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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Em Busca da Verdade: Elvis Presley - The Searcher

ELVIS PRESLEY - THE SEARCHER (EUA, 2018)

Título brasileiro:
Elvis Presley - The Searcher
Gravação:
2017-2018
Lançamento:
14 de abril de 2018
Duração:
205min
Produtora:
HBO-TV
Orçamento:
US$ 1 milhão
Arrecadação:
US$ 4 milhões
Elenco principal:
Elvis Presley
Gladys Presley
Vernon Presley
Ann-Marget
Priscilla Beaulieu
Steve Binder
Hal Blaine
David Briggs
Tony Brown
D. J. Fontana
Emmylou Harris
Cissy Houston
Ernst Jørgensen
Scotty Moore
Jerry Schilling
Ronnie Tutt
Trilha sonora:


Elvis  Presley - The Searcher é um documentário biográfico dirigido por Thom Zimny. A produção explora a evolução da vida pessoal, profissional e religiosa do Rei do Rock através de entrevistas com amigos, familiares e estudiosos de Elvis, além de filmagens e áudios inéditos ou remasterizados à perfeição.

Após "Elvis by the Presleys" em 2005, o interesse por criar filmes e documentários sobre Elvis pareceu ter sumido da mídia. Mais de dez anos se passariam até que "Elvis & Nixon" fosse lançado, mas isso mais prejudicou o nível de interesse no Rei do Rock do que ajudou em alguma coisa. O ânimo retornou quando o ano do 50º aniversário do '68 Comeback Special estava para iniciar e novas gravações caseiras e áudios de estúdio tinham vindo à tona, fazendo com que o interesse em Elvis reaparecesse como por milagre. A CBS-TV e a NBC-TV tinham seus planos, mas foi a HBO-TV que chegou primeiro na batalha pela obtenção dos direitos para exibir e reproduzir os novos materiais. Buscando apoia na EPE, em Priscilla Beaulieu, Ernst Jørgensen e em Jerry Schilling, a produtora contratou o diretor de inúmeros documentários sobre Bruce Springsteen, Thom Zimny, para liderar o projeto inovador.

Como primeiro passo, Zimny quis buscar em programas antigos a opinião dos que viveram à época de Elvis. Assim, raras entrevistas com Arthur Crudup, Chuck Berry, Floyd Cramer, Bill Black, Aretha Franklin, Bob Dylan, Steve Allen, Glen Hardin, John Lennon, George Harrison, Dean Martin, Charlie Hodge, Ann-Margret e muitos outros foram recuperadas e inseridas no especial para dar uma visão bem mais ampla de quem era o Rei do Rock. Entre os que ainda estavam vivos e disponíveis para dar depoimentos compareceram membros das bandas de estúdio e palco de Elvis como Hal Blaine, Tony Brown, David Briggs, Larry Strickland, D. J. Fontana em sua última entrevista dois meses antes de morrer, Ronnie Tutt e outros, além de Priscilla Beaulieu. Celebridades da música que deram seu ponto de vista incluem Bruce Springsteen, Emmylou Harris e Cissy Houston.

O ponto mais positivo do documentário de Thom Zimny foi querer mostrar um Elvis como ele realmente era, e não apenas como um garoto que deu sorte e não precisou trabalhar duro para ter o que tinha. Não há revelações bombásticas ou polêmicas da parte de ninguém, apenas um trabalho conjunto para mostrar como o cantor processava sua vida através da música e o impacto que ela causa até os dias atuais. São reforçados também os fatos de que Elvis era totalmente eclético quando se tratava de música, e foi daí que saiu todo seu talento para cantar qualquer repertório, e que ele sabia o que fazia quando foi até Sam Phillips e pagou para gravar seu acetato em 1953. De acordo com Jerry Schilling, "Phillips não ficou impressionado e até o descartou como candidato a novas gravações, mas Elvis insistiu e, ao contrário do que se pensa, Phillips não estava buscando Elvis, era exatamente o oposto."

