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quarta-feira, 25 de março de 2026

Amarillo '77 (CD - FTD, 2011)

Título:
Amarillo '77
Selo:
FTD [FTD 101] [506020 975027 2]
Formato:
CD
Número de faixas:
29
Duração:
78:00
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2011
Gravação:
24 de março de 1977
Lançamento:
Julho de 2011
Singles:
---


Amarillo '77 foi o centésimo primeiro CD da FTD. Ele cobre o show quase completo de 24 de março de 1977 e versões excepcionais da mesma turnê. O trabalho encontra-se atualmente fora de catálogo.


Em 1977, Elvis estava em baixa. Seu setlist ficou bastante estagnado e seus shows eram muitas vezes superficiais, na melhor das hipóteses. Após a excitação e a alta energia recém-descoberta dos shows de dezembro de 1976, no início de 1977 ele desceu rapidamente e ganhou o peso que havia perdido recentemente. Em janeiro, o cantor mostrou pouco interesse em terminar as músicas para seu próximo álbum no Creative Studios de Nashville. Talvez fosse sua preocupação com o próximo livro revelador que estava sendo escrito por seus ex-guarda-costas ou talvez a novidade de seu novo relacionamento com Ginger Alden tivesse se esgotado.

Desesperado por novas músicas, Felton Jarvis, produtor de Elvis, saiu em turnê de março a maio de 1977 para tentar gravar novo material ao vivo. Essas gravações eventualmente forneceram três músicas para o LP "Moody Blue", além de serem usadas para a compilação "Spring Tours '77" da FTD.

A primeira turnê de Elvis em 1977 teve 10 shows, começando em HollywoodFlórida, em 12 de fevereiro e terminando em CharlotteCarolina do Norte, no dia 21 do mesmo mês.

Apesar de ter descansado no Havaí por um mês, a turnê de março não seria das melhores também, mas teve alguns highlights como o show do dia 24 em Amarillo. Infelizmente, com Elvis tendo engordado e estando esgotado, as coisas seriam muito piores daqui para frente e a turnê de abril teria 4 dos doze shows cancelados devido a problemas de saúde. A partir de então, Elvis só ocasionalmente se animava a realizar concertos admiráveis.

Ao lançar o CD "Spring Tours '77" em 2002,FTD teve a oportunidade de selecionar as melhores gravações ao vivo de Felton Jarvis na primavera de 1977, que criaram um perfil interessante, embora um tanto positivista, de Elvis em concerto durante esses 3 meses. Ao distribuir este novo trabalho, a gravadora foi inteligente em selecionar treze novas músicas que não foram apresentadas em compilações anteriores, tornando-o um companheiro digno.

Na verdade, até agora, nenhum show completo de 1977 foi considerado digno de lançamento oficial, embora muitos tenham surgido em bootlegs - e alguns deles de gravações do público. Mas aqui, finalmente, temos um show "completo" (tanto quanto foi gravado pelo engenheiro) e, melhor ainda, uma performance completamente desconhecida do segundo e último show de Elvis em Amarillo, em 24 de março de 1977. Sabendo que Elvis não estava em seu melhor, há um bônus definitivo em ter uma seleção de 11 faixas extras para aumentar o tempo de execução do CD.

Abaixo segue nossa resenha deste CD espetacular.
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- 1. That's All Right: Para uma gravação de mesa de som, a qualidade é muito boa e a mixagem é excelente com a voz de Elvis bem equilibrada entre a banda, músicos de apoio e orquestra. Infelizmente, o engenheiro de som não gravou os primeiros números - que incluíam uma rendição de "Love Me Tender" logo após a abertura -, mas, novamente, Elvis costumava levar algum tempo para "aquecer". E para ser honesto, não faz falta ter outra versão extremamente longa de "I Got a Woman / Amen". Quando começamos a ouvir o concerto, Elvis já soa totalmente engajado, cantando muito bem e sem arrastar as palavras - um ótimo sinal.

- 2. Are You Lonesome Tonight: "E então gravamos uma música chamada 'Are You Lonesome Tonight'." Elvis conversa e brinca coma plateia por alguns minutos, algo que já havia se tornado raro. Assim como acontecera em fevereiro, ele erra a letra logo no início e para a rendição. Depois de um pouco mais de interação com fãs e seus músicos, o cantor volta à música, mas agora está mais disperso do que nunca. Rindo e se divertindo, ele faz uma constatação a Charlie Hodge: "Charlie, 20 anos indo ralo abaixo." Em comparação, esta é uma versão das menos memoráveis.

- 3. Reconsider Baby: "'Fizemos um blues chamado 'Reconsider Baby'." Após a rendição perfeita feita um mês antes em Charlotte, era de se esperar que outra desse clássico raro animasse tanto Elvis quanto seus fãs. Infelizmente, ele apenas ensaia alguns acordes e desiste de cantá-la.

- 4. Love Me: Elvis tenta iniciar o hit de 1956, mas percebe que os músicos estão fora do tom: "Vejam, um de nós está errado, amigos. E eu não vou levar a culpa disso." A rendição é a padrão, com Elvis distribuindo beijos e lenços para a plateia enquanto canta.

- 5. If You Love Me (Let Me Know): "Esta próxima canção foi gravada por Olivia Newton-John e se chama 'Se Você Me Ama, Deixe-me Saber... Se não, cai fora!'" A voz de Elvis está fraca para este clássico poderoso, mas mesmo assim ele consegue entregar uma boa versão.

- 6. You Gave Me a Mountain: Há uma interação divertida com a multidão no fim da rendição, quando Elvis faz um esforço para dar o melhor de si e recebe gritos e aplausos efusivos da plateia. A versão em si é mediana, talvez um pouco menos enérgica do que a do "In Concert".

- 7. Jailhouse Rock: "Meu terceiro filme se chamou 'Jailhouse Rock' e, vocês sabem... Minha voz era muito mais aguda na época e as letras são bem rápidas, então vou tentar e ver o que acontece." Outra descartável nas apresentações, mas que aqui recebe um tratamento um pouco melhor do que o normal.

