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quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Entrevista com Marty Lacker

Billy Smith (E), Elvis e Marty Lacker em viagem
entre Hollywood e Memphis; circa 1960
Marty Lacker foi colega de escola de Elvis em 1953, embora sua ligação com o futuro cantor fosse apenas feita pelo fato de que tanto ele quanto Elvis usavam roupas diferentes, coloridas e chamativas, o que os tornava alvos perfeitos para os bullies de plantão.

Lacker presenciou de longe a chegada de Elvis ao estrelato em 1954 e até foi a alguns de seus shows. Em 1957, antes de ir para o Exército, Marty visitou o amigo distante em Graceland e ao retornar, em 1961, nunca mais saiu de lá. Por seis anos ele foi a mão direita de Elvis.

No fim de 1967, Lacker abriu sua própria gravadora em Memphis e lançou Rita Coolidge ao estrelato. Dois anos depois, quando Elvis fez seu retorno ao cenário musical, ele era um dos diretores do American Sound Studio, onde  o Rei do Rock gravou sucessos memoráveis como "Suspicious Minds", "Kentucky Rain" e "In the Ghetto", entre outros. Mesmo sem fazer parte oficial da Máfia de Memphis, Marty Lacker acompanhou Elvis quase que diariamente até 1976, comparecendo a shows em Vegas e diversas outras cidades.

Em 2005, durante o lançamento do livro "Elvis and the Memphis Mafia", escrito por Alanna Nash a partir de histórias contadas por Lacker, Billy Smith e Lamar Fike, Marty cedeu uma entrevista ao Elvis InfoNet. A mesma está traduzida na íntegra abaixo.

OBS.: Algumas frases foram reorganizadas para uma melhor compreensão textual.

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VIDA ATUAL

EIN: O que Marty Lacker está fazendo em 2005?

ML: Eu estou basicamente aposentado agora, mas ainda faço alguma consultoria de entretenimento de vez em quando.

EIN: Você está envolvido em algum projeto relacionado a Elvis?

ML: Nosso livro "Elvis and the Memphis Mafia" acaba de ser lançado no Reino Unido e na Austrália, e será lançado nos EUA nesta primavera. Estou também envolvido em dois outros projetos que não posso revelar neste momento. Mas eu sei que eles serão uma boa surpresa para os fãs.

EIN: Você conhecia Elvis no Ensino Médio, mas você não foi trabalhar para ele até mais tarde. Quando você começou a trabalhar para ele e o que, em particular, convenceu Elvis a pedir para você participar?

ML: Embora eu estivesse andando com ele e os caras em 1957, eu não fui trabalhar para ele até 1961. Durante esse tempo eu também estava no rádio como diretor de programa e DJ. Elvis sempre tomou seu tempo antes de pedir a alguém para trabalhar para ele. Você tinha que ganhar sua confiança.

EIN: Você teve então um papel fundamental na Máfia de Memphis. Conte-nos sobre isso.

ML: Bem, ele se sentia confortável comigo e sabia que podia confiar em mim e, em alguns casos, eu falava diretamente com ele sobre coisas que via e que eram ditas. Depois de alguns anos, ele e Esposito tiveram uma briga no caminho de volta de Hollywood para Memphis. Joe então parou de trabalhar para Elvis e ele me pediu para tomar o lugar de Joe como o que chamamos de Foreman. Seu braço direito. Eu permaneci nessa posição até um par de meses antes de me afastar.

EIN: Uma questão bem documentada é a pressão que estava sobre os casamentos e relacionamentos pessoais dos membros da Máfia de Memphis, devido ao estilo de vida que vocês levavam e as tentações em oferta. Como essas pressões afetaram você e seu casamento?

ML: Era difícil às vezes, mas não sempre, porque Elvis esperava que estivéssemos lá para ele durante 7 dias por semana e a todas as horas do dia ou noite. Minha esposa e eu permanecemos casados ​​por 31 anos e tivemos três crianças que são ótimos adultos agora. Nos separamos em 1990, mas ainda somos amigos próximos.


Marty foi um dos padrinhos no casamento de
Elvis e Priscilla; 1 de maio de 1967
EIN: Sendo parte da Máfia de Memphis, você conheceu algumas pessoas muito famosas e interessantes. Quem são seus favoritos?

ML: Já mencionei isso antes para outras pessoas, as celebridades não me impressionam, nunca. Pessoas agradáveis ​​me impressionam. Alguns, mas não todos, são Ann-Margret, Sydney Poitier, Dionne Warwick, BB King, Bill Medley, Dusty Springfield, Sammy Davis Jr., Neil Diamond, Paul McCartney e John Lennon.

EIN: Quem possui os direitos da fascinante série de vídeos "All The King's Men"? Existem planos para lançá-los em DVD?

ML: Há uma pessoa aqui na área de Memphis que agora é dona deles, mas estaremos participando de seu novo lançamento e dos novos volumes. Há muitas filmagens que ainda não foram usadas. Eles serão lançados em DVD no futuro próximo.


EIN: Houve momentos muito emocionantes no programa. Como foi reunir-se para relembrar em profundidade?

ML: Foi ótimo, mas nós cinco sempre estivemos perto um do outro, falamos uma vez por semana. Foi bom relembrar.



SOBRE ELVIS

EIN: Você conheceu Elvis no colégio. Quais são as melhores lembranças daquela época?

ML: Que ele era basicamente um solitário. Ele tinha um par de amigos com quem andava, mas era isso.

EIN: Acredito que você foi à East Trigg Baptist Church com Elvis. Como eram eles, e era estranho serem os "meninos brancos nos fundos" em uma era tão segregada?

ML: Na verdade eu não fui com Elvis, fui com um casal de amigos, mas aconteceu de Elvis estar lá ao mesmo tempo, que era geralmente nas noites de domingo. Ele e nós íamos basicamente escutar o coro Gospel. Nunca nos sentamos na parte de trás, sentamos lado a lado com os negros.


EIN: Era estranho na época que dois adolescentes em Memphis estivessem tão interessados ​​na música Gospel negra?

ML: Até certo ponto, sim. O que é ainda mais estranho é que meus dois amigos e eu éramos judeus. Não importava o que você fosse, se aquela música não o movesse então você devia estar morto.

EIN: Historiadores muitas vezes apontam Dean Martin e outros crooners brancos como sendo uma grande influência musical para Elvis. Naqueles primeiros dias Elvis estava realmente cantando baladas pop ou você sentiu que suas influências eram mais o R&B dos negros da Beale Street?

ML: Foi definitivamente mais o R&B e é um mito a chamada influência pesada que Dean Martin teria para Elvis. Ele gostava de Dean e gostava de algumas de suas canções, mas não era sua influência.