Pela primeira vez em um documentário sobre Elvis, o Coronel é colocado abertamente como um vilão. Foi Parker que trouxe as melhores oportunidades para o cantor durante os anos 1950, não há dúvidas, mas a relação de ambos tornou-se cada vez mais focada no que o Coronel poderia tirar dos contratos de Elvis com estúdios de cinema e a RCA. O Rei do Rock, por sua vez, considerava Parker como quem realmente o fez ter uma carreira, mas começou a se ressentir de seus métodos em 1964, quando percebeu que seus filmes repetiam a mesma fórmula cansada, seus discos de trilhas sonoras traziam músicas de péssima qualidade, quase sempre escritas pelos mesmos nomes de confiança do Coronel, e sua carreira de palco poderia não ter um futuro.

Segundo Steve Binder, diretor do '68 Comeback Special, "foi em 1968 que Elvis começou a se rebelar contra Parker, desobedecendo sua ideia de que o programa deveria ser apenas composto de músicas natalinas e aceitando sugestões minhas e da minha equipe que culminaram no show que temos hoje." O Coronel não tinha interesse em que Elvis se tornasse uma pessoa que pensava por si só e frequentemente inventava maneiras de fazê-lo crer que não iria a lugar nenhum sem ele. Foi o caso com o desejo do cantor de se apresentar pelo mundo, negado por Parker sem um explicação convincente, fruto de seu medo de não poder mais voltar aos EUA se saísse de lá, uma vez que entrara clandestinamente no país em 1920. O Aloha From Hawaii, exibido mundialmente em 1973, foi então, um acordo entre ambos para que Elvis deixasse de querer sair dos EUA para fazer shows.

Através de depoimentos, percebe-se que Elvis continuou muito ligado a Gladys após 1958 e isso atrapalhou um pouco da convivência com seu pai e suas namoradas, uma vez que sua mãe era algo fantasmagoricamente presente em quase todos os momentos. Apesar disso, é feita questão de se frisar que Elvis não era um "filhinho da mamãe" e sabia muito bem de suas responsabilidades. Tanto sabia que sua busca por filmes mais sérios foi baseada em querer ser visto com mais maturidade, além de ser um sonho desde sempre. Embora Las Vegas fosse praticamente sua segunda casa fora de Graceland, depoimentos no documentário esclarecem que ele sabia que a cidade havia tido um papel grande em sua queda e por isso a abandonou depois de 1976.

Quando exibido pela HBO-TV em duas partes, nos dias 14 e 15 de abril de 2018, o documentário teve uma boa audiência (900 mil espectadores), o que trouxe Elvis de volta aos mais ouvidos e vendidos do mundo entre os mais jovens e levou à produção do especial Elvis All Star Tribute pela NBC-TV. O documentário chegou ao DVD/Blu-Ray em agosto de 2018.


TRILHA SONORA

Para promover a atração, a RCA e Sony Legacy produziram um CD simples e um LP duplo, ambos com 18 faixas que incluíam raras versões alternativas das músicas mais icônicas da carreira de Elvis. Lançado em 6 de abril de 2018, o CD alcançou o selo de Ouro no Reino Unido em 28 de dezembro daquele ano.

No mesmo dia, uma versão deluxe com três CDs e um livreto de 40 páginas foi colocada no mercado. As vendas mundiais em CD / download / LP ainda não lhe renderam a classificação de Ouro pela RIAA.






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terça-feira, 28 de abril de 2020

O Rei e o Presidente: Elvis & Nixon

ELVIS & NIXON (EUA, 2016)

Título brasileiro: Elvis & Nixon
Gravação:
2015
Lançamento:
22 de abril de 2016
Duração:
86min
Produtora:
Sony Pictures
Amazon Studios
Orçamento:
US$ 4 milhões
Arrecadação:
1,8 milhão
Elenco principal:
Michael Shannon
Kevin Spacey
Alex Pettyfer
Johnny Knoxville
Colin Hanks
Evan Peters
Tate Donovan
Sky Ferreira
Tracy Letts
Ahna O'Reilly
Ashley Benson
Dylan Penn
Joey Sagal
Geraldine Singer
Hanala Sagal
Poppy Delevingne
Trilha sonora:
---


Elvis & Nixon é um filme biográfico dirigido por Liza Johnson e estrelado por Michael Shannon como Elvis Presley e Kevin Spacey como o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon. O drama reencena a vida pessoal e profissional do Rei do Rock durante o final de 1970, quando foi de surpresa até a Casa Branca e requisitou uma visita ao presidente Nixon.

