda maior do que tinha três anos antes.

Todos os LPs, EPs e singles lançados naquele ano seriam sucessos absolutos e seus dois filmes seriam também bem recebidos. Mas Elvis já sentia falta dos palcos e isso era algo que o deixava preocupado com relação a sua carreira, uma vez que achava que apenas sua voz em discos e sua imagem em telões de cinema não conseguiriam manter seu status para sempre.

Para Parker, não havia necessidade de fazer shows tendo em mãos os contratos milionários com a RCA e estúdios de cinema. Essa mentalidade mudou rapidamente em 4 de dezembro de 1960, quando o Coronel leu em um jornal que as autoridades do Havaí estavam tendo dificuldade para arrecadar fundos para a construção do USS Arizona Memorial, um museu em homenagem aos mortos no ataque japonês a Pearl Harbor em 1941.

Vendo a oportunidade de exposição de sua mina de ouro, o agente recebeu o aval de Elvis e passou a fazer seus telefonemas, agendando dois concertos beneficentes em Honolulu. Durante uma extensa coletiva de imprensa em 11 de janeiro de 1961, Elvis e o Coronel explicaram que a apresentação teria todos os valores coletados com ingressos revertidos ao memorial em Pearl Harbor e que a mesma ocorreria em 25 de março daquele ano. Parker também deixou claro que ele e Elvis também doariam valores à causa e que todos os artistas envolvidos no evento seriam pagos do bolso deles.

Elvis e Parker durante conferência de imprensa no Hotel Claridge; 25 de fevereiro de 1961


A mídia começou a divulgar o retorno de Elvis aos palcos euforicamente, seja em críticas positivas ou negativas, deixando os fãs em polvorosa. Mas antes que o show havaiano acontecesse, o catálogo de discos de Elvis na RCA alcançou o incrível número de 75 milhões de cópias produzidas durante a prensagem do single "Surrender", em janeiro de 1961, e isso não poderia passar batido.

O presidente da RCA contatou Parker e informou sobre o acontecimento. O Coronel, por sua vez, repassou a notícia a Elvis e entrou em conversações com a prefeitura de Memphis e a gravadora para a realização de uma solenidade para entregar prêmios ao cantor e de dois concertos beneficentes que arrecadariam fundos para entidades previamente selecionadas no dia 25 de fevereiro de 1961.

O prefeito da cidade decidiu então que, dada a importância desse evento, aquele seria declarado O Dia de Elvis Presley em Memphis. Aproveitando o momento, o governador do Tennessee concedeu ao Rei do Rock o título honorário de Coronel Ajudante de Campo na Equipe do Governador.

Às 12h15 de 25 de fevereiro de 1961, um grande almoço com a presença de autoridades, representantes da RCA, Vernon e Dee, Elvis e o Coronel, ocorreu no auditório do Hotel Claridge em Memphis. Cada pessoa presente pagou US$ 100 pela participação no almoço, gerando uma arrecadação inicial de US$ 17 mil. Na sequência, o Rei do Rock recebeu documentos que reconheciam a instauração do Dia de Elvis Presley e sua nomeação como Coronel, além de uma placa comemorativa e um relógio cravejado de diamantes pela prensagem de 75 milhões de cópias de seus discos.

Uma coletiva de imprensa ocorreu às 13h45, logo após o almoço e entrega de prêmios. Repórteres locais de todo o país se revezaram para fazer perguntas a Elvis, mas a questão que mais ressoou pelo ambiente e causou um pouco de constrangimento veio de Sam Phillips, dono do Sun Studio, que havia descoberto Elvis em 1953: "Por quê o Sun não tem o reconhecimento merecido pelo sucesso de Elvis? Se não fosse por nós, a RCA não o teria."

Após o evento, Elvis foi levado de limusine até o Ellis Auditorium para se preparar para seu show.

ACIMA: Elvis recebe prêmio pela prensagem de 75 milhões de discos.
ABAIXO: Cumprimentando Sam Phillips.
Hotel Claridge; 25 de fevereiro de 1961


Às 15h daquele dia, Elvis subiu ao palco pela primeira vez depois de quase três anos e meio de sua última apresentação. Em sua banda estavam Scotty Moore e Bob Suggs na guitarra, Bob Alexius no baixo (Bill Black havia se afastado do grupo em 1958), D. J. Fontana e Don Capone na bateria, Floyd Cramer no piano, Boots Randolph no saxofone, os Jordanaires nos backing vocals e Larry Mohoberac (que mais tarde trabalharia com Elvis em estúdio e palco) e sua orquestra, a King's Men, no acompanhamento.

Elvis apareceu no palco em grande estilo, com um terno cinza prateado com detalhes em azul marinho, camisa branca, calça preta com detalhes em azul marinho e sapatos pretos. A multidão de 3860 fãs gritou histericamente por vários minutos enquanto Elvis cantava as primeiras músicas da apresentação.

Durante 45 minutos, o Rei do Rock rendeu seus maiores sucessos desde 1956, incluindo a novíssima "Surrender", e interpretou pela única vez a música "Doin' the Best I Can", da trilha sonora de "G. I. Blues", de 1960. Após o encerramento da apresentação com uma eletrizante "Hound Dog", Elvis foi levado às pressas para sua limusine e então para Graceland.

FOTOS: 25 DE FEVEREIRO DE 1961 - 15H








Elvis retornou ao palco do Ellis Auditorium às 20h30, desta vez para se apresentar para 6540 pessoas. O mestre de cerimônias, o comediante George Jessel, que não conseguira abrir o show das 15h por causa de uma greve de companhias aéreas que ocorria à época, recebeu o cantor com um exagerado salamaleque que arrancou risadas de todos.