EIN: Você alguma vez foi explorar a Beale Street e os clubes negros com Elvis?

ML: Não, eu não. Quando ele fazia isso eu estava no exército na Alemanha.

EIN: Você teve sua própria carreira na rádio WHHM, como diretor de estação em Knoxville e também na WHBQ. Você se arrepende de desistir desse lado de sua carreira nos anos sessenta?

ML: Eu gostava e era bastante bem sucedido, mas Elvis me pedindo para trabalhar para ele era difícil de recusar.

Elvis e a Máfia em Hollywood, 1965
EIN: Você estava envolvido com Elvis na escolha de músicas da pilha de demos? 

ML: Sim, eu estava. Eu também trouxe a Elvis algumas canções, especialmente na década de 1970.

EIN: Você acha que o acordo com Hill & Range e com os Aberachs são responsáveis pelo terrível período dos anos sessenta ou Elvis devia ter feito um protesto?

ML: Elvis deveria ter feito um protesto, o que ele basicamente fez depois que conversei com ele durante as sessões de Memphis, mas Hill & Range e Parker merecem grande parte da culpa pelas merdas que ele gravou em meados dos anos 1960.

EIN: Ele reclamou com você sobre a péssima qualidade das canções dos filmes?

ML: Sim, ele reclamava, mas infelizmente ele escolheu não fazer nada sobre isso.

EIN: Por que você não foi à Alemanha com os outros caras, foi por causa de sua carreira? Olhando para trás, você gostaria de ter ido?

ML: Não, eu não me arrependo porque fiquei lá 18 meses e saí um ano antes de ele entrar no Exército. Eu também estava ocupado no rádio na época.


EIN: Quem era Elvis Aaron Presley?

ML: Quem?

EIN: Marty, por que Elvis? O que fez dele um ícone tão duradouro?

ML: Elvis tinha tudo o que eles chamam de carisma, mas mais do que isso, ele apareceu quando o mundo estava pronto para uma mudança de cultura, especialmente os jovens. Ele mudou a cultura do mundo e as pessoas apenas se apaixonaram por ele. Além disso, ele era bom para as pessoas que conheceu, uma vez que a maioria delas eram agradáveis ​​com ele, e as pessoas apreciavam o fato de que ele não tinha mania de estrela.

EIN: Elvis era um indivíduo cheio de contradições e camadas de complexidade. Parecia que ele sofria de contínuas tensões internas, algumas das quais provavelmente contribuíram para sua morte precoce. Qual é a sua opinião?

ML: Isso é verdade. Ele era uma contradição viva, havia dois lados para Elvis. Os fãs só viram um deles. Ele era um ser humano como o resto de nós. Teve problemas, fortuna, falhas e grandes atributos. Alguns fãs tendem a esquecer disso ou não querem saber, mas isso é injusto para Elvis e sua memória.

EIN: Hoje em dia as pessoas são freqüentemente diagnosticadas com transtorno depressivo bipolar. Alguns sintomas são dificuldade para dormir, ser impulsivo, ter temperamento explosivo, ser excessivamente emocional, às vezes moroso, ficar facilmente distraído, má concentração às vezes. Estes sintomas soam como a descrição da pessoa de Elvis. Você acha que ele era bipolar?

ML: Eu não sou um médico, mas ele sofreu de tudo isso às vezes. Mas sofremos todos.

EIN: Se Elvis era bipolar, para piorar esses sintomas também eram os principais efeitos colaterais das anfetaminas. Você acha que Elvis mesmo notou esses sintomas, e quando você realmente o viu piorar?

ML: As anfetaminas foram usadas na década de 1960 e nos anos 1970, era algo diferente. Elvis pensou que tinha controle sobre elas, mas eu acho que no fundo ele sabia que estava se enganando.

EIN: No livro "Elvis Aron Presley: Revelations from the Memphis Mafia" você comenta que discutiu a mudança na personalidade de Elvis quando ele chegou aos 30 anos. O que estava acontecendo?

ML: Nós todos discutíamos entre nós, porque a sua ingestão foi aumentando e nós vimos isso lentamente afetá-lo. Não entenda mal, porém, na maioria das vezes ele estava bem.

EIN: Muito tem sido falado do advento do gravador de vídeo Sony em meados dos anos 1960 e do uso ávido que Elvis fazia dele. O que você pode nos dizer sobre esses infames vídeos caseiros envolvendo um número de participantes do sexo feminino?

ML: Vamos apenas dizer que ele colocou a máquina para um bom uso na década de 1960. Eu obtive um dos primeiros gravadores Viseo rolo a rolo para Elvis na Califórnia, enquanto nós estávamos fazendo Tickle Me.

EIN: Certamente estes relatos são mais sensacionalistas do que qualquer coisa, não? Quando você pensa em Paris Hilton, Pamela Lee Anderson e todos os outros que ganharam com câmeras de vídeo, devemos nos importar com o que Elvis fez na época?

ML: Realmente, não.

EIN: Elvis era o tipo de personalidade que passava por modas ou fases. Nos anos 1970 ele se tornou o "super policial". O que você mais lembra daquele tempo?

ML: Ele sempre quis ser policial ou espião, e ele comprava equipamentos usados pela lei e, em seguida, saía e obtinha distintivos reais de vários departamentos policiais no país.

EIN: Parece que Elvis assumiu uma persona do tipo "Shaft", que era tão popular na época, especialmente quando você vê aqueles casacos de couro que ele usava. Ele foi afetado pelos filmes que ele amava assistir?

ML: Não realmente. Ele só gostava das roupas dos filmes de blaxploitation, então ele ia para a Lansky Brothers na Beale Street e comprava algumas. Então, novamente, Elvis já usava roupas chamativas antes de se tornar famoso, quando ainda estava no colégio.

EIN: Em 1973 houve um incidente envolvendo Hamburger James e a perda de vários anéis de Elvis. A maioria dos fãs não vai estar familiarizado com James ou o incidente. Quem era ele e o que aconteceu?

ML: Seu nome é James Caughley e ele tinha o apelido de Hamburger James porque costumávamos deixá-lo entrar no Memphian Theatre durante as nossas noites assistindo filmes. Quando Elvis ficava com fome, ele queria hambúrgueres e James estava disposto a pegá-los. Então, quando Elvis estava pronto, um de nós gritava: "HAMBURGERS, JAMES!". Então ele iria buscá-los. Elvis sentiu pena dele mais tarde, porque era um pouco desajustado, e ofereceu-lhe um emprego. Elvis tinha algumas fotos pessoais de Priscilla e quando James saiu para voltar para Memphis, percebeu que elas haviam sumido. Elvis, Red e Sonny foram para o aeroporto de Las Vegas, puxaram James para fora do avião e descobriram não só as fotos, mas também dois dos anéis de Elvis. James foi instruído a nunca mais voltar.