Desde a morte prematura de Elvis em 16 de agosto de 1977, produtoras cinematográficas demonstraram um súbito interesse em mostrar sua história. Vernon relutava em aceitar contratos para tal e Parker queria cobrar muito mais do que lhe seria devido pela consultoria que faria nessas produções, mas havia membros da família e da Máfia de Memphis dispostos a colaborar por valores menores. Com isso surgiram filmes como  "Elvis - O Filme", obra televisiva da ABC-TV em 1979, "Elvis and the Beauty Queen", produzido e exibido pela NBC-TV em 1981, "This is Elvis", a primeira produção cinematográfica sobre sua vida, "Elvis & Me", filme da ABC-TV baseado no livro homônimo de Priscilla e exibido em 1988, a série "Elvis - Good Rockin' Tonight" de 1990, também da ABC, o filme da NBC "Elvis and the Colonel - The Untold Story", de 1993, e a série "Elvis - The Early Years", da CBS em 2005.

Porém, nunca se havia tocado diretamente na história de Elvis e seu encontro com Richard Nixon de forma séria. Produções anteriores, como "Elvis Meets Nixon", de 1997, eram paródias que frequentemente zombavam de Elvis e seus motivos para visita o presidente, quando na realidade o cantor quis ir até ele com o que pensava ser uma legítima preocupação. Presley se opunha à cultura das drogas, ao movimento hippie, ao movimento estudantil, à atriz Jane Fonda por sua luta feminista e ao Partido dos Panteras Negras; ele queria que Nixon o admitisse como um agente secreto no Departamento de Narcóticos e Drogas Perigosas.

Dois dos principais assessores de Nixon, Dwight Chapin e Egil Krogh, marcaram uma reunião entre os homens para o dia 21 de dezembro de 1970. A princípio, Nixon ficou irritado com o que ele via como um golpe de relações públicas, mas ao longo da reunião descobriu que eles tinham muito em comum: ambos eram homens feitos por si mesmos que vieram de origens humildes e trabalharam duro por seu sucesso, e ambos se sentiam desvalorizados por uma cultura americana que não entendiam mais. Eles partiram com bons termos firmados e posaram juntos para uma foto icônica.

Elvis e Nixon se cumprimentam no Salão Oval da Casa Branca; 21 de dezembro de 1970

Inspirado por um quadro com a foto de Elvis e Nixon na casa do produtor  Cassian Elwes, irmão do ator Cary Elwes, o roteiro foi escrito por Joey Sagal, filho de Boris Sagal - diretor de um dos filmes de Elvis, "Girl Happy", de 1965 -, sua então esposa Hanala Sagal e Cary Elwes. Jerry Schilling, amigo de longa data de Elvis, foi chamado para supervisionar a veracidade da parte do cantor no roteiro, enquanto Bud Krogh, irmão de Egil Krogh, outro assessor do presidente, infame por seu envolvimento no caso Watergate, supervisionou a parte referente a Nixon. Egil ainda estava vivo (ele faleceu em 18 de janeiro de 2020) e ativo no mundo das palestras, mas não quis participar da produção. Bud utilizou como referência o livro de Egil "The Day Elvis Met Nixon".

Anunciado oficialmente em 5 de novembro de 2014, o filme entrou em pré-produção no mês seguinte. No elenco, os únicos grandes nomes seriam Kevin Spacey, cuja carreira cinematográfica se estende por mais de 30 anos, e Johnny Knoxville, famoso pela série de TV e filmes "Jackass". Outros atores, como Michael Shannon, só são conhecidos por pequenas participações como extras em filmes ou alguns papéis em séries de pouco sucesso. Joey Sagal era a primeira opção para viver Elvis, mas a produtora optou por Shannon e colocou Sagal no papel de Joe King, um dos mais famosos covers do Rei do Rock no início dos anos 1970. Quando a produção começou a ser filmada, Joey e Hanala haviam se separado, mas ela ainda assim ganhou um pequeno papel como a secretária de Dwight Chapin, um dos assessores de Nixon.