Com terno e camisa brancos, calças e sapatos pretos, Elvis fez um show ainda melhor. Por 50 minutos houve histeria de fãs, música de qualidade e os movimentos pélvicos clássicos do cantor em uma sequência quase hipnótica. "Doin' the Best I Can" e "Surrender" foram substituídas por "Fever" e "Swing Down, Sweet Chariot", outros dois sucessos de 1960. Elvis esqueceu algumas linhas de "Don't Be Cruel", mas soube disfarçar com uma maravilhosa improvisação. "Hound Dog" novamente fecharia a apresentação. Saindo às pressas, Elvis foi novamente levado para Graceland, onde deu uma festa para convidados seletos.

FOTOS: 25 DE FEVEREIRO DE 1961 - 20H30





Todas as críticas em jornais do dia seguinte deram conta de que a maior lembrança de ambos shows foi "a excitação dos fãs, a euforia e a histeria causada pelo cantor." Os repórteres também deram conta de que o público total fora de 10400 pessoas, as quais pagaram US$ 33 mil em ingressos, e que a arrecadação total - contando com os US$ 17 mil do almoço - fechara em exatos US$ 50 mil que seriam divididos entre 26 entidades beneficentes por todo o Tennessee.

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Texto original: EAP Index e Elvis Presley Music
Fotos: Google e Elvis Presley Music
Pesquisa e tradução: EAP Index | http://www.eapindex.site
>> a re-disponibilização desta postagem só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Dr. Tennant: "Elvis Não Morreu de Overdose ou Ataque Cardíaco"

Em 16 de agosto de 1977, Elvis Aaron Presley se despedia do mundo. Sua carreira meteórica na maior parte dos 24 anos em que esteve na mídia, sua dedicação para com os fãs, seu carisma, comprometimento em sempre dar seu melhor e sua vida como um todo fascinaram, e ainda fascinam, milhões pelo mundo.

Mas o que Elvis nos deixou de felicidades e momentos musicais inesquecíveis, quase é superado pelo número de teorias e tentativas de explicar sua morte precoce. Para uns, o Rei do Rock foi levado por seus vício em remédios controlados e, para outros, tudo não passou de um plano para que o cantor saísse de cena sem levantar suspeitas para viver uma vida sem incomodações.

A causa mortis inicial, dada pelo Dr. Nick, foi ataque cardíaco fulminante. Porém, com o passar do tempo, novas investigações foram feitas e diversas discrepâncias para com o diagnóstico do médico pessoal de Elvis apareceram.

Uma das primeiras grandes análises patológicas do caso de Elvis foi feita pelo Dr. Forest Tennant em 1981. À época, ele já chefiava sua clínica Veract Intractable Pain Clinics, que pesquisava dores intratáveis. Tennant ocupou o cargo de 1975 a 2018, quando se aposentou, além de ter trabalhado para o governo dos EUA e chefiado diversas forças-tarefas no campo da medicina para a dor.

Abaixo segue transcrição de reportagem da Pratical Pain Management veiculada em site em 14 de junho de 2017, onde o Dr. Forest Tennant relata o que descobriu sobre a morte de Elvis.

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IMPORTANTE: Forest Tennant defendeu Dr. Nick em julgamento de 1981, por isso sua análise a seguir se baseia na presunção de inocência do médico de Elvis. Porém, esse não é o propósito dessa postagem, e sim conhecer a história médica do cantor e jogar um pouco mais de luz sobre os eventos que teriam levado a sua morte precoce.

O Elvis Presley Index não exime o Dr. Nick de parte da culpa  e não compactua com todas as explanações do Dr. Tennant.

OBSERVAÇÃO: Contém textos e imagens que podem ser fortes para pessoas sensíveis.

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Na primavera de 1981, eu estava trabalhando em meu escritório em West Covina quando minha secretária disse que um advogado queria falar comigo sobre um caso. "Dr. Tennant, sou James Neal. Sou advogado no Tennessee e estou defendendo o Dr. George Nichopoulos [Dr. Nick], o médico de Elvis Presley. A propósito, se meu nome não soa familiar, sou o advogado que processou Richard Nixon no Julgamento de Watergate." A chamada em si não foi tão inesperada; alguns meses antes, eu havia comparecido em nome do governo dos Estados Unidos no julgamento contra o médico de Howard Hughes. Naqueles anos, eu era um dos únicos médicos que estudava opioides para dor e vício, e fiz muitos depoimentos forenses e legais.

Aceitei a oferta do Sr. Neal de revisar o caso do Dr. Nick e logo me vi envolvido em um estudo sobre o vício em drogas, a dor e os problemas médicos de Elvis. Na época, a questão pública e a controvérsia estavam centradas no uso de drogas de Elvis e se ele morreu de ataque cardíaco ou overdose. Havia pouco interesse em seus problemas médicos subjacentes, dor ou por que ele morreu com a idade relativamente jovem de 42 anos. O Dr. Nick estava sendo criminalmente acusado de homicídio porque ele tinha sido o principal médico que prescreveu medicamentos para Elvis.

O Sr. Neal e seu escritório de advocacia me forneceram uma coleção de documentos sobre o histórico médico de Elvis, incluindo: registros médicos do Dr. Nick, registros de hospitalização, laudo da autópsia, registros de receitas e uma investigação privada confidencial de 161 páginas sobre a história medicamentosa de Elvis trabalhada pelo Sr. Neal e seu escritório de advocacia. Concordei em ser testemunha de defesa no julgamento criminal do Dr. Nick em Memphis, Tennessee, em outubro de 1981. O júri me apoiou e inocentou o Dr. Nick das acusações criminais. Eles descobriram que o Dr. Nick foi um excelente médico que cuidou de Elvis por mais de 10 anos.