Elvis, Priscilla, Red West, Charlie Hodge e Marty Lacker no jantar de entrega dos Jaycees, 1971

EIN: Em seu livro "The Colonel", Alanna Nash revelou que na década de 1970 os bilionários sauditas ofereceram ao Coronel inicialmente US$ 5 milhões, depois aumentando a oferta para US$ 10 milhões, para Elvis montar um concerto em frente às Pirâmides no Egito. O pensamento de tal concerto é inimaginável. Você estava ciente disto ... Elvis estava ciente disso, e se sim, qual foi sua reação?

ML: Sim, eu estava ciente disso. Elvis tinha me mostrado um folheto que eles lhe enviaram, com as Pirâmides onde o show deveria acontecer. Ele queria fazê-lo, mas Parker liquidou a ideia.

EIN: O fato de que Elvis não fez uma turnê no exterior parece um grande desapontamento. Certamente este era um desafio que poderia ter aparecido para ele? Outros dentro da Máfia de Memphis não culpam o Coronel, mas dizem que Elvis não poderia ir por causa do problema em carregar os "suprimentos de drogas" necessários. Isso parece uma declaração ridícula, porque desde quando "A Estrela" transporta seus suprimentos? O Dr. Nick poderia ter ido junto e tudo estaria bem. Então a culpa está inteiramente com o Coronel, o que você acha?

ML: Foi o Coronel Parker. Não sabíamos que ele era um imigrante ilegal até Elvis morrer. Essa desculpa foi feita por Parker e Esposito o apoiou. Elvis queria se apresentar no exterior, acho que ele ainda estaria vivo se o fizesse. Parker nunca foi uma das minhas pessoas favoritas.

EIN: Elvis sempre foi muito protetor de suas opiniões políticas. Ele tinha alguma afiliação política ou inclinação?

ML: Sim, ele tinha, mas ele gostava do presidente, independente do partido em que estivessem.

EIN: Elvis sentiu fortemente a morte de Martin Luther King em sua própria Memphis?

ML: Ele ficou muito triste com isso.

EIN: Depois de todas aquelas canções não-políticas, "In The Ghetto" certamente soa como uma declaração definitiva de Elvis?

ML: Foi uma boa canção com mensagem. Mas ele quase não a gravou por causa de Parker, que não gostava de músicas do tipo. Mas Chips Moman e eu o convencemos a gravá-la.

EIN: O declínio de Elvis. Nos últimos anos de sua vida houve vários esforços para desintoxicar Elvis. Você pode nos contar sobre eles e quão bem sucedidos eles foram?

ML: Ele foi internado no Memphis Baptist Hospital um número de vezes. Ele ficava bem no hospital, mas não demorava muito tempo até ele sair de lá e começar a tomar os comprimidos novamente.

EIN: Há a história de Larry Geller sobre o Coronel ver Elvis semiconsciente em seu quarto de hotel antes de um concerto, e dizer: "Agora você me ouça. A única coisa que importa é que esse homem esteja no palco esta noite! Nada mais importa." O Coronel não deveria ter feito algo mais positivo?

ML: Deveria, mas Parker só estava interessado em uma coisa - $$$$$$$$.

EIN: O que você acha que seria necessário, "criativamente", para prolongar a vida de Elvis?

ML: Fazer turnês internacionais, ir a lugares diferentes neste país e não fazer tantas turnês todos os anos.

EIN: "Salvar Elvis de si mesmo era uma tarefa impossível" parece ser uma frase muito repetida pela maioria das pessoas que conheciam Elvis. Como você responde a esta declaração, e alguém tomou uma posição para tentar salvá-lo (como Red West sugeriu ter feito) ?

ML: É fácil para pessoas que não passaram algum tempo com Elvis e nós todos os dias dizerem coisas dessa natureza, mas elas realmente não sabem o que estão falando. Elas dizem coisas assim porque acham que isso os faz parecer bons. Eles realmente não sabiam como Elvis era cabeça-dura. Legalmente falando, nenhum de nós poderia interná-lo. Claro que poderíamos ter dominado ele, levado a um hospital - não havia centros de reabilitação naquela época, mas então quando ele acordasse poderia colocar suas roupas, sair e eles não poderiam segurá-lo. As duas pessoas que legalmente poderia tê-lo internado eram seu pai e Priscilla, quando era casada com ele, mas nenhum dos dois sequer falava sobre isso.

EIN: Podem os amigos e conhecidos realmente dizerem que não perceberam o quanto doente Elvis estava ficando, ou eles estavam apenas se enganando?

ML: Eu só sei de uma pessoa que conhecia Elvis e que ainda está se enganando, ele é uma piada. Todo mundo, eu acredito, falou sobre o problema das pílulas de Elvis.


Marty acompanha Elvis durante uma parada não programada para dar autógrafos nas ruas de Nashville,
em 25 de 
fevereiro de 1965, durante a gravação da trilha sonora de "Harum Scarum"

OS HOMENS NA VIDA DE ELVIS

EIN: Fale sobre Vernon. Como você se relacionava com ele?

ML: Nós nos entendíamos bem. Ele realmente não gostava de nenhum de nós lá, ele pensava que Elvis estava gastando muito dinheiro nos pagando, o que é uma piada por si só.

EIN: Ter Vernon, que nunca chegou a terminar a escola, como gerente de finanças de Elvis parece ridículo. Você acha que se Elvis tivesse melhores investimentos e conselhos, não teria que continuar trabalhando tão duro e poderia ter mais tempo para sua música e para ele mesmo?

ML: Essa foi uma parte infeliz da vida financeira de Elvis, mas ele fez isso para que seu pai se sentisse útil, e seu pai não ouvia nenhum de nós sobre investimentos.

EIN: Como você se relacionava com o Coronel?

ML: Eu não me relacionavas com ele. Eu nunca gostei dele ou confiei nele. Minha lealdade era para com Elvis e Parker não gostava disso, especialmente quando eu era Foreman.


EIN: Você leu o livro de Alanna Nash, "The Colonel"? O que você achou?

ML: Alanna é uma boa escritora e fez algumas ótimas pesquisas. É um bom livro.

EIN: O Coronel foi o melhor gerente de Elvis depois de meados dos anos 1960?

ML: Não. Ele era bom nos primeiros anos, mas não mudava com os tempos. Ele tratava Elvis como um show circense.