Kevin Spacey e Michael Shannon como Richard Nixon e Elvis

Embora ainda permanecesse com toques de comédia das versões anteriores, a produção deu um tom de maior seriedade ao momento histórico. Spacey e Shannon queriam fazer com que a trama fizesse jus às histórias de Elvis e Nixon, com Shannon até mesmo reclamando do exagero das cenas de caratê no Salão Oval. Mesmo assim, isso não bastou para que o filme falhasse miseravelmente em seu pré-lançamento no Tribeca Film Festival em 18 de abril de 2016 e gerou dúvidas sobre a exibição a nível mundial que ocorreria quatro dias depois.

Em sua estreia nos cinemas dos EUA em 22 de abril de 2016, a produção teve uma das piores recepções de um trabalho relacionado a Elvis. No resto do mundo houve o mesmo problema, inclusive no lançamento nos cinemas brasileiros, em 16 de junho daquele ano. A trama não conseguiu arrecadar nem metade de seu orçamento e tornou-se um pesadelo para a Sony. O filme foi colocado na plataforma Amazon Video logo em seguida e timidamente lançado em Blu-Ray no início de 2017. A produção não recebeu qualquer tipo de disco de trilha sonora.
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quarta-feira, 18 de março de 2020

Reunião Familiar: Elvis By the Presleys

ELVIS BY THE PRESLEYS (EUA, 2005)

Título brasileiro: Elvis by the Presleys
Gravação:
Fevereiro de 2005
Lançamento:
13 de maio de 2005 (TV)
16 de agosto de 2007 (DVD)
Duração:
90min (TV, EUA)
270min (DVD, mundial)
Produtora:
EPE / CBS-TV
Orçamento:
---
Arrecadação:
---
Elenco principal:
Elvis Presley
Lisa Marie Presley
Riley Keogh
Patsy Presley Geranen
Jerry Schilling
Joe Esposito
Tom Parker
Ed Parker
Priscilla Beaulieu
Trilha sonora:
"Elvis by the Presleys" (CD)
(3 de maio de 2005)








Elvis by the Presleys é um documentário televisivo de 2005 dirigido por Rob Klug utilizado para promover o livro homônimo escrito por David Ritz e lançada em 3 de maio de 2005. A produção da EPE em parceria com a CBS-TV analisa a vida de Elvis Presley e os acontecimentos que o levaram á fama e a sua derrocada final.

Desde a morte prematura de Elvis em 16 de agosto de 1977, vários filme e documentários foram produzidos sobre sua vida e as pessoas que viviam a seu redor. "Elvis", de 1979, e "This Is Elvis", de 1981, talvez sejam os melhores exemplos de fidelidade para com sua história, bem como o documentário intimista "Elvis & Me", de 1988, embora este mostre as coisas do ponto de vista apenas de Priscilla Beaulieu. Mas sem dúvida, o documentário que mais reuniu membros de sua família, amigos e colegas de trabalho para recontar os passos de Elvis foi "Elvis by the Presleys", o qual traz Lisa Marie e sua filha Riley Keogh envolvidas pela primeira vez.

A produção foi filmada em fevereiro de 2005 em Graceland e arredores. Entre entrevistas intimistas, o documentário mostrou imagens amadoras até então inéditas e outras nunca antes vistas com qualidade tão boa, além de trazer áudios também raros de gravações caseiras e shows. Algumas músicas foram reeditadas para acrescentar ou remover trechos, efeitos ou instrumentos, mas a maioria das que se ouve são gravações originais de Elvis.

Em seu lançamento na TV, em 13 de maio de 2005, a produção bateu recordes inéditos de audiência para um programa do tipo. Durante duas horas daquela noite, a CBS-TV se manteve em primeiro lugar no território continental dos EUA. O documentário foi lançado em DVD duplo em 16 de agosto de 2007 contando com uma nova versão sem cortes de 270 minutos, a qual trazia ainda mais imagens inéditas até então.


TRILHA SONORA

A trilha sonora da produção chegou ao mercado em 3 de maio de 2005. O CD duplo trazia todas as músicas ouvidas na versão de TV do documentário, com edições e remixagens quase imperceptíveis nas faixas já conhecidas e um número de gravações caseiras que até então eram inéditas. Além disso, o trabalho também incluía faixas que só seriam vistas e ouvidas no lançamento do DVD duplo do documentário em 2007.