Embora eu tenha cumprido minha missão, o mistério da miríade de problemas médicos e morte prematura de Elvis me deixou perplexo desde então. Para começar, parece que Elvis Presley estava muito bem até aproximadamente os últimos 10 anos de sua vida. Nos últimos 3 anos, Elvis esteve tão doente e incapacitado que precisava de cuidados 24 horas por dia. Depois do julgamento do Dr. Nick, guardei cuidadosamente todos os meus registros, sabendo que algum dia a ciência reuniria informações suficientes para permitir uma compreensão dos problemas médicos e de dor de Elvis. Eu acredito que esse dia chegou.

O progresso no tratamento moderno da dor finalmente nos forneceu conhecimento científico suficiente sobre lesão cerebral traumática (TCE), doença auto-imune e dor para desvendar sua história médica. Depois de reunir as evidências, é bastante claro para mim que os principais problemas médicos incapacitantes de Elvis resultavam de múltiplos ferimentos na cabeça que levaram a um distúrbio inflamatório auto-imune com subsequente dor central. Seu evento terminal foi arritmia cardíaca, sustentada por abuso de drogas, defeitos genéticos e acelerada por uma dieta atroz. Este artigo irá revisar como eu fiz essa avaliação.


Controvérsia sobre a causa da morte

Quando Elvis Presley morreu "inesperadamente" em 16 de agosto de 1977, uma grande controvérsia pública irrompeu. Os patologistas - incluindo o legista do Condado de Shelby, Tennessee - descobriram que Elvis morreu de ataque cardíaco. No entanto, o "20/20" da ABC, ancorado por Ted Koppel, acreditava que Elvis tinha morrido de overdose de drogas e afirmou que havia um acobertamento sobre sua morte. Eles questionaram por que acusações criminais não foram feitas contra o Dr. Nick pelo promotor distrital de Shelby. A popularidade e a influência desse show tiveram um impacto. O conselho médico do Tennessee investigou o assunto e absolveu o Dr. Nick de agir de forma antiética, não profissional ou de negligência grosseira, mas o condenou por prescrever medicamentos indevidamente para 10 pacientes individuais, incluindo Elvis Presley e o cantor Jerry Lee Lewis. Pouco tempo depois, o escritório do procurador-geral distrital apresentou uma acusação criminal contra o Dr. Nick, alegando que ele prescreveu substâncias controladas de forma deliberada e criminosa para os mesmos 10 indivíduos pelos quais o conselho o considerou culpado.


Relatório da autópsia

A autópsia de Elvis Presley foi a causa raiz da polêmica pública. Como muitos leram, Elvis foi encontrado morto, de bruços, no chão do banheiro por sua namorada, Ginger Alden. Há quanto tempo ele estava morto é desconhecido, mas as tentativas de reanimá-lo não tiveram sucesso. Sua autópsia foi realizada no Baptist Memorial Hospital em Memphis no dia em que ele morreu. O patologista-chefe era Thomas McChesney, MD; o consultor do caso foi Jerry T. Francisco, MD, legista do condado de Shelby. Os diagnósticos patológicos finais estão listados na Tabela 1.

Traduzido do relatório original


Uma descoberta importante foi a gravidade da doença cardíaca e cardiovascular de Elvis Presley. Embora estivesse sob tratamento para hipertensão, o Dr. Nick - assim como os outros médicos que viram Elvis quando ele foi hospitalizado - não estavam cientes de que seu coração tinha quase o dobro do tamanho normal (520 g) e que ele tinha aterosclerose significativa em seu vasos coronários, aorta e artérias cerebrais.

Também foi descoberto que ele tinha deficiência de antitripsina, uma doença genética rara que causa enfisema. O exame microscópico de seus pulmões revelou "um raro infiltrado linfoide intersticial, inflamatório, particularmente abaixo do epitélio dos brônquios". Os diagnósticos listados na tabela são literalmente do relatório da autópsia de Elvis. Curiosamente, os patologistas o testaram quanto a deficiências imunológicas e descobriram que Elvis tinha hipogamaglobulinemia, um distúrbio do sistema imunológico do corpo, conforme indicado pela diminuição dos níveis de imunoglobulina A (IgA) e IgG. Estudos de formação de roseta revelaram diminuição do número de células T e células B (linfócitos).

Minha revisão retrospectiva dos achados de sua autópsia, quando combinada com seu histórico médico de anormalidades de múltiplos órgãos ao longo de um período de 10 anos, revela claramente que Elvis estava sofrendo de um distúrbio inflamatório autoimune. Para ajudar a apoiar a presença de uma doença autoimune , descobri que os registros do Dr. Nick revelaram, antes da morte, que Elvis tinha eosinofilia e proteína C reativa elevada (PCR).


Achados Toxicológicos

Amostras do soro, urina e tecidos de Elvis foram coletadas na autópsia e enviadas para os Laboratórios BioScience em Van Nuys, Califórnia, que, na época, era considerado o laboratório de toxicologia científica mais prestigioso e preciso dos Estados Unidos. Minha cópia da autópsia lista 10 drogas diferentes em seu soro - incluindo o metabólito do diazepam (Valium) - dos quais apenas dois foram prescritos pelo Dr. Nick (Tabela 2). Em 17 de outubro de 1977, Ronald Oremich, PhD, e Norman Weissman, PhD, da BioScience, opinaram:

"Diazepam, metaqualona, ​​fenobarbital, etclorvinol e etinamato estão abaixo ou dentro de seus respectivos intervalos. A codeína estava presente em um nível de aproximadamente 10 vezes as concentrações encontradas terapeuticamente. Tendo em vista os aspectos de polifarmácia, este caso deve ser analisado em termos de efeito farmacológico cumulativo dos medicamentos identificados pelo relatório. "