EIN: O Coronel precisava que Elvis continuasse trabalhando apenas para alimentar seu hábito de jogar?

ML: Elvis e alguns de nós pensávamos assim.

EIN: Parece que o Coronel sabia que Elvis estava brincando muito com drogas. Quando você acha que o Coronel percebeu que algo estava errado, e ele não deveria ter feito algo sobre isso enquanto podia?

ML: Ele sabia na década de 1960, e desconfiava nos anos 1970; e sim, ele deveria ter feito algo.

EIN: Você estava na noite de 3 de setembro de 1973, em Las Vegas, quando Elvis disse ao Coronel que ele fora demitido, e o que você se lembra disso?

ML: Não, eu não estava lá.

EIN: Você já ouviu o lançamento da FTD daquele show de encerramento da temporada?

ML: Não, não ouvi.

EIN: Quais são suas opiniões sobre as recentes alegações de Byron Raphael [ajudante de Parker] (publicadas na edição de novembro de 2005 da Playboy)?

ML: Byron Raphael tem uma grande imaginação. Ele trabalhava para o Coronel, não para Elvis, e na forma mais simples possível, suas alegações são besteiras.

EIN: Derek "Del" Johnson foi uma vez editor do influente jornal musical da Grã-Bretanha, o New Musical Express. Ele afirma ter sido muito amigo de Elvis e que Elvis certa vez lhe disse que havia acidentalmente matado um homem antes de se tornar famoso. Você conheceu Derek Johnson, e qual é a sua opinião sobre essa afirmação surpreendente?

ML: Nunca ouvi falar dele e isso também é besteira. Elvis não matou ninguém e, se o fez, com certeza não contaria a um estranho, especialmente alguém da mídia. Não consigo nem calcular quantas pessoas saíram por aí desde Elvis morreu com algum tipo de reivindicação. Eles esquecem que os caras (a Máfia de Memphis) ainda estão aqui para desmentir as coisas.


Elvis, Priscilla e seus padrinhos: Joe Esposito,
Charlie Hodge e Marty Lacker.; 1 de maio de 196
7
EIN: Quais são suas opiniões sobre o papel do Dr. Nick no declínio de Elvis e a dependência de medicamentos prescritos?

ML: Dr. Nick realmente se importava com Elvis, mas ele ficou preso em um estilo de vida que não deveria ter ficado, e isso o fez fazer coisas que não deveria. Ele é um bom homem e as pessoas têm sido muito duras com ele.


EIN: E quanto aos outros médicos, como Dr. Ghanem e Dr. Flash? Foram todos más influências?

ML: Na minha opinião, sim.

EIN: Em 1975, você e sua esposa Patsy se separaram, e você diz que foi por causa de seu "estilo de vida louco" e também um pouco alimentado pelo Dr. Nick? Isso fez você ficar ressentido? Você já o abordou pessoalmente sobre isso?


ML: Nós não nos separamos na época, só em 1990, e ela estava apenas frustrada com a coisa das pílulas, uma vez que eu estava quase tão viciado nelas quanto Elvis. Ela estava mais chateada comigo do que com Nick.

EIN: É verdade que Elvis lhe deu uma viagem de US$ 10.000 para o Havaí para tentar corrigir as coisas com Patsy? Isso soa muito generoso dele, sendo US$ 10.000 uma fortuna naqueles dias.

ML: Sim, ele deu. Ele fez o mesmo com Richard Davis e sua namorada.

EIN: Em "Elvis Aron Presley: Revelations from the Memphis Mafia" você se ofendeu com o seguinte comentário feito por Tom Jones: "Se Elvis tivesse mais alguns amigos ao redor ... ele não teria morrido tão cedo". E em um fórum de internet você também expressou uma série de fortes pontos de vista sobre outro comentário de Tom Jones, de que ele "poderia ter endireitado Elvis". Gostaríamos de seus comentários sobre ambas as questões.

ML: As observações de Tom podem ser respondidas pelo que eu disse anteriormente, sobre as pessoas falando da boca para fora, porque eles pensam que isso os faz parecer e soar bons. Elvis teria chutado o rabo de Tom para fora da porta se falasse com ele sobre suas pílulas.


EIN: Há um verdadeiro mito sobre o incidente com Robert Goulet na TV. Você poderia nos contar o que realmente aconteceu.

ML: Elvis abrigou alguns sentimentos ruins sobre Goulet no final dos anos 1950, quando ele estava no Exército. A namorada de Elvis, Anita Wood, era cantora e fez shows com Goulet e Buddy Hackett. Anita costumava escrever a Elvis na Alemanha e uma vez Goulet acrescentou um post scriptum a uma carta dizendo a Elvis de uma maneira infeliz que estava cuidando pessoalmente de Anita. Elvis não gostou e nunca esqueceu disso, e quando viu Goulet, ele atirou na TV.



A MÁFIA DE MEMPHIS


EIN: O que você mais aprecia em fazer parte da Máfia de Memphis?

ML: A irmandade que a maioria dos membros originais têm e o amor que temos uns pelos outros.

EIN: Como você caracterizaria o grupo?

ML: Diversificado, mas todos nós crescemos um com o outro e desenvolvemos alguns dos mesmos gostos e desgostos.

EIN: Joe Esposito às vezes é apontado como sendo o único membro também pago pelo Coronel, e que espionava todas as suas atividades. Isso é verdade? Você se ressentiu no momento?

ML: Elvis e alguns de nós pensávamos assim, ele era o favorito de Parker. Ressentir-se com ele? Não, eu me senti triste por ele ter se deixado levar.

EIN: Como sua relação de trabalho com o Coronel difere da de Esposito quando você era Foreman? O Coronel tentou lhe convencer a dar informação sobre Elvis,e o que ele estava fazendo?

ML: Uma das primeiras coisas que Parker me disse quando me tornei Foreman foi que eu deveria ligar para ele todos os dias e deixá-lo saber o que estava acontecendo, assim como Esposito fazia. Ignorei seu pedido, pois Elvis não queria que ele soubesse o que estava fazendo. Certa vez Parker reclamou com Elvis na minha frente, disse que eu não estava ligando para ele. Elvis olhou para mim com um brilho em seus olhos e para agradar Parker disse: "Marty, você precisa ligar para o Coronel." Eu disse ok. Então Parker saiu e Elvis me disse: "Se você ligar para ele, eu te mato." Nós dois rimos.


A base da Máfia de Memphis no casamento de George Klein; 28 de dezembro de 1970

EIN: Obviamente, em um grupo como a Máfia de Memphis, haverá algumas tensões temporárias e contínuas entre as pessoas. Elvis estava consciente dessas tensões, e como ele as tratava? Como vocês cuidavam delas?