FTD nunca retrabalhou o álbum por conter apenas gravações pertinentes a outros discos.







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segunda-feira, 16 de março de 2020

Reconstruindo o Rei: Elvis - The Early Years

ELVIS - THE EARLY YEARS (EUA, 2005)

Título brasileiro: Elvis - O Início de uma Lenda
Gravação:
2005
Lançamento:
8 de maio de 2005
Duração:
173min
Produtora:
CBS-TV
Orçamento:
US$ 10 milhões
Arrecadação:
---
Elenco principal:
Jonathan Rhys Meyers
Rose McGowan
Randy Quaid
Camryn Manheim
Robert Patrick
Tim Guinee
Jack Noseworthy
Antonia Bernath
Stuart Greer
Clay Steakley
Mark Adam
John Boyd West
Randy McDowell
Jill Jane Clements
Trilha sonora:
---





Elvis - The Early Years, também conhecida apenas como "Elvis", é uma minissérie biográfica dirigida por James Steven Sadwith e estrelada por Jonathan Rhys Meyers como Elvis Presley. O drama reencena a vida pessoal e profissional do Rei do Rock durante seus primeiros anos de estrelato até a fama mundial, entre 1953 e 1968.

Desde a morte prematura de Elvis em 16 de agosto de 1977, produtoras cinematográficas demonstraram um súbito interesse em mostrar sua história. Vernon relutava em aceitar contratos para tal e Parker queria cobrar muito mais do que lhe seria devido pela consultoria que faria nessas produções, mas havia membros da família e da Máfia de Memphis dispostos a colaborar por valores menores. Com isso surgiram filmes como  "Elvis - O Filme", obra televisiva da ABC-TV em 1979, "Elvis and the Beauty Queen", produzido e exibido pela NBC-TV em 1981, "This is Elvis", a primeira produção cinematográfica sobre sua vida, e "Elvis & Me", filme da ABC-TV baseado no livro homônimo de Priscilla e exibido em 1988.

Porém, nunca se havia pensado em transformar a vida de Elvis em uma série de televisão até que os executivos da ABC, após verem o pequeno sucesso da transmissão de "Elvis & Me", decidiram que seria uma boa ideia trazer o cantor para a modernidade dos anos 1980/1990 e retirar a visão que os mais jovens tinham de um "cara vestindo macacões espalhafatosos em Vegas nos anos 1970". Depois de rápidas conversas, Priscilla Beaulieu assumiu a produção executiva da trama, através da Navarone Productions (produtora de Priscilla), com financiamento parcial da EPE. "Elvis - Good Rockin' Tonight" estreou em 11 de fevereiro de 1990 e foi cancelada após apenas dez episódios devido á baixa audiência. Em 1993, "Elvis and the Colonel - The Untold Story" foi a última adaptação televisiva ou cinematográfica sobre a vida de Elvis.

Jonathan Rhys Meyers como Elvis

Apesar de ter sido um fracasso em audiência, o roteiro de "Elvis - Good Rockin' Tonight" era bem maior, abrangia mais anos da vida do cantor e tinha potencial se tivesse sido filmado corretamente. Pensando nisso e como uma forma de promoção ao documentário "Elvis by the Presleys" que seria exibido pela CBS-TV em 13 de maio de 2005, a rede de TV comprou o roteiro e encomendou uma minissérie em dois capítulos para ser exibida na mesma semana em que o documentário iria ao ar. Uma das condições dos detentores do roteiro era que ele fosse filmado completo, mesmo que com edições necessárias, o que foi cumprido pela emissora.

Após a notícia do início da busca pelo ator perfeito para viver Elvis, 300 fãs do Rei do Rock se apresentaram à CBS para testes. Mesmo assim, Jonathan Rhys Meyers, que não havia comparecido a audições, foi escolhido. No elenco, foram unanimidades Robert Patrick como Vernon, Rose McGowan como Ann-Margret e Camryn Manheim como Gladys. Para viver Red West, seu filho John Boyd West foi chamado. O Coronel Parker seria vivido por Randy Quaid, que à época estava com sérios problemas financeiros. Acabando com uma tradição, a CBS utilizou, com licença da EPE, as gravações originais de Elvis ao invés de chamar Ronnie McDowell para ser a voz do Rei do Rock durante cenas musicais.