Este relatório parecia contradizer a causa cardíaca da morte, então o Baptist Memorial Hospital pediu ao famoso toxicologista Irving Sunshine, PhD, professor de toxicologia da Universidade de Utah, para revisar as descobertas toxicológicas apresentadas pela BioScience. Ele apresentou esta opinião por escrito em 27 de março de 1978:

"Junto com esses dados toxicológicos estão os achados patológicos e a história relatada de que o falecido estava móvel e funcional nas 8 horas anteriores à morte. Juntas, todas essas informações apontam para a conclusão de que, qualquer que seja a tolerância que o falecido possa ter adquirido para muitos drogas encontradas em seu sistema, a grande probabilidade é que essas drogas foram a principal contribuição para sua morte. "


O julgamento do Dr. Nick não teve como objetivo definir a causa da morte, mas se ele tentou tratar Elvis Presley com "boa fé". Conseqüentemente, a controvérsia sobre a causa da morte - insuficiência cardíaca ou overdose de drogas - durou até 1994, quando o estado do Tennessee reabriu a autópsia. O Estado contratou o famoso ex-legista do condado de Miami-Dade, Flórida, Joseph Davis, MD, que havia feito milhares de autópsias. Ele deu a opinião de que Elvis Presley morreu de ataque cardíaco, o que encerrou a polêmica pública. Seus motivos são apresentados aqui:

"A posição do corpo de Elvis Presley era tal que ele estava prestes a se sentar quando ocorreu a convulsão. Ele caiu para a frente no tapete, com o traseiro para cima, e estava morto quando atingiu o chão. se tivesse sido uma overdose de drogas, [Elvis Presley] teria caído em um estado de sono crescente. Ele teria puxado a calça do pijama e rastejado até a porta para procurar ajuda. Demora horas para morrer por causa das drogas."


Além disso, o Dr. Davis observou que Elvis estava extremamente obeso - pesando 160 quilos, dos quais mais de 50 tinham sido ganhos nos últimos meses - o que colocou uma enorme tensão no coração; o corpo tinha "pelo menos" 2 horas de rigor mortis; e não havia edema pulmonar, sinal de overdose de drogas.

Minha opinião, que tive a oferecer no julgamento do Dr. Nick, era que os medicamentos devem ter feito seu coração doente e danificado parar, mas isso era irrelevante porque o Dr. Nick prescreveu apenas dois dos muitos medicamentos encontrados em seu soro. O que ninguém sabia na época era que alguns medicamentos, principalmente os opioides, podem interferir na condução cardíaca e causar uma parada cardíaca súbita e fatal por arritmia cardíaca. O exemplo mais notório é o torsades de pointes, um prolongamento do intervalo QT, que pode ocorrer quando os opioides e outras drogas são tomados juntos. Esta reação tóxica provavelmente ocorrerá em um paciente com doença cardíaca existente. Agora acredito que a morte de Elvis foi parcialmente devido à codeína, porque ele havia obtido codeína de um dentista um dia antes de sua morte. Ele tomou vários comprimidos e tinha um nível sérico 10 vezes superior ao intervalo terapêutico.

Traduzido do relatório original.


A Tabela 2 observa que a codeína tem uma proporção de 36 para 1 em relação à morfina. Hoje, sabemos que a codeína deve ser convertida em morfina para proporcionar alívio da dor. A codeína é metabolizada pela enzima hepática citocromo P 450-2D6 (CYP2D6). Se esta enzima estiver defeituosa, a conversão não ocorre como deveria, o que faz com que a codeína se acumule em níveis tóxicos no sangue. O acúmulo tóxico de codeína pode causar arritmia cardíaca, especialmente se outros medicamentos estiverem no soro e o coração já estiver danificado. Se Elvis tivesse metabolismo hepático normal, seu nível sérico de codeína teria sido muito mais baixo e seu nível sérico de morfina teria sido muito mais alto no relatório de toxicologia.

Eu acredito que Elvis devia ter um defeito CYP2D6. Para apoiar essa crença, há evidências de que Elvis reagiu mal à codeína no passado e seus registros hospitalares afirmam que ele era "alérgico à codeína". Além disso, Elvis teve reações violentas ao álcool. Pessoas com defeitos metabólicos do citocromo geralmente têm intolerância ao álcool.


Histórico médico

Elvis nasceu em 8 de janeiro de 1935, em Tupelo, Mississippi. Seu irmão gêmeo morreu no parto. Entre o nascimento e os 32 anos de idade, não havia praticamente nenhuma evidência de problemas de saúde significativos, exceto hipertensão. Em 1958, quando foi convocado para o Exército dos EUA aos 23 anos, ele gozava de boa saúde. Durante seus dias no exército, ele se destacou em fazer flexões. Depois do exército, Elvis começou a praticar artes marciais, tornou-se um especialista e podia quebrar tábuas com um golpe de mão. Ele freqüentemente jogava futebol com seus guarda-costas.

Relatório de saúde, hospitalizações e experimentações traduzido e editado do original


Apesar de estar fisicamente apto, o estilo de vida de Elvis era medicamente atroz. No final da adolescência, os hábitos de Elvis consistiam em uma dieta rica em gorduras e carboidratos, sono inadequado e poli-consumo de drogas (anfetaminas, opioides e sedativos). Como já foi dito, o álcool o deixava furioso, então ele raramente bebia. Aparentemente, ele não fumava.

O Dr. Nick viu Elvis profissionalmente pela primeira vez em 1965 e tornou-se seu médico regular em 27 de fevereiro de 1967, quando ele tinha 32 anos. Naquela época, Elvis se queixava de vertigens, dores nas costas e insônia. Ele foi diagnosticado com labirintite (infecção do ouvido). A hipertensão (pressão arterial de 140/96 mmHg) era evidente na época. Seus sintomas de vertigem desapareceram em cerca de 1 semana após o tratamento da labirintite. No entanto, ele desenvolveu amigdalite logo após seu episódio de labirintite.