- 8. O Sole Mio / It's Now or Never: "Em 1960 gravamos uma música chamada 'It's Now or Never'. Ela foi tirada da canção italiana 'O Sole Mio'. Gostaria de pedir a Sherrill Nielsen para fazer a versão italiana, 'O Sole Mio'. Ouçam a voz dele, senhoras e senhores." A adoração de Elvis pela voz de Nielsen às vezes é incompreensível. É difícil saber se ele realmente o tinha como um ótimo cantor ou se sabia que fazê-lo cantar causava um tanto de ódio - e dor de ouvido - na plateia. Passada a tortura, "It's Now or Never" tem um ar latino  - embora seja uma canção napolitana - ausente na maioria das vezes e é até gostosa de se ouvir.

- 9. Little Sister: "Gostaria de fazer um medley de algumas das minhas gravações, começando com 'Little Sister'." O cantor tenta dar um bom espetáculo, mas é audível que sua voz está com pouco alcance neste dia.

- 10. Teddy Bear / Don't Be Cruel: Assim que começa a rendição, Elvis a para e se dirige a Tony Brown: "Espere um minuto, Ronnie. Tony... É  a primeira vez que o ouço entrar atrasado. Você é um pianista fantástico, mas..." A rendição é mediana para medíocre, com Elvis centrado na plateia para esconder o estado de sua voz.

- 11. My Way: "Esta próxima música... Vocês talvez nos tenham ouvido cantá-la, mas foi gravada por Frank Sinatra e se chama 'My Way'. Não sei a letra dela, então terei de ler, mas gostaria de tentar mesmo assim." Um número poderoso, traz Elvis colocando tudo de si em uma empolgante rendição - apesar de sua voz falhar em algumas partes. É uma tentativa válida e emocionante, mas não tão boa quanto a de Chicago cerca de um mês antes.

- 12. Introductions / Early Morning Rain: Alegadamente, o lado A da fita de Amarillo acabou aqui e, até ser virada, as introduções foram perdidas. A FTD as substitui pelas gravadas em Abilene, Texas, três dias depois. Elvis começa as apresentações com The Sweet Inspirations, JD Sumner e os Stamps - identificando-os um a um - e canta durante o solo de John Wilkinson.

- 13. What'd I Say / Johnny B. Goode: Os solos de James Burton soam medianos.

- 14. Band Introductions: Na sequência estão os solos de costume de Ronnie Tutt, Jerry Scheff, Tony Brown e Bobby Ogden, e Charlie Hodge.

- 15. School Days: Finalizando 12 dispensáveis minutos, Elvis apresenta o maestro Marty Harrell (substituindo Joe Guercio por alguns dias) e sua orquestra.

- 16. Hurt: "Uma das nossas mais novas gravações se chama 'Hurt'." De volta ao lado B da fita de Amarillo, temos uma rendição bastante boa, mas que ainda mostra que Elvis não estava vocalmente preparado naquele dia.

- 17. Hound Dog: O cantor tenta dar uma modificada no início da música, nos fazendo lembrar das versões de 1972, mas no fim a rendição é mais uma dispensável.

- 18. Can't Help Falling in Love / Closing Vamp:  "Muito obrigado, senhoras e senhores. Desculpem termos nos atrasado para chegar aqui hoje, mas tivemos um pequeno problema pessoal - nada muito grave. Mas quando quiserem que voltemos, nos deixem saber e nós voltaremos porque vocês são uma boa plateia." Elvis dá uma explicação básica de seu atraso porque o show começou muito mais tarde do que o previsto. Ao entrar no palco naquela noite, os fãs estavam tão eufóricos por ele ter aparecido que o Rei do Rock resolveu brincar com alguém na plateia: "Vocês acharam que eu não viria, não é?" Um minuto e meio de uma versão acima da média da noite levam ao fim da apresentação e a um "Closing Vamp" mais em tom funk do que de costume.


MÚSICAS BÔNUS

- 19. And I Love You So [Alexandria, 30/03/77]: "Vou descansar por alguns minutos, senhoras e senhores, há algo errado com meu microfone e eles vão consertar. Vou ter que chamar meus engenheiros de som ao palco. Ia começar... Felton, você também, filho! Bruce Jackson e Felton Jarvis. Se vocês não tivessem ficado jogando futebol, não estariam cansados." Elvis parece estar com o humor ácido. Após iniciar a música, ele dá uma risada sarcástica e faz uma emenda na letra para criticar o sistema de som. No geral, a versão é melhor do que a ouvida no "In Concert".

- 20. Fever [Alexandria, 30/03/77]: "Fever." A versão que se segue é boa, mas um tanto lenta. Elvis parece estar se mexendo bastante no palco, pela reação das fãs.

- 21. Love Me Tender [Alexandria, 30/03/77]: "Vamos fazer 'Love Me Tender', ok?" Raridade na setlist em 1977, traz Elvis se divertindo e aproveitando a música e a plateia. Ele ri e parece estar lembrando da loucura das versões do início dos anos 1970.

- 22. Blue Suede Shoes [Alexandria, 30/03/77]: Empolgado com a reação à música anterior, o cantor emplaca outro hit de 1956 e a versão é muito boa para aquele ponto do ano. Ouvir uma rendição sem Elvis estar arrastando a voz é fantástico.

- 23. Steamroller Blues [Austin, 28/03/77]: "Só há mais 900 músicas que podemos tocar... 'Steamroller'." Espontaneamente, Elvis surpreende a todos com a primeira e única rendição deste blues em 1977. Sua voz falha em pontos, mas ele entrega uma versão limpa e muito bem executada. O feel geral é semelhante ao das versões de 1976, embora aqui ele demonstre uma verdadeira alegria em poder fazer uma performance tão boa dessa música.

- 24. Help Me [Austin, 28/03/77]: "Gostaria de cantar uma música que gravamos há alguns anos, se chama 'Help Me'." Embora esteja em um ritmo mais lento do que as versões de costume ou o Master de 1973, esta rendição é boa por ter uma instrumentação mais leve e um acompanhamento sutil dos backing vocals. O mix que privilegia pontos diferentes dos costumeiros é fantástico.

- 25. Why Me Lord [Alexandria, 29/03/77]: Após um corte brusco, chegamos a uma verdadeira sessão Gospel que Elvis, JD e os Stamps comandam no palco em Alexandria. Aqui com certeza pode-se dizer que estamos ouvindo a melhor das 4 versões feitas em 1977 - e até as brincadeiras de Elvis para desconcentrar JD, que ri encantadoramente, são bem-vindas.