Robert Patrick, Jonathan Rhys Meyers e Camryn Manheim como Vernon, Elvis e Gladys

Sem os contratempos da primeira adaptação, o roteiro foi editado e filmado rapidamente no início de 2005. Exibida em duas partes em 8 e 11 de de maio de 2005, a trama teve mais sucesso do que esperado. Além de uma audiência astronômica, a série ganhou três Satellite Awards (Melhor Série ou Filme para Televisão, Melhor Ator para Jonathan Rhys Meyers e Melhor Ator Coadjuvante para Randy Quaid) e um Golden Globe (Melhor Ator para Jonathan Rhys Meyers).

Jonathan Rhys Meyers e Rose McGowan como Elvis e Ann-Margret em 1963

Com duração total de 173 minutos, a minissérie foi lançada em DVD em 16 de agosto de 2007. A produção não recebeu versão em Blu-Ray ou qualquer tipo de disco de trilha sonora.
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Celebrando o Retorno do Rei: Elvis All Star Tribute

ELVIS ALL STAR TRIBUTE (EUA, 2019)

Título brasileiro:
Elvis All Star Tribute
Gravação:
Outubro de 2018
Lançamento:
17 de fevereiro de 2019
Duração:
85min (mundial)
Produtora:
NBC-TV
Orçamento:
---
Arrecadação:
---
Elenco principal:
Elvis Presley
Lisa Marie Presley
Priscilla Beaulieu
Mac Davis
Blake Shelton
Ed Sheeran
John Legend
Jennifer Lopez
Shawn Mendes
John Fogerty
Adam Lambert
Josh Groban
Post Malone
Keith Urban
Yolanda Adams
Carrie Underwood
Trilha sonora:
"The Best of the '68 Comeback Special" (CD)
(15 de fevereiro de 2019)

Elvis All Star Tribute é um programa de TV de 2019 que traz diversas estrelas da música atual fazendo homenagem a Elvis e a seu triunfal retorno aos palcos no '68 Comeback Special. Em meio a clipes do Rei do Rock e entrevistas, os artistas fazem covers das músicas mais famosas do cantor no mesmo estúdio em que Elvis revolucionara a música e a televisão 50 anos antes.

Em meados de 2018, fãs de Elvis ao redor do mundo já comemoravam o quinquagésimo aniversário do '68 Comeback Special e esperavam grandes homenagens pelo feito que é lembrado até hoje por sua importância cultural, as mudanças que causou no entretenimento desde então e, graças a Elvis, a invenção das apresentações acústicas. As gravadoras detentoras dos direitos sobre a discografia do Rei do Rock estavam atentas a isso e começaram a planejar lançamentos de materiais que, de uma forma ou de outra, ainda não haviam sido vendidos oficialmente ou todos juntos em um único trabalho.

Existiram muitos bootlegs das apresentações desde 1978 até 1999, quando a FTD assumiu a responsabilidade de trazer tais conteúdos antes lançados com áudio ruim ou retirados de fontes danificadas para o público de forma oficial. Ao longo dos próximos vinte anos, a gravadora faria lançamentos periódicos dos shows com plateia, das gravações dos números musicais e do próprio programa completo, mas nunca traria todo o conteúdo disponível, inclusive ensaios, em um único trabalho. Isso, por incrível que pareça, só foi feito de forma oficial pela RCA/Sony/BMG para o aniversário de 50 anos do programa, em um box com 5 CDs e 2 DVDs vendido em 30 de novembro de 2018.