Em 21 de setembro de 1970, Elvis foi ao Dr. Nick por causa de uma infecção ou inflamação em seu olho esquerdo. O peso de Elvis era de 74 quilos e sua pressão arterial continuava alta, 160/100 mmHg. Um hemograma completo, testes de função hepática, taxa de hemossedimentação, urinálise e teste laboratorial de pesquisa de doenças venéreas (teste de sífilis) foram todos normais, com exceção de uma hemoglobina ligeiramente elevada (16,8 g / L) e contagem de eosinófilos de 5,5%. Visto novamente em março de 1971, a infecção ocular havia piorado e ele recebeu o diagnóstico de infecção da íris e uveíte. Um teste de lúpus eritematoso sistêmico era normal, mas um teste de PCR estava ligeiramente alto. No ano seguinte, 1972, Presley desenvolveu 2 ou 3 episódios de prostatite. Ele também experimentou dores de cabeça progressivas e dor na coluna lombar entre 1967 e sua morte em 1977. Raios-X de sua coluna lombar mostraram uma protusão de disco em L4. Suas dores de cabeça começaram após um grave traumatismo cranioencefálico em 1967.

Em 1973, sua saúde iniciou seu curso de declive progressivo. Na época, ele ficou muito doente e não conseguia sair da cama. Depois de entrar em semicoma, ele foi levado de avião de volta para Memphis para ser internado no Baptist Memorial Hospital em 15 de outubro de 1973. Ele entrou no hospital com icterícia, dificuldade respiratória grave, inchaço acentuado do rosto, abdome distendido e estava semiconsciente. Nada menos do que 9 médicos compareceram ou consultaram sobre seu caso. Seus testes de função hepática estavam anormalmente altos, indicando a presença de alguma forma de hepatite.

Um grande problema foi descoberto - Elvis estava vendo um médico da Costa Oeste que estava tratando suas costas com uma mistura de meperidina (Demerol) e cortisona (provavelmente metilprednisolona). Presley começou a inchar devido ao excesso de cortisona (conhecido como Síndrome de Cushing). O inchaço em seu rosto nunca desapareceu totalmente. Os exames de sangue de cortisol indicaram insuficiência adrenal devido ao excesso de administração de cortisona. Ele tinha uma úlcera gástrica com sangramento e hepatite que seus médicos também acreditavam estar relacionados ao excesso de cortisona. Ele não estava apenas recebendo meperidina de um médico, mas também usava muitas drogas abusivas. Ele recebeu metadona para retirar os opioides e suprimir os sintomas de abstinência.

Antes de sair do hospital, descobriu-se que Elvis tinha glaucoma em ambos os olhos. Um oftalmologista prescreveu óculos de sol especiais e medicamentos para dor e sono, entre outros sintomas. Enquanto hospitalizado de outubro a novembro de 1973, ele recebeu prescrição de fenobarbital e metadona para a retirada do medicamento. Os medicamentos sintomáticos para edema e constipação foram furosemida (Lasix), Mylanta, Colace e Dulcolax. Para dormir, ele recebeu etinamato (Valmid), hidroxizina (Vistaril) e propoxifeno e meprobamato (Darvotron). Durante outras internações, recebeu meperidina para dor, metaqualona (Quaalude) e hidromorfona (Dilaudid).

Elvis e Priscilla assinam oficialmente seu divórcio; 9 de outubro de 1973



Elvis teve uma recuperação razoavelmente boa, conseguiu voltar às performances e esteve razoavelmente bem por um tempo. Seu abuso de drogas, dieta e estilo de vida, entretanto, progressivamente continuaram a cobrar seu preço. Infelizmente, no início de 1974, Elvis estava claramente se deteriorando. Seu tio, Lester Presley, resumiu: "Ele estava bem de 1957 a 1974. Mas de 1974 em diante, não se sentia realmente bem. Não era possível conversar com ele, mesmo que você quisesse." A certa altura, o Houston Post escreveu: "Presley parecia, falava, andava e cantava como um homem muito doente". Muito pertinente é que Elvis reclamava constantemente de dores e sofrimentos no palco e fora dele. Elvis foi ouvido dizer em muitas ocasiões, "Oh Deus, estou ferido." Ele novamente precisou ser hospitalizado no início de 1975. Continuou a ter hipertensão, colesterol alto e megacólon, que se acredita estarem relacionados ao abuso de laxantes.

O Dr. Nick achou por bem designar uma enfermeira em tempo integral, Tish Henley, para cuidar de Elvis tanto em Graceland quanto em turnês. A enfermeira deveria tentar manter as drogas longe dele, mas Elvis estava claramente se deteriorando mental e fisicamente e dificilmente poderia ficar sozinho. O Dr. Nick elaborou um programa para racionar medicamentos para ele e administrá-los pela enfermeira. Esse programa funcionou muito bem por um tempo. Mais tarde naquele ano, Elvis quase desmaiou durante um show em Las Vegas (20/08/75). Sua enfermeira sentiu que ele estava tendo uma overdose séria de drogas com depressão respiratória. Ela providenciou um voo urgente de Los Angeles de volta para Memphis, onde ele foi novamente admitido no Baptist Memorial Hospital em 21 de agosto de 1975.