ML: Se qualquer um de nós tivesse um problema com outro, resolvíamos rapidamente porque, como eu disse, nós nos amávamos. Falo apenas dos caras originais, não dos caras que vieram mais tarde. Eles eram diferentes aos nossos olhos e aos de Elvis. Ele declarou isso.

EIN: Você foi um dos padrinhos, junto de Joe Esposito, no casamento de Elvis e Priscilla. Como você descreveria seu relacionamento com Joe?

ML: Eu sempre gostei do Joe, basicamente, simplesmente não gostava da maneira como ele tratava os outros ou falava com eles. Ele pensava que era algo especial no grupo, mas não era. Ele não era mais especial do que qualquer um dos outros originais. Não nos falamos há muitos anos por causa dessa atitude.

EIN: Você disse que mesmo antes de Larry Geller chegar ao grupo, Elvis estava explorando e questionando seu propósito na vida. Larry era bom para Elvis, e o que você achava da busca pessoal e espiritual de Elvis?

ML: Eu pensei que era ruim para ele. Uma coisa é questionar por que lhe foi dado um lugar especial no mundo, mas você pode ferrar sua cabeça por pensar muito intensamente sobre isso.

EIN: Você mantém contato com qualquer outro dos caras hoje em dia?

ML: Cinco de nós, Billy, Red, Lamar e Sonny, ainda estamos próximos. Nós também éramos assim com Alan Fortas e Richard Davis antes de eles falecerem.

EIN: Red e Sonny terem escrito o livro "Elvis: What Happened?" foi um grande erro?

ML: Não, não na minha opinião. Eu não pensava assim na época e sinto o mesmo agora.

EIN: Dave Hebbler foi apanhado autorizando a venda de memorabilias de Elvis de forma desonesta. Durante o curto período de tempo em que ele esteve com vocês, ele pareceu excessivamente zangado, especialmente com seu envolvimento no livro "What Happened". Quais são as suas lembranças ou opiniões sobre ele?

ML: Dave e eu sempre nos demos muito bem. Eu não tenho ideia sobre memorabilia ou ele estar com raiva.

EIN: O que você achou do DVD "Elvis: By The Presleys"? Parecia estranho que só Jerry Schilling estivesse envolvido. Billy Smith, sendo "família real", não deveria ter estado nele?

ML: Devia ter se chamado "Elvis: By the Beaulieus".

EIN: Você ficou chateado por não estar envolvido com o novo DVD? Jerry lhe falou sobre a produção, e você teve a chance de acrescentar alguma contribuição?

ML: Não. Nós cinco não temos nada a ver com Priscilla ou Lisa. Nós não esperávamos sermos chamados e se fossemos, teríamos recusado.

EIN: Você conta uma história sobre Elvis querer mandar Priscilla de volta para a Alemanha, dizendo: "Comprem uma passagem de avião para essa maldita cadela. Eu estou empacotando suas malditas merdas agora." Essa história não estava em "Elvis: By The Presleys". Você pode nos contar mais, e por que Elvis disse isso?

ML: Ela o confrontou sobre Ann-Margret no quarto em Graceland e a defesa dele sempre foi ofender. Assim que ouviu ele me dizer aquilo no telefone, ela calou a boca, eles se beijaram e fizeram as pazes.

EIN: Quais são algumas de suas lembranças mais engraçadas de estar na Máfia de Memphis?

ML: Esse tipo de pergunta sempre foi difícil de responder, exceto que todos nós brincávamos uns com os outros, incluindo Elvis.


EIN: Você acompanhou Elvis em todos os filmes antes de 1967? Qual você se lembra de ter gostado mais e por quê?

ML: Sim, eu estava lá de Kid Galahad até Speedway. Eu o visitei mais tarde durante a filmagem de Live A Little, Love A Little. A maioria foi agradável, exceto que ver Elvis em alguns dos filmes terríveis nos chateava muito.

EIN: Você estava lá quando Elvis caiu e sofreu uma concussão durante a pré-produção de Clambake, isso deve ter sido muito assustador?

ML: Sim, Billy Smith e eu nos revezamos à beira da cama dele, e eu estava lá quando o médico chegou e o examinou.


Elvis e alguns membros da Máfia durante as filmagens de Clambake, 1967

EIN: O que você se lembra da reunião onde o Coronel lhe disse que Elvis devia queimar seus livros espirituais e que Joe ia se tornar o Foreman? Parece uma situação muito tensa.

ML: Não me surpreendeu, porque Parker aproveitou a oportunidade de ganhar mais controle sobre Elvis, uma vez que ele tinha acabado de cair e se ferir. Também foi quando Parker exigiu 50% dos ganhos de Elvis. Ele pegou Elvis em um momento vulnerável. Era fácil ver que Parker queria solidificar seu controle fazendo de Joe o Foreman. Porque Elvis estava na condição em que estava, ele cedeu sem confrontar Parker. Até onde me compete, Joe poderia ter Parker e o seu cavalo em suas mãos. Minha lealdade era para com Elvis e era com ele que eu estava preocupado. Com Elvis e os caras.

EIN: A reedição de seu livro com Alanna Nash era esperada há muito tempo. Você sabia que a versão original de "Elvis Aaron Presley: Revelations of the Memphis Mafia" é classificada como um dos melhores livros sobre Elvis pela Elvis Book Research e pelo vindouro recurso bibliográfico "Elvis In Print: The Definitive Reference and Price Guide"?

ML: Não, eu não estava ciente disso, mas recebi muitos e-mails de fãs dizendo que é o melhor livro sobre Elvis que já leram. Quando foi lançado pela primeira vez, há anos, Graceland fez uma campanha negativa usando alguns de seus clubes de fanáticos para falar mal do livro e convenceram algumas pessoas a não comprá-lo. Mas à medida que os anos passaram, fomos constantemente contactados por muitos que queriam saber onde poderiam obter uma cópia, é por isso que ele foi republicado sob o novo título "Elvis and the Memphis Mafia".



AS MULHERES NA VIDA DE ELVIS

EIN: Gladys Presley - o que você mais se lembra sobre Gladys?

ML: Eu não conheci a Sra. Presley muito bem, mas as poucas vezes que a vi, ela era ótima.

EIN: Minnie Mae Presley - você esteve bastante com "Dodger"?

ML: Engraçada e resistente. Ela era uma senhora maravilhosa.

EIN: Tia Delta e tia Clettes tentaram atirar em você em algum momento, quando estavam bêbadas! O que foi aquilo?