Box do '68 Comeback Special de 2018

O box certamente seria um sucesso de vendas - e foi - entre os fãs, mas ainda faltava trazer Elvis para os olhos do público em geral. Pensando nisso, os executivos da NBC-TV tiveram a ideia de recriar o cenário do programa de 1968 e reunir alguns dos mais famosos artistas da atualidade para interpretar as músicas que fizeram de Elvis o Rei do Rock. Do campo Pop / Pop RockEd Sheeran, John Legend, Jennifer Lopez, Shawn Mendes, Adam Lambert, Josh Groban, Darius Rucker, Keith Urban e Carrie Underwood; do Country, os grupos Little Big Town e Pistol Annies, Kelsea Ballerini, Dierks Bentley, Alessia Cara e Blake Shelton, que também apresentaria a atração; do Rap, Post Malone; do Gospel, Yolanda Adams; da música dos tempos de Elvis, John Fogerty.


Em um programa como esse, obviamente não poderiam faltar aquelas pessoas que estavam lá naquele momento mágico de 1968, alguns amigos e familiares do cantor. Era imprescindível uma pequena entrevista com a ex-esposa de Elvis, Priscilla Beaulieu, para que ela desse seu ponto de vista daquela ocasião. Mac Davis, que escrevera, entre outras tantas, a música "Memories" especialmente para o cantor e Steve Binder, o diretor do programa original, eram também peças que não podiam ficar de fora da comemoração. Mas quem realmente não podia faltar era o tesouro de Elvis, seu bem mais precioso, sua filha Lisa Marie. Uma de suas netas, Riley Keogh, também estaria presente.

Familiares e amigos de Elvis deram depoimentos e entrevistas para o programa. Da esquerda para a direita:
CIMA - Lisa Marie e Riley Keogh; BAIXO: Steve Binder, Mac Davis e Priscilla Beaulieu.

Gravado em outubro de 2018, o programa tinha uma ideia tão simples quanto a do original: colocar os artistas no centro dos holofotes, em um espaço íntimo e sem muita poluição visual. Para isso, a NBC utilizou um estúdio da Universal Pictures em Hollywood e reproduziu o característico palco em forma de ringue que se tornara icônico. De fato, durante sua entrevista para a atração, Steve Binder revelou que aquilo era realmente "apenas um ringue sem as cordas" e que a tática era mostrar Elvis como um boxeador invicto que retornara às lutas após um breve descanso.

A música da abertura do especial de 1968, o medley "Trouble/Guitar Man", foi, logicamente, a primeira a aparecer em uma versão intercalada com a rendição de Blake Shelton. Na sequência, Shawn Mendes faz uma releitura de "Hound Dog" e Keith Urban canta uma "Burning Love" quase totalmente fiel ao hit original de 1972. Em seguida, o rapper Post Malone se une a Urban para uma rendição fantástica de "Baby, What You Want Me to Do", que fora filmada durante os shows para o '68 Comeback Special mas não incluída na transmissão original. John Fogerty e Ed Sheeran dão continuidade ao programa com os clássicos "Jailhouse Rock" e "Can't Help Falling In Love", respectivamente. A primeira sequência de hits é terminada pela rendição romântica country de "Always On My Mind" feita por Kelsea Ballerini.

 O primeiro trecho da entrevista com Priscilla Beaulieu é exibido logo após o intervalo. Ela relembra a sensação e ver Elvis se apresentar ao vivo: "Eu nunca tinha visto Elvis se apresentar ao vivo. O especial de 1968 foi a primeira vez que eu o vi e me senti nervosa por ele, mas também fiquei cativada por vê-lo revelar como ele era como artista. Vendo-o de forma realmente bruta em um lugar íntimo, eu... Eu entendi! Eu disse: 'Ah, meu Deus, isso é realmente inacreditável!'" Na continuação, Jennifer Lopez rende "Heartbreak Hotel" de maneira extremamente sensual usando uma jumpsuit com lantejoulas e fazendo movimentos pélvicos que fariam inveja até mesmo ao próprio Elvis.

Jennifer Lopez durante sua rendição extremamente sensual de "Heartbreak Hotel"

Steve Binder aparece dando sua primeira explicação sobre o especial: "O cenário não era mais do que um ringue de boxe sem as cordas. Eu disse a Elvis: 'Não se preocupe com onde estão as câmeras.' E como resultado disso, ele parecia com um animal enjaulado ali, totalmente livre. Quanto mais ele cantava, mais confiança em si mesmo ele ganhava e mais a plateia o amava." O astro Darius Rucker, fundador da banda Hootie & The Blowfish em 1986, dá sequência aos covers com "One Night" e Blake Shelton interpreta uma excelente versão de "Suspicious Minds". Depois de um novo depoimento de Priscilla, onde ela fala sobre ter visto Elvis pela primeira vez no filme "Love Me Tender" de 1956, Alessia Cara rende a clássica canção-título no mesmo estilo da gravação original.