- 26. Bosom of Abraham [Alexandria, 29/03/77]: Talvez Alexandria lembre a cidade bíblica para Elvis e provavelmente por isso ele insista no Gospel. Aqui temos uma pequena e simpática versão acústica da gravação de 1971 em que ele e os Stamps se divertem com as harmonias.

- 27. You Better Run [Alexandria, 29/03/77]: Continuando o medley Gospel, os Stamps ajudam o cantor a render a gravação de 1966. O feel só é atrapalhado pela microfonia ocasional.

- 28. How Great Thou Art [Alexandria, 29/03/77]: "Vamos fazer 'How Great Thou Art' já que estamos nessa, amigos." Esta é uma versão potente e bem estruturada, mas infelizmente não é das melhores de 1977. A voz de Elvis falha no final e revela que ele não está tão bem de saúde quanto quer fazer parecer. Mesmo assim, a plateia grita e aplaude efusivamente, fazendo com que a alegria transborde em sua voz enquanto agradece a multidão.

- 29. Tryin' to Get to You [Abilene, 27/03/77]: Felizmente, a FTD decidiu acabar este CD com uma versão sólida do melhor show de março de 1977. Elvis erra a letra no começo, mas se concentra e faz uma rendição fantástica que levanta a plateia.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Forty Eight Hours to Memphis (CD - FTD, 2011)

Título:
Forty Eight Hours to Memphis
Selo:
FTD [FTD 105] [506020 975029 3]
Formato:
CD
Número de faixas:
25
Duração:
64:00
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2011
Gravação:
18 de março de 1974
Lançamento:
Outubro de 2011
Singles:
---


Forty Eight Hours to Memphis foi o centésimo quinto CD da FTD. Ele cobre o show de 18 de março de 1974 em Richmond, Virginia. O trabalho encontra-se atualmente fora de catálogo.


1974 pode ter iniciado de forma lenta nos lançamentos de discos com material novo, mas havia um senso de mudança vindoura no ar. O sucesso da compilação "A Legendary Performer, Volume 1", lançada em 11 de janeiro, era um ótimo sinal disso.

Quando começou a primeira temporada do ano em Las Vegas, no dia 26 daquele mês, Elvis ainda estava abalado com seu divórcio três meses antes e seu temperamento era tão forte quanto o do último show do ano anterior. Durante a temporada, ele modificaria o repertório para músicas mais a seu gosto e tomaria as rédeas das apresentações. "Let Me Be There" ganharia destaque. Sherrrill Nielsen e seu grupo, o Voice, teriam ainda mais espaço com a participação em "Spanish Eyes" e os solos em "Killing Me Softly", "Bringin' it Back", "I Can't Live Without You" e "Aubrey".

Foi em março de 1974 que a melhor temporada de shows de toda a carreira de Elvis ocorreu. Também foi neste momento, depois de morar em Memphis por 26 anos e 13 anos após sua última apresentação ali, que o cantor finalmente conquistou a cidade.

De 1º a 20 de março, o cantor realizou sua maior turnê até então, com 24 shows em 20 dias, e a coisa toda foi um estrondo. Estas foram algumas das melhores apresentações do Rei do Rock desde o retorno aos palcos em 1969. Várias cidades foram muito abençoadas com 2, 3, 4 e até 5 concertos. As multidões eram incríveis e a expectativa os excitava. As arenas estavam com ingressos esgotados em todas as cidades pelo menos um mês antes de Elvis pisar no palco.

Um desses casos é o de Richmond. Elvis sabia que deveria gravar um show completo em seu último concerto da temporada em Memphis, então começou a praticar alguns números e mudou o setlist ao seu gosto. Foi uma grande apresentação e a multidão estava selvagem.

Quando a FTD anunciou que estava lançando o show de Richmond, os fãs entraram em frenesi. Era a primeira vez que ele seria lançado oficialmente e a gravadora anunciou que a fonte era uma fita estéreo nunca antes ouvida. Isso levou a uma grande decepção quando a FTD o lançou em mono sem dizer aos fãs que eles haviam esquecido de corrigir as informações iniciais.

O concerto e a qualidade do áudio ajudaram a desculpar um pouco a FTD. Ele vinha de uma gravação multipista anteriormente desconhecida, tirada de uma cópia em fita de um gravador profissional de 16 pistas. Tinha alguns danos, mas o concerto estava completo. Vic Anesini trabalhou nele para consertar os danos e remasterizar o áudio, deixando a FTD com uma joia na mão. O livreto de 16 páginas incluído no pacote foi um ótimo complemento para este magnífico concerto.


Abaixo segue nossa resenha deste CD.
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- 1. Also Sprach Zarathustra: A fanfarra inicia o show. A mixagem nos permite ouvir diferentes elementos que normalmente não são audíveis.

- 2. See See Rider: Elvis fizera 4 shows em Memphis nos 2 dias que antecederam este concerto, e isso significava que ele estava mais descansado do que o habitual, já que o Mid-South Coliseum estava a apenas 15 minutos de distância de Graceland. Há uma felicidade em sua voz quando ele começa a cantar essa música já batida e isso faz com que ela soe muito boa. Além disso, mantenha seu ouvido atento à bateria empolgante de Ronnie Tutt!

- 3. I Got a Woman / Amen: Depois de uma pequena rotina de "well', well, well...", Elvis faz seu medley usual, mas novamente soa mais fresco do que nunca. A multidão vai à loucura com cada mexida de quadril. Sem as intermináveis travessuras para recuperar o fôlego, essa é simplesmente incrível. A resposta para o porquê ela pode soar familiar é: a versão é a de 20 de março. A fita estava consideravelmente danificada aqui, então Anesini decidiu adicionar a performance em Memphis.

- 4. Love Me: "Boa noite, senhoras e senhores. É um prazer estar de volta aqui em Hampton Ro- uh, Richmond. Brincadeira, brincadeira!A música é tocada a série esta noite e Elvis não passa muito tempo interagindo com seu público. Mesmo esta usual descartável é deliciosamente apresentada.

- 5. Tryin' to Get to You: Este clássico do Sun tinha acabado de entrar no setlist e Elvis obviamente se diverte com ele, até mesmo rindo um pouco no início. As notas altas são sublimes esta noite.

- 6. All Shook Up: O baixo de Duke Bardwell conduz a mixagem, e Elvis está de bom humor novamente. Ele ri enquanto brinca com seus backing vocals e realmente se diverte.