Uma nova doença apareceu - doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema) - embora Presley aparentemente não fumasse. Além disso, sua doença hepática havia progredido e seu megacólon estava presente. No início de 1976, Elvis estava tão debilitado que se isolou do mundo exterior e hibernou no crepúsculo perpétuo de seu quarto - comendo travessas de cheeseburgers e aceitando os pacotes de comprimidos regulares do Dr. Nick. Os pacotes de comprimidos continham uma combinação de hidromorfona, amobarbital sódico (Amytal), metacalona, ​​dextroanfetamina (Dexedrina), oxicodona / acetaminofeno (Percocet) e um composto de hidrocodona (Hipocomina). Ele assistia à televisão e ao mesmo tempo ouvia rádio.

Depois de persuadido pelo Dr. Nick - e motivado por sua namorada, Ginger Alden - Elvis pareceu se recuperar um pouco em janeiro de 1977. Essa recuperação não durou muito. Apenas algumas semanas antes de sua morte, Elvis adoeceu durante uma turnê na Louisiana. Ele desenvolveu náuseas e sintomas de gripe intestinal. Ele também havia distendido um tendão da coxa e torcido as costas. Ele entrou no Baptist Memorial Hospital pela quarta e última vez em 1º de abril de 1977. A anemia foi encontrada junto com sua hepatite crônica, doença pulmonar, glaucoma, hipertensão e megacólon.

Aparentemente exausto, Elvis senta no palco durante show de 20/08/75 MS


As causas do declínio de Elvis

Elvis claramente tinha um processo de doença que afetou vários órgãos - estômago, fígado, coluna e olhos - mas, na época, seus médicos não tinham ideia de que ele poderia ter tido um distúrbio inflamatório autoimune progressivo. O conceito de autoimunidade estava apenas começando a ser compreendido. Para seu crédito, o Dr. Nick deu a Elvis o diagnóstico de síndrome pós-concussão e acreditava que suas dores de cabeça eram o resultado do ferimento na cabeça de 1967. O Dr. Nick me contou que "Elvis nunca mais foi o mesmo depois que bateu com a cabeça em 1967".


Traumatismo craniano

O fator mais subestimado no declínio da saúde de Elvis Presley e morte prematura foi traumatismo craniano repetido. É agora reconhecido que o traumatismo cranioencefálico pode causar um distúrbio inflamatório autoimune que pode atacar qualquer órgão do corpo. Termos contemporâneos para os desenvolvimentos patológicos que podem ocorrer após o traumatismo cranioencefálico são síndrome pós-concussão, TBI, e encefalopatia traumática crônica. Alguns dos sintomas pós-trauma incluem perda de memória, traços obsessivo-compulsivos e comportamento irracional ou ilógico.

Elvis demonstrou muitos desses comportamentos obsessivo-compulsivos e erráticos em momentos diferentes. Por exemplo, ele deu presentes luxuosos para estranhos, fez voos inesperados através do país e empreendeu uma campanha imaginária contra traficantes de drogas ilegais. Em uma ocasião em 1970, ele voou impulsivamente para Washington, DC, e visitou o presidente Richard Nixon sem um aviso prévio. Ele fez uma cirurgia cosmética "impulsiva" em 1975. Suas despesas subiram para cerca de US$ 500.000 por mês, e seu grupo estava essencialmente falido pouco antes de sua morte devido a seus gastos irracionais.

O primeiro caso documentado de traumatismo craniano ocorreu em 1956. É relatado que Elvis parou seu Lincoln Continental em um posto de gasolina de Memphis e pediu ao atendente para verificar seu ar condicionado. Quando os transeuntes o viram, eles o cercaram e pediram seu autógrafo. O atendente pediu que ele fosse embora e Elvis disse "ok cara, me dê um minuto", e continuou a dar autógrafos. Isso irritou o atendente, que deu um tapa no rosto de Presley. Elvis devolveu o soco e outro atendente juntou-se à luta. Todos os três foram eventualmente presos sob a acusação de agressão e conduta desordeira.


Mais tarde naquele ano, Elvis e seus músicos estavam sentados em uma mesa na ostentosa Sala Shalimar do Hotel Commodore Perry de Toledo. Um jovem trabalhador da construção civil aparentemente queria impressionar uma garota que conheceu no bar. Ele foi até a mesa de Presley e perguntou bruscamente: "Você é Elvis Presley?" Elvis levantou-se e estendeu a mão para cumprimentá-lo, mas em vez disso, o homem acertou-o no rosto. Ele ficou momentaneamente atordoado.

Pouco antes de entrar no exército em 1958, Elvis reservou o Rainbow Rollerdome em Memphis por 7 noites consecutivas e reuniu um bando de patinadores para jogar jogos de "guerra" auto-inventados sem fim. Elvis foi abatido pelo menos uma vez por um ataque de corpo inteiro de um colega patinador. Os jogos eram difíceis o suficiente para que Elvis fornecesse a cada patinador um comprimido de oxicodona / aspirina (Percodan). Elvis tomava pelo menos 4 Percodans de cada vez.

O trauma cranioencefálico mais sério ocorreu em Bel Air, Los Angeles, em 1967, pouco antes de ele filmar "Clambake". Elvis tropeçou em um fio de televisão no banheiro e, caindo de cabeça, bateu-a na banheira de porcelana. Ele foi nocauteado e ficou lá por um período indeterminado de tempo. Quando finalmente acordou, começou a praguejar, o que despertou sua namorada, que mais tarde seria sua esposa, Priscila, que o encontrou caído no chão. Elvis tocou sua cabeça e uma protuberância do tamanho de uma bola de golfe se desenvolvera. Médicos foram chamados. Curiosamente, Presley afirmou: "Acho que realmente me machuquei." No dia seguinte, ele estava claramente "fora de si" e teve que ser levado de volta a Memphis para se recuperar. Seus assessores descreveram seu humor como "desanimado". No caminho de volta, ele parava frequentemente em um telefone público, ligava para um DJ de Memphis e pedia que tocasse repetidamente "Green Green Grass of Home" de Tom Jones. Assim que chegou a Graceland, ele afirmou ter visto sua falecida mãe em seu antigo quarto.