A próxima atração é o cantor e compositor Mac Davis, que escreveu várias canções para Elvis. Antes de interpretar a espetacular "Memories" com a letra completa (a versão ouvida no programa tem apenas três estrofes), Davis conta que foi à mansão do cantor em Bel Air no final de fevereiro de 1968 e teve a honra de pegar Lisa Marie no colo. John Legend entra em seguida e faz uma versão moderna de outro clássico de Davis, "A Little Less Conversation", que Elvis gravara para o filme "Live a Little, Love a Little" de 1968 e que Mac havia escrito com Aretha Franklin em mente. Após, a versão bluegrass de "Are You Lonesome Tonight", rendida pelo grupo Little Big Town, é seguida pela fantástica interpretação de "Blue Suede Shoes" por Adam Lambert, vocalista do Queen., e o trio vocal Pistol Annies traz mais uma versão bluegrass, dessa vez de "Love Me".

No retorno do intervalo, Steve Binder explica: "Eu tenho que creditar o próprio Elvis Presley pelas sessões acústicas. Ele veio até mim assim que chegou à NBC e disse: 'Steve, não quero ir e voltar de Beverly Hills correndo, quero morar na NBC. Você acha que é possível colocar uma cama no meu camarim, para eu poder viver aqui?' E a mágica acontecia quando, depois de termos ensaiado ou de ele ter filmado um segmento, ele ia para seu camarim/quarto e fazia jams pelo resto da noite com quem estivesse lá. E eu disse: "Isso é melhor do que todos os grandes números da produção, preciso filmar isso.'" O que se segue é uma reunião de todos os artistas do programa, onde eles fazer uma jam session própria seguindo sugestões um do outro e interpretam "That's All Right", "Blue Suede Shoes" e "Don't Be Cruel" de maneira informal.

As estrelas do programa fazem uma jam session divertida

Na sequência ocorre o momento mais emocionante da homenagem. Depois de Priscilla comentar que Elvis ficava em outro mundo quando ouvia ou interpretava canções Gospel, Lisa Marie aparece oficialmente na mídia após longos meses de batalhas judiciais e contra seus vícios para falar de seu pai e o amor que ele tinha por aquele gênero. A seguir, no mesmo cenário do medley Gospel do '68 Comeback Special, Carrie Underwood e Yolanda Adams interpretam as três músicas religiosas mais amadas pelo Rei do Rock: "How Great Thou Art", "He Touched Me" e "You'll Never Walk Alone". Na sequência, a neta de Elvis, Riley Keogh, apresenta Dierks Bentley e sua versão de "Little Sister". Para continuar no mesmo período, Josh Groban usa sua voz para render a clássica "It's Now or Never".

No último bloco do programa Steve Binder e Priscilla Beaulieu conversam sobre "If I Can Dream", a poderosa música que encerrou o especial de 1968 e faria o mesmo neste. Binder relata algo ainda desconhecido para muitos: "Quando a gravamos, foi a primeira vez que alguém ouvia aquela música, exceto por Elvis. E ele se deitou no chão de concreto e cantou 'If I Can Dream'. Aquilo me deu calafrios enormes. Não acho que ele seria capaz de cantá-la novamente após o especial de 1968. Acho que ele queria que ela fosse realmente especial." Finalizando a atração, a versão original de Elvis é intercalada pela rendição de alguns dos artistas presentes na homenagem.


TRILHA SONORA

A trilha sonora do programa foi lançada pela Sony Legacy em 15 de fevereiro de 2019. O CD contém 15 faixas cantadas por Elvis no '68 Comeback Special acompanhadas de 3 singles representando as músicas executadas no especial de 2019 que não fazem parte do programa original e da rendição de "If I Can Dream" com Elvis, Blake Shelton, Carrie Underwood, Post Malone, Shawn Mendes e Darius Rucker.









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