- 7. Steamroller Blues: Esta é definitivamente uma versão mais funk do que estávamos acostumados a ouvir e ainda mais agradável do que a do Aloha. Elvis realmente gosta da música e isso se mostra através de sua performance e de seus vocais.

- 8. Teddy Bear / Don't Be Cruel: A habitual "beijo e lenço" descartável, mas muito bem executada.

- 9. Love Me Tender: "Meu primeiro filme foi 'Love Me Tender' e eu gostaria de cantar um pouco dela para vocês." A rendição é bem executada, embora mediana.

- 10. Long Tall Sally / A Whole Lot-ta Shakin' Goin' On / Your Mama Don't Dance / Flip, Flop and Fly / Jailhouse Rock / Hound Dog: Elvis faz um medley de seus discos de rock de maior sucesso, como fazia desde 1973. De certa forma era feito apenas para evitar cantar todas as músicas que já estavam batidas e deixar o público feliz ao mesmo tempo, mas aqui é muito bem executado e Elvis realmente arrasa.

- 11. Fever: Elvis está bastante descontraído e a plateia obviamente adora a música. "Muito obrigado. Essa é uma música divertida de fazer."

- 12. Polk Salad AnnieUma versão muito funky de 1974 começa. Elvis dá tudo de si e a banda tenta acompanhá-lo. Ronnie Tutt e James Burton se superam e os backing vocals realmente trabalham duro. Esta é uma versão de tirar o fôlego - para Elvis e o público!

- 13. Why Me Lord: "Eu gostaria de pedir a JD e os Stamps para cantarem uma das minhas músicas favoritas.Sem Elvis tentando fazer JD rir, esta é uma versão muito espiritual. A mixagem é perfeita por misturar tudo no lugar certo.

- 14. Suspicious Minds: Há alguns problemas com o áudio nesta versão, mas Vic Anesini realmente fez um bom trabalho escondendo-os. Essa versão não é a mais inspirada e é bem parecida com a que ele faria em Memphis, mas ainda arrasa.

- 15. Band Introductions: Elvis apresenta seus amigos de palco. The Sweet Inspirations, JD Sumner e os Stamps (o cantor destaca que JD está resfriado), Kathy Westmoreland, James Burton, John Wilkinson, Ronnie Tutt, Duke Bardwell, Glen Hardin, Charlie Hodge, o grupo Voice, Joe Guercio e sua orquestra são apresentados.

- 16. I Can't Stop Loving You: "Sabem o que eu não consigo fazer?" Os poderes vocais de Elvis são todos mostrados aqui. A versão quase sai dos trilhos em um certo ponto, mas Elvis e a banda conseguem acertar antes que seja desperdiçada.

- 17. Help Me: Há um sentimento muito íntimo nessa música. O ritmo Gospel realmente combina com Elvis e a mixagem privilegia sua voz por toda a versão.

- 18. An American Trilogy: Anesini adicionou um pouco de reverberação aqui e isso funciona maravilhosamente. A mixagem foi tão bem distribuída e a gravação original tão bem feita que faz você se sentir como se estivesse lá.

- 19. Let Me Be There: A mais nova música do repertório, adicionada em janeiro de 1974, é a próxima. O hit de 1973 de Olivia Newton-John é uma ótima balada country e Elvis gosta muito de cantá-la. A mixagem nos permite ouvir os magníficos pickings de James Burton e também os retornos de JD. Como de costume, há uma reprise no final.

- 20. Funny How Time Slips Away: "Agora que vocês já tiveram a chance de nos verem, eu gostaria de acender as luzes da casa e dar uma olhada em vocês, ok?Esta é uma versão descontraída que funciona muito bem. Enquanto conversa com a plateia, Elvis ri e comenta sobre um "grande fantasma no canto" (provavelmente um de seus guarda-costas).

- 21. Can't Help Falling in Love: "Até a próxima vez aqui em Richmond, desejamos um afetuoso adiós.Elvis obviamente estava se divertindo, mas é hora de ir e o hit de 1961 é tocado. O público vai à loucura tentando conseguir um último beijo, lenço ou até mesmo um vislumbre do cantor.

- 22. Closing Vamp: A faixa tem apenas um minuto e acaba com a famosa frase: "Senhoras e senhores, Elvis já deixou o recinto. Obrigado e boa noite."

BÔNUS

- 23. Sweet Caroline (1 de março de 1974): O primeiro bônus do CD vem de Tulsa, Oklahoma. Elvis retirara essa música do repertório regular em fevereiro daquele ano. A versão que ouvimos aqui mostra que ele estava correto, pois ela é executada de forma mais lenta e não tão brilhante quanto as de 1970.

- 24. Johnny B. Goode (17 de março de 1974): Os últimos dois bônus vêm de Memphis. Elvis se diverte com o rock mais rápido e a versão é excelente, mas a qualidade do soundboard não é tão boa para aproveitarmos o total potencial da música.

- 25. That's All Right (17 de março de 1974): "É o primeiro disco que gravei, quero fazê-la agora, ok?" Fora do repertório regular desde junho de 1972, esta é uma surpresa adicionada especialmente para a plateia em Memphis. Elvis gosta da música e canta junto com a guitarra de James Burton o tempo todo. Também merecem destaque as respostas vocais dos backing vocals



quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Elvis as Recorded at Boston Garden '71 (CD - FTD, 2010)

Título:
Elvis as Recorded at Boston Garden '71
Selo:
FTD [FTD 095] [506020 975017 2]
Formato:
CD
Número de faixas:
24
Duração:
58:00
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2010
Gravação:
10 de novembro de 1971
Lançamento:
Outubro de 2010
Singles:
---


Elvis as Recorded at Boston Garden '71 foi o nonagésimo quinto CD da FTD. Ele cobre o show de 10 de novembro de 1971 em BostonMassachusetts. O trabalho encontra-se atualmente fora de catálogo.


1971 começou com bons sinais para Elvis, embora houvesse dúvidas no ar. Em 8 de janeiro, o lançamento de "Elvis Country" dominou as lojas e as paradas enquanto ele completava 36 anos e aproveitava suas últimas três semanas de férias antes de retornar aos palcos no dia 26 em Las Vegas. A temporada terminou em 23 de fevereiro e foi fantástica, trazendo muitas músicas novas para seu repertório, mas, em compensação, seu entusiasmo era claramente menor do que no ano anterior. Além disso, ele só retornaria aos palcos em julho, em sua primeira temporada em Lake Tahoe.