Após seus TBIs, o comportamento de Elvis tornou-se progressivamente errático e irracional. Por exemplo, é relatado que em 1975 ele se recusou a tomar banho e desenvolveu feridas no corpo. Ele pediu pílulas desconhecidas da Suécia, que supostamente o limpariam por dentro. Durante suas 2 semanas de hospitalização em agosto-setembro de 1975, ele se queixou de 26 dores de cabeça, 14 acessos de insônia e "dores generalizadas" 4 ou 5 vezes em cada turno de enfermagem. A tríade de insônia, dores de cabeça e dor total é típica das vítimas de TCE.

Pacientes com traumatismo cranioencefálico são frequentemente inscritos em clínicas de dor. A dor deles é claramente de natureza central, com distribuição de fibromialgia, que os pacientes descrevem como dor "por toda parte". Presley desenvolveu essa dor nos últimos anos de sua vida. Os pacientes com TCE atualmente tratados por mim apresentam dor constante e intensa, insônia, depressão e uma variedade de deficiências mentais. Todos têm anormalidades hormonais hipotalâmico-hipofisárias e sinais e sintomas inflamatórios auto-imunes.


Doença inflamatória autoimune

Uma análise retrospectiva do traumatismo cranioencefálico de Elvis mostra claramente que Presley desenvolveu ou acelerou sua doença inflamatória auto-imune após seu traumatismo cranioencefálico mais sério em 1967. Seus episódios anteriores de traumatismo cranioencefálico provavelmente contribuíram para sua deterioração, já que múltiplos traumas cranianos são cumulativos em efeito. Historicamente, acredita-se que a autoimunidade após o TCE ocorre como resultado da disfunção hipotálamo-hipofisária. Uma nova crença é que o traumatismo cranioencefálico faz com que o tecido cerebral se solte e vaze para a circulação geral através da barreira hematoencefálica. O tecido cerebral não deve entrar na circulação sanguínea porque é tóxico ou antigênico para o resto do corpo. Se isso realmente ocorrer, e este autor acredita que sim, age como um agente infeccioso ou vacina, pois causa a formação de anticorpos. Esses anticorpos então se tornam "automáticos" e começam a atacar o tecido normal. É até possível que esses anticorpos anormais ataquem e danifiquem ainda mais o cérebro.

Os auto-anticorpos atacam de forma aleatória. Um dia eles atacam as articulações e no dia seguinte o olho, o coração ou o fígado. Presley claramente sofreu ataques de múltiplos órgãos com base em sua história clínica, e eles variaram ao longo do tempo de maneira autoimune típica. Um dos problemas da autoimunidade é que ela produz inflamação e diminui a resistência às infecções. A inflamação das artérias do coração (coronária) e do cérebro (cerebral) é agora conhecida como o resultado final da inflamação. Presley tinha hipertensão e arteriosclerose independentemente de sua doença autoimune, mas sua doença autoimune sem dúvida acelerou o processo inflamatório. É digno de nota que Elvis não conseguiu fazer seus giros habituais no palco nos últimos dois anos de sua vida devido à rigidez e espasticidade. Às vezes, ele até precisava usar uma bengala para andar. A dor se desenvolve nas articulações e nos músculos com TBI. É provável que parte do uso de drogas de aparência aleatória de Presley tenha sido uma tentativa de se tratar.

Elvis no set de Clambake, 1967


Abuso de drogas, dependência e overdoses

O problema com as drogas de Elvis Presley era lendário. O que não é apreciado é que ele teve pelo menos quatro overdoses graves que causaram coma e necessidade de reanimação antes de sua morte. Se alguém sobrevive a uma overdose, o grande risco é o dano cerebral residual causado pela falta de oxigênio. O consumo de drogas de Elvis começou com anfetaminas quando ele era adolescente e aumentou enquanto estava no exército. Ele era conhecido por subornar farmácias alemãs por grandes quantidades de anfetaminas. Após sua volta, Presley passou um período abusando do álcool. Ele não bebia regularmente, mas quando o fazia, bebia excessivamente. Quando bebia, ele tinha acessos de raiva e brigou fisicamente com membros de sua comitiva em pelo menos duas ocasiões. No final da casa dos 20 a 30 anos, seu hábito de beber foi acompanhado por um uso crescente de anfetaminas e sedativos. Sua progressão no uso de drogas aumentou depois de sua queda no banheiro em 1967, e ele acrescentou o uso regular de opioides a seu repertório de drogas de que abusava. Infelizmente, Elvis tinha um quadro de médicos, dentistas e farmacêuticos na Califórnia, Nevada e Tennessee que lhe forneciam medicamentos prescritos. Muitos de seus conhecidos relatam como ele enganou farmácias, funcionários, médicos e dentistas para prescrever ou fornecer medicamentos para ele.

O empresário de Elvis, o Coronel Thomas Parker, esperava que seu casamento com Priscilla reduzisse seu uso de drogas, e pareceu isso por um tempo. No entanto, o uso de drogas e comportamentos bizarros aparentemente se tornaram tão ruins que ela o deixou em 1971. Em janeiro de 1973, Elvis Presley foi agendado para um mês de shows em Las Vegas. Os médicos do Las Vegas Hilton onde Elvis ficou forneceram-lhe quantidades ilimitadas de dextroanfetamina, diazepam, etinamato, hidromorfona e meperidina. Ele também começou a injetar opioides. A dosagem de drogas injetáveis ​​é difícil de controlar e, em 23 de janeiro de 1973, Elvis sofreu sua primeira overdose de hidromorfona injetável. A namorada que morava com ele o encontrou em coma na cama e quase sem respirar. Felizmente, o médico do hotel trouxe oxigênio. Depois desse evento, ele continuou a usar drogas. A namorada de Elvis, Linda Thompson, relatou que ele tomava tantas drogas que adormecia enquanto mastigava, e ela alegou que "arrancou comida da traqueia de Presley" em oito vezes diferentes. Sua segunda overdose de drogas ocorreu em 28 de junho de 1973, exigindo que o Dr. Nick o revivesse com estimulantes.