ML: Delta ameaçou atirar em mim dentro do Lisa Marie, uma noite no Aeroporto de Memphis. Elvis ficou tão irado que a jogou para fora do avião e mais tarde ameaçou expulsá-la de Graceland. Clettes puxou uma faca de açougueiro contra mim no porão de Graceland. Ambas estavam bêbadas e parte disso foi porque elas não gostavam de judeus, mas essa não era a única razão.

EIN: Em "Elvis Aaron Presley: Revelations of the Memphis Mafia", você fez alguns comentários fortes sobre como Priscilla cuida da EPE (Elvis Presley Estate). Você pode compartilhar suas opiniões conosco.

ML: As pessoas não percebem que havia um Conselho de Assessores do banco junto com Priscilla, que estava tomando as decisões sobre a execução de Graceland. As pessoas também se esquecem de que ela não era a única executora da propriedade, os outros dois eram o banco e Joe Hanks, o contador. Scatter poderia ter aberto Graceland para ganhar dinheiro.

EIN: Em um período anterior, o flerte de Priscilla com Mylon Lefevre. O que você sabe?

ML: O que Jo Smith e minha esposa me disseram. Priscilla foi atrás dele enquanto Elvis e nós estávamos em Hollywood fazendo filmes, antes de se casarmos.

EIN: Como você acha que Elvis se sentiria sobre a carreira musical de Lisa?

ML: Acho que ele gostaria.

EIN: O último videoclipe de Lisa, Idiot, apresenta-a dando um beijo lésbico (nela mesma). Como você acha que Elvis teria reagido a isso?

ML: Isso poderia não ter acontecido se ele estivesse vivo, assim como ter se casado com Michael Jackson ou ser membra da Cientologia.

Ein: Como é que Marty Lacker reage a isso?

ML: Eu não sou fã de Lisa Marie como artista ou pessoa.

EIN: Ann-Margret - Em "Elvis Aaron Presley: Revelations of the Memphis Mafia" você comenta sobre o grande entendimento entre eles. Conte-nos mais.

ML: Ambos eram um tanto semelhantes, entendiam e amavam um ao outro.

EIN: Você também diz que se deu bem com Ann-Margret, eu lembro de sua história sobre ter colocado a cabeça dentro da manga do casaco dela. Você também teve uma boa amizade com ela?

ML: Sim, Ann é uma ótima pessoa, nós nos demos muito bem e rimos muito. Ao contrário de Priscilla, ela não se sentia ameaçada pelos caras estarem lá.

Ein: E a paixonite de Alan Fortas por ela? Isso deve ter sido estranho.

ML: Não, foi engraçado e tanto ela quanto ele se riram e se juntaram a nós nas brincadeiras com Alan.

Ein: Quando você a viu pela última vez?

ML: Há muito, muito tempo atrás, mas falei com ela no telefone não faz não muito tempo.

Elvis e Ann-Margret viveram um tórrido romance
durante os trabalhos para Viva Las Vegas (1963)
EIN: Ginger Alden - Elvis teria se casado com ela se não tivesse morrido?

ML: Eu duvido.

Ein: Podemos acreditar na história dela, que Elvis pediu para casar com ela e que eles estavam oficialmente noivos?

ML: De acordo com Billy e Lamar, não havia nenhuma maneira de ele se casar com ela. Ela era um troféu para ele. A diferença de idade era muito grande.

EIN: Havia realmente um vínculo forte entre eles, ou era apenas paixão de ambos os lados?

ML: Como eu disse, um troféu para Elvis. O que era para ela eu não sei, mas duvido que fosse amor.

EIN: Em 1977, Elvis estava prometendo tudo a Ginger, mas ainda via outras mulheres. Dado seu deteriorado estado físico e emocional, o que ele estava procurando nessas outras mulheres?

ML: Companheirismo e validação.

EIN: Linda Thompson - como era Linda?

ML: Linda era muito divertida. Ela se importava com Elvis de várias maneiras e era basicamente boa para ele.

EIN: Sheila Ryan - você tem alguma lembrança particular de Sheila?

ML: Sheila era alguém que você podia gostar ou não. Não tenho grandes lembranças dela.

EIN: Stella Patchouli - sua autobiografia muito interessante, "Tears of a Shadow", foi publicada em 2002. Você se lembra muito de Stella?

ML: Quem?

EIN: Lynda Bird - Quando Elvis conheceu a filha do presidente Johnson, Lynda Bird. Havia uma história muito divertida com relação ao Serviço Secreto que a protegia. Você pode nos contar sobre isso?

ML: Estávamos filmando "Girl Happy" na piscina atrás do estúdio. Disseram-nos que George Hamilton, que estava namorando ela na época, estava trazendo Lynda Bird para o set para conhecer Elvis. Quando chegaram, eles estavam cercados por um número de homens do Serviço Secreto e nós pensamos que seria engraçado cercar Elvis da mesma forma, todos nós enfileirados, eles de óculos de sol e nós tentando não morrer de rir. É uma daquelas coisas que você teria que estar lá para ver o humor.


ÚLTIMAS PERGUNTAS

No seu livro "Elvis' DNA Proves He Is Alive", Bill Beeny afirma (p. 62) que em um artigo na revista People (setembro de 1996), você e Billy Smith finalmente "... admitem ... que Elvis fingiu sua morte usando um doador de corpo". Qual é a sua resposta á afirmação do senhor deputado Beeny?

ML: Bill Beeny é um louco e eu disse isso na cara dele há alguns anos. A história que Billy e eu escrevemos era de FICÇÃO e foi apresentada ao jornal londrino, onde apareceu como FICÇÃO. Idiotas como Beeny gostam de usar isso para sua própria agenda ridícula. Ele realmente não vale o esforço de falar sobre isso.

EIN: Qual é a sua opinião sobre a ideia de que Elvis não morreu em 16 de agosto de 1977?

ML: Elvis morreu em 16 de agosto de 1977. Foi testemunhado e documentado e uma autópsia foi realizada em seu corpo por médicos respeitáveis ​​em Memphis. O principal, Dr. Muirhead, é irrepreensível e goza de uma grande reputação no campo médico. As pessoas que fomentam a idiotice de que Elvis fingiu sua morte são idiotas ou aproveitadores.

EIN: A última vez que você viu Elvis foi em julho de 1976. Foi este o momento em que tudo começou a desmoronar para ele?

ML: Começou meses antes disso.

EIN: Isso seria no início de 1976, na época em que Linda Thompson saiu, ou havia algo mais específico que fizesse com que Elvis perdesse o controle?

ML: Linda realmente o deixou no final de 1976, mas ela e Elvis estavam se distanciando bem antes. Eu acho que ele estava apenas entediado e cansado das mesmas coisas velhas e só queria mais privacidade. É por isso que ele mantinha Billy perto dele, excluindo quase todos os outros.