O fim da primeira metade de 1971, no entanto, seria de pouco movimento. Elvis iria ao RCA Studio B em Nashville em 15 de março e depois ficaria de molho por exatos 2 meses, retornando ao estúdio quase que forçado para terminar a segunda perna de sua Maratona de Nashville, que iniciara em junho de 1970. Fatos de sua vida pessoal, como as constantes brigas com Priscilla, também o incomodavam. Tudo conspirava para que o entusiasmo retomado em 1969 fosse lentamente se esvaindo.

Em meio a isso, Felton Javis tinha a incumbência de fazer com que Elvis tirasse vontade de qualquer lugar para gravar um LP natalino para o final daquele ano. Para ajudar a criar uma ambientação, a RCA até mesmo autorizou que o Studio B fosse decorado com motivos natalinos, incluindo uma árvore gigantesca, em pleno maio de 1971. Todos usavam gorros de Papai Noel e se mostravam dentro do espírito festivo, mas isso já não era suficiente para animar Elvis. Faltava alguma coisa, uma centelha que estava ali naquele mesmo estúdio em junho de 1970 e agora parecia ter se apagado. Em junho, ele terminou suas últimas gravações de estúdio naquele ano.

A temporada de julho em Lake Tahoe trouxe alguma melhora no humor de Elvis e vários shows excelentes, apesar de seus problemas com os olhos - o glaucoma já começava a incomodar -, mas não o suficiente para que ele esquecesse que ainda estava no meio do deserto de Nevada e perto do local que já se tornava um incômodo. Esse sentimento de insatisfação com Las Vegas continuou na temporada de agosto/setembro, que foi ainda menos entusiasmada do que a de janeiro/fevereiro. O ano que começara com um tom de otimismo terminava sem sessões de gravação e sem muitos shows realizados.

Novembro de 1971 provaria que o problema de Elvis era a rotina das gravações de estúdio e as repetidas apresentações de Las Vegas. Enquanto os melhores shows da era pós-1969, sem dúvida, ocorreram nos verões daquele ano e de 1970, este show de novembro de 1971 se destaca entre os outros. Para este período, ele representa a primeira gravação já lançada oficialmente de Elvis na estrada - em vez de em um showroom de Las Vegas. Também serve para preencher a lacuna entre suas gravações ao vivo de 1970 e 1972.

Embora este show apenas anteceda sua primeira temporada de 1972 em Las Vegas em três meses, a diferença às vezes é impressionante. Neste final de 1971, Elvis ainda tem um pouco do fogo de 1969 e 1970 nele, em oposição às performances moderadas do início de 1972. Ele interage com a multidão e aparentemente ainda se diverte, enquanto no início do ano seguinte o cantor parece fazer pouco de ambos. Se pudermos comparar, Boston muitas vezes parece uma mistura de shows de agosto de 1970 para o "That's the Way it is" e os de junho de 1972 no Madison Square Garden.

Abaixo segue nossa resenha deste CD.
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- 1. Also Sprach Zarathustra: O show inicia já com a fanfarra de costume. Por ser uma fita mono antiga e não uma multi-track, a clareza do áudio é impressionante.

- 2. That's All Right: Um começo poderoso com o som da plateia captado pelos microfones, dando a você a emoção de estar em uma multidão de 15.500 pessoas que às vezes os soundboards não conseguem capturar. Elvis está em grande forma.

- 3. I Got a Woman / Amen: Elvis parte sem paradas para a rendição, fazendo com que a banda se perca no andamento. Ele então diz: "Não me digam para esperar um minuto!" Ele está pegando fogo e quer continuar assim! Você pode ouvir como o cantor está realmente absorvendo a banda e os backing vocals enquanto a música toca.

- 4. Proud Mary: Sem dar tempo para que a banda esfrie, Elvis entra na música. A rendição é muito melhor até mesmo do que as lançadas com som remasterizado em outros trabalhos.

- 5. You Don't Have to Say You Love Me: O cantor esbanja energia durante a rendição, apesar de deixar de cantar uma ou duas linhas para atender fãs.

- 6. You've Lost That Lovin' Feelin': O andamento acelerado deste show é fantástico. Com um áudio que privilegia a orquestra e dá bastante presença aos backing vocals, esta é uma versão sensacional de uma música que andava sem brilho há algum tempo. Elvis chama a atenção do maestro Joe Guercio logo no início para que ele cuide seus músicos. Embora seja uma rendição que pode dar inveja em muitas outras, o cantor se distrai e esquece a letra enquanto atende seus fãs.

- 7. Polk Salad Annie: Elvis está muito bem humorado aqui. Ele brinca com a letra e tenta atrapalhar o andamento da banda com sua imitação de um pastor sulista. O cantor faz um ótimo trabalho nesta versão excepcional e a usa habilmente para levar a multidão ao frenesi. Jerry Scheff toca o baixo, Ronnie Tutt dirige a bateria, os metais são nítidos e claros e a multidão bate palmas junto com os backing vocals.

- 8. Instrumental: Elvis deixa a banda tocando sozinha o tema das introduções (Coming Back Home, Baby) enquanto interage com fãs e recupera o fôlego.

- 9. Love Me: Esta é uma excelente versão, bem mais séria que de costume. As fãs ficam ensandecidas.

- 10. Heartbreak Hotel: A plateia fica tão eufórica com o início deste clássico que a banda para e o recomeça. Elvis ri como se não acreditasse naquela empolgação gerada por uma música que já era tão batida. Ele brinca do início ao fim.

- 11. Blue Suede Shoes: Aparentemente, pelo áudio e por suas risadas, Elvis está dançando como nos anos 1950 enquanto rende este hit.

- 12. One Night: Raríssima em 1971, sendo esta a segunda e última interpretação ao vivo naquele ano, tem um gostoso ritmo de blues e leva a plateia à loucura. Quando Elvis canta "just call my name" (apenas diga meu nome), as fãs gritam de volta: "Elvis!"

- 13. Hound Dog: A versão aqui tem o mesmo tratamento que seria comum a 1972, iniciando devagar e explodindo em um rock feroz. A diferença, para melhor, é que ela é executada em um tempo mais rápido e com muito mais energia.