Existem duas teorias básicas sobre por que uma pessoa abusa de uma multiplicidade de drogas. Uma é alcançar uma euforia ou mentalidade para escapar dos rigores do tédio ou de uma vida estressante. A outra é que algumas pessoas nascem com sentimentos e sensações estranhas e tomam uma grande variedade de medicamentos para se tratarem. Minha experiência mostra que pacientes com TCE tomam muitos medicamentos ao acaso na tentativa de tratar os muitos sintomas, sentimentos e sensações estranhos que o TCE pode trazer. Elvis parecia ter ambos os motivos para usar drogas em momentos diferentes. Outro fator em seu uso de drogas pode ser que ele nunca teve muitas chances de crescer e ser uma pessoa normal. Antes dos 21 anos, ele era famoso, adorado, procurado e rico. Uma fuga da realidade pelo uso de drogas é uma rota comum para quem nunca "conseguiu ter uma vida".

O Dr. Nick tentou todos os truques que um médico poderia fazer para controlar o uso de drogas de Elvis. Ele encontrava drogas na casa de Elvis ou em viagens e as destruía. Ele tentou prescrever os medicamentos menos prejudiciais enquanto mantinha Elvis funcional. Ele constantemente dava placebos. Dr. Nick, Priscilla e amigos tentaram repetidamente fazer com que ele entrasse em uma unidade de tratamento para dependência química, mas ele sempre recusou. Dadas as circunstâncias, não sei o que mais seu médico poderia ter feito para ajudá-lo. Uma coisa é certa: o uso de drogas causou quedas, traumatismo craniano e overdoses que danificaram seu cérebro. Na época em que morreu, ele era essencialmente não funcional e exigia cuidados constantes de enfermagem.

Elvis no palco em 29 de junho de 1973


Resumo

Essa análise médica foi feita em grande parte para chamar a atenção para o TCE. Acredito que Elvis Presley sabia claramente que estava mortalmente doente, mas não sabia por quê. Em retrospecto, acredito que Elvis Presley foi um caso clássico de traumatismo cranioencefálico cumulativo, seguido por um distúrbio inflamatório auto-imune. Nada disso era conhecido ou reconhecido em sua época. Tenho certeza de que ele ficaria feliz em saber que sua situação pode ajudar outras pessoas, pois ele era uma pessoa gentil e generosa.

Só recentemente houve um entendimento de que o TCE pode causar comportamentos bizarros, como reclusão, hábitos obsessivo-compulsivos, paranoia, hostilidade, hábitos sexuais peculiares, falta de higiene e uso de drogas. Também pode causar disfunção hipotálamo-hipofisária e desencadear um processo inflamatório autoimune que pode produzir, com o tempo, um distúrbio multissistêmico. A síndrome da dor centralizada do TCE pode não apenas produzir dor na forma de dores de cabeça, mas também na coluna, articulações e dores musculares. Esses pacientes são freqüentemente diagnosticados como tendo "fibromialgia". O traumatismo craniano pode ser cumulativo, o que significa que cada trauma adicional aumenta o risco e a sintomatologia. Overdoses de drogas, das quais Presley teve várias, geralmente causam anoxia no cérebro e podem piorar o problema de disfunção cerebral causada por trauma. Tudo isso além de vários problemas genéticos, incluindo hipertensão, megacólon, defeitos do citocromo e deficiência de antitripsina.

Felizmente, hoje os pacientes com traumatismo craniano estão começando a frequentar as aulas sobre dor. Elvis Presley certamente antagonizou sua condição com uma dieta atroz, uso de drogas e estilo de vida. No entanto, um estudo da história médica de Elvis Presley é muito instrutivo sobre como o TCE pode levar a condições clínicas graves que podem ser prevenidas e tratadas.


Créditos e materiais usados

A maior parte do material, além das informações diretamente derivadas dos arquivos e registros de Elvis Presley, é do livro detalhado, Down at the End of Lonely Street: A vida e a morte de Elvis Presley, escrito por Peter Harry Brown e Pat Broeske. Este trabalho foi escrito em 1997 e contém informações detalhadas após anos de investigação por esses dois autores. Contribuí para os fatos como os conhecia, mas o conhecimento da condição médica subjacente de Presley não era conhecido na época. Em parte devido ao meu incentivo e de outros, o Dr. George Nichopoulos deu uma entrevista a Dennis Breo da American Medical Association em 1986, que contém muitos de seus pensamentos médicos sobre Elvis. O livro "I Called Him Babe: Elvis Presley's Nurse's Remembers", por Marion J. Cocke, foi muito perspicaz sobre sua condição debilitada e cuidados médicos, já que ela era sua principal enfermeira registrada em Memphis.

Este artigo não poderia ter sido escrito sem a ajuda direta de Carol Shifflett, de Sewick, Pensilvânia, autora de "Migraine Brains & Bodies: A Comprehensive Guide to Solving the Mystery of Your Migraines" e "Aikido Exercises for Teaching and Training". Carol é uma verdadeira especialista jornalística em traumatismo craniano e foi capaz de me ajudar a resolver o mistério médico de Elvis Presley.

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Texto original: Pratical Pain Management || Fotos: Pratical Pain Management e Google
Tradução: EAP Index | http://www.eapindex.site

>> a re-disponibilização desta tradução só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<