EIN: Você se lembra das sessões de gravação em Graceland, em fevereiro de 1976, como sendo positivas ou negativas, uma vez que o humor e o desempenho de Elvis parecem variar muito?

ML: Eu não estava lá. Isso foi em 1976 ou 1977? Parker tentou me manter longe das sessões porque eu estava trazendo canções para Elvis que eles não tinham os direitos de publicação.

EIN: Você ficou chateado por Billy Smith ter lhe dado a notícia de que Elvis precisava de um tempo distante e que você já não fazia parte da trupe em tempo integral? Obviamente, os outros ficaram muito amargos e irados.

ML: Não, minha primeira reação a Billy foi dizer: "Estou feliz, ele deveria ter feito isso há muito tempo." Ele também estava exigindo que estivéssemos lá por tempo demais, inclusive eu depois que deixei sua folha de pagamento. Ele confiava em mim como se ainda estivesse na folha de pagamento. Teria sido bom passar mais tempo com a minha família. No entanto, isso foi realmente minha falha, não de Elvis. Eu fiz a escolha.

Larry Geller, Marty, Joe Esposito e Alan Fortas conversam com Elvis e a atriz Deborah Walley
no intervalo das gravações de "Spinout" (1966)


EIN: Parece que, no final, Billy Smith era o único amigo e confidente de Elvis. Elvis confiava em mais alguém?

ML: Billy foi a pessoa mais próxima de Elvis no último ano de sua vida, mas novamente, Elvis sempre se sentiu perto de Billy. Ele era mais como um irmão mais novo do que um primo. Segundo Billy, Elvis ainda cuidaria de nós, mas ele só queria mais privacidade.

EIN: Quando você falou pela última vez com Elvis e quais foram suas palavras de despedida?

ML: Julho de 1977, no telefone. Minhas últimas palavras foram "adios!"

EIN: Marty, uma pergunta final. Em retrospectiva, se você tivesse seu tempo novamente como parte da Máfia de Memphis. Há algo que você faria diferente?

ML: Passar um pouco mais de tempo com a minha família, fora isso eu não mudaria nada.

Marty, em nome de todos os nossos leitores, muito obrigado por ter tirado esse tempo para compartilhar suas memórias e opiniões com a gente. Desejamos-lhe todo o melhor para o futuro.

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Marty faleceu em 13 de fevereiro de 2017, aos 80 anos.
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Texto original: Elvis InfoNet
Fotos: Google e Elvis InfoNet
Tradução: EAP Index | http://www.eapindex.site
>> a re-disponibilização desta tradução só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Suzanna Leigh: "A Máfia Matou Elvis"

ATENÇÃO: A matéria a seguir é compartilhada a título de curiosidade. Seu conteúdo não reflete necessariamente a opinião deste site e de seus mantenedores.
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Suzanna Leigh coestrelou "No Paraíso do Havaí" (Paradise, Hawaiina Style) ao lado de Elvis em 1966 e desde então forjou uma profunda amizade com o Rei do Rock até sua morte em 1977.

Dizem alguns que eles foram bem mais do que amigos em diversas ocasiões, mas Leigh garante que não foi o caso.

Quando faleceu em 11 de dezembro de 2017, aos 72 anos, Leigh era uma escritora renomada, tendo escrito e lançado sua biografia - Suzanna, Paradise Style - em 2000 e também um livro de autoajuda.

Suzanna continuou a fazer pontas em diversas produções, mas se dedicou mais a seu novo livro - KING: Travels With Elvis" - no fim da vida, o qual foi lançado em 2016 e conta sua história junto a Elvis em detalhes.

Em 2011, no momento em que a atriz anunciava uma parceria para um livro falando da morte de Elvis - The Flip Side of Paradise -, um jornalista compartilhou uma passagem do livro, que ainda não tinha sido lançado, em sua coluna no jornal Daily Mail, onde Leigh lista os motivos pelos quais tem certeza de que seu amigo foi assassinado pela máfia e que não morreu das causas amplamente divulgadas.

É fato que Elvis tinha desafetos e alguns deles certamente poderiam ser de dentro da máfia, no entanto nunca seria imaginável que ele tenha sido assassinado por alguma dessas organizações. Mas Suzanna se diz certa disso e aponta alguns fatores que despertaram sua curiosidade, inclusive envolvendo, sem citar nomes, pessoas que, em público, diziam ter Elvis em sua mais imensa consideração.

Abaixo disponibilizamos a tradução do artigo. Marcações feitas ao longo do texto serão usadas para breves explicações no fim da postagem.
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Leigh em "The Pleasure Girls", de 1965,
primeiro trabalho com créditos no cinema
A estrela dos anos sessenta Suzanna Leigh namorou Richard Harris, Steve McQueen e Michael Caine. Mas é sua amizade com Elvis Presley, com quem ela estrelou o filme de 1966 Paradise, Hawaiian Style, que ainda domina a vida dela. Durante anos, ela tem sido atormentada por dúvidas sobre sua morte. Aqui, ela descreve como suas investigações levaram a uma conclusão chocante. . .

Assim que eu vi fotos do rescaldo da morte de Elvis, os sinos de alarme dispararam na minha cabeça.

Havia a foto de uma mulher*, que era próxima de Elvis, de pé na porta de Graceland no meio da noite, poucas horas depois de sua morte. Ela parecia impecável, a maquiagem perfeita.

O que havia de errado com isso? Bem, se o amor da minha vida tivesse acabado de ser encontrado morto, eu estaria me parecendo com a Bruxa de Endor, com rímel escorrendo pelo meu rosto.

Embora nós tenhamos sido sempre somente amigos, eu era apaixonada por Elvis desde que tinha 11 anos. Os meus sonhos de conhecê-lo se tornaram realidade quando eu estava no elenco de Paradise, Hawaiian Style. Nós nos conectamos imediatamente e nos tornamos verdadeiras almas gêmeas.

Elvis, que era muito religioso, amava as minhas histórias sobre a minha escola no convento inglês. A primeira vez que ele pegou a minha mão foi no set. Nós só nos beijamos duas vezes, mas havia a promessa de muito mais intimidade por vir. Nós continuamos amigos ao longo da minha relação acalorada com Richard Harris, e queríamos fazer outro filme juntos - mas não era para ser.

O Coronel Tom Parker nunca gostou de nossa amizade, principalmente porque eu estava apresentando-o a atores como Richard Harris. Elvis queria ser um ator de verdade, mas o Coronel Parker só olhava para o dinheiro fácil.