- 14. How Great Thou Art (Incomplete): "Gostaria de fazer uma música Gospel com a participação de JD Sumner e os Stamps, chamada 'How Great Thou Art'." Esta versão deliciosa só decepciona por ter um fade na marca de 2 minutos e acabar ali. A fita usada, uma C-60, chegou apo seu final e teve de ser virada nesse momento.

- 15. Introductions (Incomplete): O início das introduções também não foi gravado pelo motivo explicado acima. Aqui começamos a ouvir quando Elvis apresenta Kathy Westmoreland, James Burton, Ronnie Tutt,Jerry Scheff, Glen Hardin, John Wilkinson, Charlie Hodge, Joe Guercio e a orquestra da cidade. Tudo indica que ele tenha feito as usuais introduções das Sweet Inspirations, JD Sumner e os Stamps no início.

- 16. I'm Leavin': "Acabei de lançar uma gravação chamada 'I'm Leavin' (estou indo embora) - Não vou cantá-la, vou embora mesmo!" Esta é uma música tão boa - quase Top 20 no Reino Unido - que é sempre bom ouvi-la em concerto, mesmo que esta definitivamente não seja a melhor versão ao vivo. Esta rendição é notável por ser a última vez que Elvis a cantou até trazê-la de volta ao setlist em fevereiro de 1973. A música era obviamente uma de suas favoritas, pois ele a continuaria cantando até dezembro de 1975.

- 17. Bridge Over Troubled Water: Elvis está mais apaixonado do que nunca nesta rendição, dominando o vasto auditório. A multidão grita em agradecimento e Elvis deve ter sentido isso também, já que faz uma rara e adorável reprise. Ele soa ainda mais absorvido na letra enquanto canta. É um momento mágico e poderoso no show e faz você realmente querer ter estado lá nesta magnificência de Boston.

- 18. I Can't Stop Loving You: Ainda mais extraordinário é como, sem respirar, Elvis mantém o nível de energia alto, indo direto para a próxima música. A rendição agrada à plateia, mas não tem o mesmo brilho de 1970, o que não é nenhum problema.

- 19. Love Me Tender: Elvis faz uma rendição padrão, mas com um pouco mais de concentração do que de costume. Ele ainda beija e dá lenços às fãs, além de fazer seus trocadilhos sexuais com a letra.

- 20. Suspicious Minds: Aqui Elvis brinca mais com a multidão e perde a concentração, cantando: "Para onde foi minha mente?" Depois de um pouco de golpes de karatê, Elvis está de joelhos e implorando para a multidão: "Espero que essas calças não rasguem. Senhor, tenha piedade!" A resposta da plateia evidencia que esta ainda era uma showstopper.

- 21. Elvis Talks: "Obrigado. Gostaria de acender as luzes da casa, senhoras e senhores, e dar uma olhada em vocês, ok?" Após alguns segundos, ele diz: "Vocês são lindos, muito obrigado. Espero que tenham gostado de nosso show, amigos."

- 22. Funny How Time Slips Away: Uma ótima versão calma e em ritmo de blues se segue. Quando Elvis canta "gotta go now" (tenho que ir agora), as fãs gritam histericamente: "Não!"

- 23. Can't Help Falling in Love: Elvis está indo embora e é incrível pensar em como ele conseguiu criar um show tão impactante e maravilhoso em apenas uma hora.

- 24. Closing Vamp: A fanfarra avisa do fim do show, mas a instrumentação diferente faz até mesmo dela um espetáculo. No fim, já quase em um fade, ouvimos a famosa frase: "Elvis já deixou o recinto."

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

A Minnesota Moment (CD - FTD, 2010)

Título:
A Minnesota Moment
Selo:
FTD [FTD 088] [506020 975008 2]
Formato:
CD
Número de faixas:
28
Duração:
76:30
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2010
Gravação:
17 de outubro de 1976
Lançamento:
Fevereiro de 2010
Singles:
---


A Minnesota Moment foi o octogésimo oitavo CD da FTD. Ele cobre parcialmente o show de 17 de outubro de 1976 em MinneapolisMinnesota, e traz bônus de outubro e novembro do mesmo ano. O trabalho encontra-se atualmente fora de catálogo.


O ano de 1976 tinha sido de mais altos do que baixos e Elvis estava contente com o andamento das coisas. Sua vontade de gravar ainda era pouca, mas as sessões na Jungle Room de Graceland foram divertidas e bastante produtivas. Ele já não parecia interessado em Las Vegas, e Vegas era recíproca, fazendo o Coronel escalá-lo para apenas uma temporada de 2 a 12 de dezembro no Hilton; esta, como sabemos hoje, seria a última de sua carreira na cidade. Ao invés do ar seco do deserto de Nevada, o Rei do Rock preferiu fazer apenas mais uma temporada em Lake Tahoe, onde se apresentara pela última vez dois anos antes, entre 30 de abril e 9 de maio de 1976.

Na metade daquele ano, não parecia que Elvis tinha voltado à antiga forma ou que isso fosse possível. Suas apresentações ainda eram inconstantes, e ele se mostraria lento e por vezes confuso no início dos concertos, embora nada como as terríveis apresentações de agosto do ano anterior em Las Vegas. De fato, o cantor melhoraria em muito sua performance a partir de junho, culminando no ótimo show de 31 de dezembro de 1976 em Pittsburgh, mas era claro que ele já não tinha mais aquela chama que queimava em seu âmago.

1976 não é um ano fácil de se resenhar quando se trata de Elvis ao vivo. Não houve grandes mudanças no setlist, como acontecera nos anos anteriores, nenhuma "montanha-russa emocional" dramática de 1974 e nenhuma excitação de Huntsville em 1975. Além da explosão excepcional da última turnê de dezembro de 1976 (inspirada no desafio do novo e jovem amor Ginger), em retrospecto o ano parece um processo lento continuando a inevitável espiral descendente.

No ano de 2000, a FTD teve que ser totalmente elogiada quando lançou o soundboard de 1º de junho de 1976 em Tucson, mas infelizmente não porque foi um grande show - apenas porque anunciou o início de uma nova era de lançamentos oficiais de soundboards. Uma performance sem brilho, "Tucson" foi salvo puramente pela extraordinária performance única de "Danny Boy". Durante a maior parte da apresentação, o vocal de Elvis está sem vida e ele parece entediado, pois tem que passar pela velha rotina mais uma vez.

Um verdadeiro sinal dos tempos em 1976 foi que, desde a turnê de abril até a de agosto, Elvis basicamente usava seu "Bicentennial Suit" em todos os shows, certamente sinalizando um artista entediado. Na verdade, entre os fãs, a performance de 28 de agosto de 1976 em Houston é frequentemente apontada como seu "pior show de todos os tempos", mas os concertos durante a maior parte do verão muitas vezes soavam como se Elvis estivesse no piloto automático, entediado, acima do peso, infeliz, doente, muito medicado e desesperado.

O FTD "New Haven '76" com a performance de 30 de julho é um dos casos em questão. Lançado por causa da excelente qualidade de áudio, Elvis soa entediado, medicado e apático e, no geral, é uma experiência de audição dolorosa.

No entanto, como em tudo que se refere a Elvis, sempre há contradições, mudanças e às vezes uma luz no fim do túnel. Apenas três meses depois, as coisas de alguma forma melhorariam. Mesmo com a ameaça do livro "Elvis: What Happened?" prestes a ser publicado (ou possivelmente por causa disso), houve uma mudança definitiva e positiva no mês que antecedeu a turnê de outubro de 1976.

Elvis havia perdido bastante peso, e quando pisou no palco em Chicago, na primeira noite da turnê de outubro, ele parecia um homem rejuvenescido. Não só isso, mas Elvis estava mais uma vez vestindo macacões diferentes todas as noites - e até se encaixando naqueles que ele usava em 1974! Bootlegs como "Bringin' the House Down" de 15 de outubro em Chicago demonstram um desempenho muito melhor.

Claro que com Elvis há sempre aquela presença em cada show que nenhum soundboard mediocremente mixado pode capturar. A magia e a emoção de ver Elvis ao vivo sempre foi aparente para qualquer fã que assistiu a seus shows, independentemente do estado de saúde em que ele estivesse. "Royal Gambit in Richfield", de 23 de outubro de 1976, é um exemplo onde a gravação de alta qualidade do público consegue capturar aquela pura "magia de Elvis" e faz você desejar ter estado lá, mesmo em 1976!

O que nos leva a alguns dias antes em Minnesota, em 17 de outubro, outro show inédito daquela turnê. Enquanto o concerto apresenta a setlist "regular", ele também captura Elvis naquela sensação rejuvenescida de 1976. A apresentação não só recebeu uma crítica fabulosa no jornal local, mas os fãs que estavam presentes também lembram da noite emocionante.

Então, talvez a "secura" deste soundboard roube a atmosfera selvagem de 16 mil fãs e também revele um pouco demais de Elvis "acordando" enquanto lentamente entra na performance, mas no geral não há dúvida da sensação de que Minnesota foi outro passo positivo, já que o cantor se dirigia para os grandes shows do final daquele ano.

Abaixo segue nossa resenha deste CD.
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- 1. Also Sprach Zarathustra: A fanfarra anuncia o começo do show. O áudio tem um mix seco, parecido com o de "America".

- 2. See See Rider: Elvis entra na música soando muito melhor do que em "New Haven '76", não parecendo sem fôlego ou cansado e sem murmurar palavras. As fotos do CD realmente mostram um Elvis em melhor forma física do que anteriormente naquele ano, e sua voz é a prova secundária dessa mudança para melhor.

- 3. I Got a Woman / Amen: Elvis começa cantando com um indício de risada em sua voz, indicando seu bom humor e a alegria de estar se apresentando para os fãs, diferente das versões com a impressão de "acabei de sair da cama" de dias antes. Sua rotina do striptease e os dive bombs de JD são a finalização comum da música.

- 4. Love Me: "Muito obrigado, senhoras e senhores. Boa noite. Bem-vindos ao show..." Ele interrompe a frase para responder a fãs que pedem que ele volte para o outro lado do palco: "Eu voltarei aí, vou voltar. Eu prometo, eu prometo. Prometo pela vida de John Wilkinson que voltarei aí!" Fãs pedem que ele aumente o volume do microfone e Elvis responde gritando, de brincadeira: "Ouçam, maldição! Vamos fazer isso certo de uma maneira ou de outra!" A versão até que não é de todo ruim.

- 5. If You Love Me (Let Me Know): É tão bom ouvir uma versão onde Elvis demonstra estar vivo e atento depois da rendição pobre de New Haven que ficamos até com vontade de reprisar a faixa.

- 6. You Gave Me a Mountain: Esta é sempre uma das showstoppers, e aqui não é diferente. Elvis faz uma interpretação entusiasmada e não tem problemas de falta de fôlego ou em alcançar as notas mais altas.

- 7. Jailhouse Rock: O medley de hits dos anos 1950 se inicia. Elvis se mostra animado, fazendo uma versão muito acima da média daquele ano.

- 8. All Shook Up: "Obrigado. Gostaria de fazer um medley dos meus discos para vocês - só uns diferentes." Elvis se volta a seus fãs e sua voz soa fraca pela primeira vez na noite, mas é algo esperado por ele estar concentrado em atender a todos na beira do palco.

- 9. Teddy Bear / Don't Be Cruel: Descartável, apesar de soar bem melhor do que algumas anteriores, mas o cantor se mostra entediado.

- 10. And I Love You So: Embora a plateia pareça pouco entusiasmada, pode-se notar que Elvis está genuinamente interessado nesta versão. Ele a rende de forma sincera e majestosa, cantando-a muito bem em todo a duração.

- 11. Fever: Esta é uma das melhores da noite e Elvis se diverte com ela no início. Ao se abaixar para atender as mulheres histéricas, ele demonstra certa preocupação com a roupa: "Espero que essa jumpsuit aguente." Quando uma fã se mostra muito afoita, ele observa: "Querida, não vá enlouquecer completamente agora!" Apesar de ele rir da reação de suas fãs, esta é uma versão séria e muito bem interpretada.

- 12. Steamroller Blues: Uma raridade em 1976, esta é uma versão excelente. Claro, não chega a se comparar com as do início de 1973, mas Elvis está centrado e faz uma rendição fenomenal. Ele se mostra entusiasmado durante o solo de James Burton e o piano de Tony Brown soa perfeito.

- 13. Introductions / Early Morning Rain: "Gostaria de apresentar os membros do meu grupo a vocês, antes de qualquer outra coisa." Elvis introduz The Sweet Inspirations, JD Sumner e os Stamps, Sherrill Nielsen, Kathy Westmoreland e John Wilkinson.

- 14. What'd I Say / Johnny B. Goode / Solos: "Na guitarra solo, de Los Angeles, está James Burton." James faz seu trabalho como de costume nos dois solos que lhe competem. Na sequência Ronnie Tutt, Jerry Scheff, Tony Brown e David Briggs apresentam seus solos. Por decisão da FTD, dois solos de Sherrill Nielsen foram cortados da fita.

- 15. Love Letters: "Na primeira vez que David e eu trabalhamos juntos, era sua primeira sessão de gravação e fizemos uma música chamada 'Hurt'. Foi em 1944. Não! 'Hurt'? 'Love Letters'. Meu Deus!" Sem murmurar as palavras como em Tucson e New Haven, esta é uma das melhores versões do ano. No final da rendição, Elvis apresenta Charlie Hodge.

- 16. School Days (30/11/76): Por avaria no som, esta parte foi substituída pelo áudio da apresentação em Anaheim, California, em 30 de novembro de 1976. Elvis apresenta o maestro Marty Harrell - trombonista da orquestra que substituía Joe Guercio quando este não podia comparecer ao show - e a Joe Guercio Orchestra.

- 17. Hurt (30/11/76): Pelo mesmo motivo explicado acima, esta faixa também foi substituída pela versão de Anaheim. "Nossa mais nova gravação se chama 'Hurt', então gostaria de cantá-la." Infelizmente esta versão não traz a reprise da música como no show de 17 de outubro, o que ajudaria a demonstrar o bom humor e a disposição de Elvis, mas o mix bastante diferente é outra coisa que chama a atenção. Com o piano bem à frente no áudio - até mais do que Elvis -, a orquestra e a banda ficam um tanto escondidas. A finalização é fenomenal.

- 18. Hound Dog: Versão descartável, com Elvis distribuindo lenços e beijos.

- 19. One Night: "Querem ouvir 'One Night', é isso? Estamos aqui para entretê-los, então o que quiserem ouvir é o que faremos." Demonstrando um grande entusiasmo nesta rendição, algo que já não existia na interpretação de seus outros clássicos dos anos 1950, Elvis se delicia com os vocais e faz uma ótima versão  -  a penúltima de apenas 8 em 1976.

- 20. It's Now or Never: "Gostaria de cantar uma música que gravei há uns dez anos, chamada 'It's Now or Never'." Sem  o solo de "O Sole Mio" de Sherrill Nielsen, esta versão em que somente Elvis canta é deliciosa. Raridade naquele ano, é aplaudida efusivamente pela plateia.

- 21. Mystery Train / Tiger Man: "Mystery Train, baby!" Elvis parece estar com energia de sobra esta noite e interpreta o medley que só entra em sua setlist quando ele está muito bem de humor e saúde. Apesar de sofrer com um mix incorreto para a música, ainda assim é uma rendição fantástica.

- 22. Funny How Time Slips Away: "Gostaria de acender as luzes da casa e dar uma olhada em vocês, porque não consigo vê-los daqui." Elvis faz trocadilhos na letra para mexer com JD antes de se concentrar em cantar enquanto atende seus fãs.

- 23. Can't Help Falling in Love: "Gostaria de dizer que quando nos quiserem de volta, deixem-nos saber e nós voltaremos. Então, até vermos vocês novamente, Deus os abençõe, tenham cuidado ao voltarem para casa e adiós!" Como sempre, Elvis atende aos fãs e canta em partes. Alguns segundos da "Closing Vamp" podem ser ouvidos antes do fade.

BÔNUS

- 24. Fairytale: A seção de bônus começa aqui e as primeiras duas faixas vêm de Sioux Falls, South Dakota, em 18 de outubro de 1976. Como sempre, também é outro deleite agradável, mesmo que não tenha o poder das versões de 1975. Elvis está obviamente se divertindo no final enquanto ele soca as palavras com seu poder vocal. Esta é uma das poucas rendições desta música em 1976 lançadas oficialmente.

- 25. America: "Senhoras e senhores, uma vez que é o ano de nosso bicentenário, gostaria de cantar nossa versão de 'America, the Beautiful' para vocês." Em Minnesota, por alguma razão, Elvis a deixou de fora do setlist, embora ainda a estivesse apresentando na maioria das noites. A rendição aqui é uma das melhores e há alguma discussão prévia mais uma vez mostrando que Elvis continuava de bom humor na noite seguinte. Elvis brinca inteligentemente sobre o sistema de alto-falantes: "Por que essa coisa está murmurando? Talvez não conheça a letra!"

- 26. Hawaiian Wedding Song: As últimas três faixas bônus do CD vêm de Anaheim, California, em 30 de novembro de 1976. Em estéreo, a música mais famosa de "Blue Hawaii" soa de ótima qualidade. Elvis tem um desempenho muito comedido, mas esta é uma performance muito melhor do que a de New Haven.

- 27. Blue Christmas: "'Blue Christmas'? Ok, se vou fazer 'Blue Christmas', vou tocar violão para vocês. O violão está afinado?" Outra joia, com a qualidade do som sendo tão boa. Há um toque encantador onde Elvis diz em uma voz profunda "última linha". Ele cantaria essa música apenas mais 14 vezes e a versão aqui tem uma sensação muito mais lenta e "country" em comparação com o concerto de Norman de 26 de março de 1977 que conhecemos. Este foi de fato o único lançamento oficial desta música no ano de 1976 até a FTD produzir "Chicago Stadium", 10 meses depois.

- 28. That's All Right: "A primeiríssima música que gravei se chamava 'That's All Right, Mama'. E tudo que tínhamos era uma guitarra rítmica, um contrabaixo e... Uma banheira." Alguém na plateia sugere "Lonesome Cowboy" para Elvis, que reage com choque: "'Lonesome Cowboy'?!" A banda até começa a tocar alguns compassos da música, mas o cantor ordena o início de seu hit de 1954.

Esta não é uma música muito comum no último ano de sua vida, mas soa muito bem para 1976, embora talvez tenha um ritmo muito rápido. Elvis, no entanto, soa animado enquanto incentiva a banda. Mais uma vez, surpreendentemente, este é o único lançamento oficial desta música em 1976 antes de "Elvis in Alabama - The Last Double Date", também da FTD, em 2015.