Leigh em "Boeing Boeing", de 1965,
com Jerry Lewis e Tony Curtis
Eu estava dormindo em Londres, quando Elvis morreu - tendo retornado à Grã-Bretanha nos anos setenta. Nos anos que se seguiram, continuei minha carreira na Inglaterra. Então, em 2003, eu coloquei a minha ligação com Elvis em uso para ir trabalhar como guia turístico VIP em Graceland.

Foi lá que ouvi pela primeira vez rumores vindos de pessoas do setor administrativo de que Elvis tinha sido assassinado. E quando eu fui para a biblioteca para saber mais, descobri que muitas pessoas respeitáveis ​​acreditavam que sua morte - de aparente insuficiência cardíaca, agravada pelo abuso de drogas - não foi simples.

Um livro apontou o dedo para o médico de Elvis, 'Nick' Nichopoulos, que prescreveu dezenas de pílulas para o seu paciente hipocondríaco, embora seja difícil de acreditar que ele iria matar seu tesoureiro.

A teoria mais interessante foi do jornalista britânico John Parker, que afirmou que havia uma conexão com a máfia.

Depois, há o fato de que o relatório post-mortem não estará disponíveis até 2027**. Por que o Bureau Federal de Investigação bloquearia documentos se não havia nada a esconder?

Logo aprendi que Elvis tinha de fato sido parte de uma das maiores investigações do FBI dos anos setenta, de codinome Fountain Pen***. Aparentemente, ele tinha sido vítima inocente em um caso de fraude da Mafia envolvendo bilhões de dólares.

Dezenas de agentes federais em todo o mundo tinham investigado isso, e Elvis foi levado a depor. O FBI deveria estar protegendo Elvis quando ele morreu.

A dupla em cena de Paradise, Hawaiian
Style
, 1966

Apesar disso, a morte de Elvis nunca foi investigada oficialmente.

A primeira pessoa com quem eu falei enquanto tentava entender mais sobre o mistério foi Beecher Smith, que tinha sido advogado de Elvis.

Ele me disse que, como parte da investigação, Elvis e seu pai deveriam supostamente estar frente a um júri federal em 16 de agosto de 1977 - o dia em que Elvis morreu.

Minha próxima escala era George Klein, que tinha ido à escola com Elvis. Ele me disse que, pouco antes de sua morte, Elvis, que estava atormentado por causa de sua carga de trabalho, decidiu tirar um ano de férias e demitiu metade de sua equipe, incluindo o Coronel Parker****.

Quando demitiu o bando, os ânimos estavam tão altos que eles lançaram um livro impudico¹ sobre ele apenas duas semanas antes de morrer. Tudo ficou tão desagradável que Elvis foi forçado a empregar uma equipe de seguranças que eram todos ex-policiais, encabeçados por Dick Grob, um ex-sargento da polícia².

George me disse que Elvis estava falando tão sério sobre deixar o trabalho de lado que tinha alugado uma casa no Havaí e planejado entrar em forma novamente³.

Para saber mais, eu fui ver Grob. Embora chateado em falar de tudo isso, ele confirmou que Vernon, pai de Elvis, sempre acreditou que seu filho foi assassinado.

Elvis e Suzanna no set de
Paradise, Hawaiian Style

Quando Elvis morreu, Grob lançou sua própria investigação, questionando todos na casa sobre onde eles estavam naquela noite, e registrando todas as chamadas telefônicas.

Ele afirma que os registros mostram que alguém telefonou para um jornal a partir de Graceland à 1h para alertá-los de que haveria uma grande história saindo naquela noite - uma hora antes dos serviços de emergência serem chamados.

Então ele fez uma alegação verdadeiramente extraordinária. "Elvis morreu de uma enorme overdose de codeína", ele me disse. "Não importam as outras coisas que eles dizem que o mataram - é disso que ele realmente morreu".

Eu mal podia acreditar no que estava ouvindo. Eu sabia que Elvis era alérgico a codeína, um analgésico opiaceo. Alguém poderia tê-lo enganado para que os ingerisse?

Grob explicou que a loucura na noite em que Elvis morreu acarretou em que nada foi devidamente investigado. "Houve um pandemônio nas ruas, com os fãs desesperados e jornalistas que chegavam de todo o mundo", disse ele. "Havia cerca de 200.000 pessoas do lado de fora do portão."

"Se a polícia tivesse dito que suspeitava que Elvis tinha sido assassinado, teria havido um linchamento. A polícia tentou controlar as coisas, mas muita coisa estava escapando por debaixo da porta. Um monte de coisas desapareceram naquela noite e foram vendidas mais tarde."

"Alguém até lavou o tapete onde Elvis tinha caído. Imagine - limpar antes de a polícia chegar? Só alguém muito próximo a Elvis poderia ter ordenado isso."

Suzanna em Luxúria de Vampiros, 1971

George Klein tinha me dito que muitas suspeitas se concentraram no Coronel Parker. Beecher Smith, coincidentemente, disse que Parker tinha muito a ganhar com a morte de Elvis - e apenas um dia após a morte, ele já havia convencido o pai do cantor a dar a ele 50 por cento dos lucros póstumos do Rei.

As notícias sobre o Coronel Parker não me surpreenderam. Eu nunca tinha gostado dele. No entanto, embora houvesse um monte de incentivos para ele despachar seu protegido, ele não estava lá na noite fatídica.

Então como é que Elvis morreu?

Na opinião de Dick Grob, foi organizado pela máfia. Ele me disse que não queria que Elvis ou o pai comparecessem em tribunal por causa de todo o interesse da mídia que iria se criar, então eles devem ter conseguido alguém dentro da casa. "Isso é o que Vernon acreditou o tempo todo", disse Dick. "Alguém de dentro deixou o assassino entrar na casa."

Este foi o material explosivo, e eu suspeito que estava no caminho certo, porque coisas estranhas começaram a acontecer comigo. Primeiro, uma roda da minha caminhonete caiu enquanto eu estava dirigindo.

Se estivesse indo mais rápido, eu poderia ter morrido. Um mecânico que visitei disse que as porcas das outras rodas também estavam prestes a sair. Alguém tinha mexido nelas.



Suzanna Leigh em 2009
Então, uma noite em que estava andando com meu cão, fiquei vulnerável em um sinal vermelho quando uma jovem negra, de não mais de 20 anos, colocou o braço para fora da janela de um carro que passava e disparou pelo menos cinco tiros de um revólver, que atingiram alguns galhos de árvores acima de mim.

Em outra ocasião, alguém entrou no meu carro, e então alguém tentou invadir minha casa e esfaqueou um dos meus cães.

Até hoje, eu suspeito que alguém me queria fora do caminho. Eu não fiquei esperando descobrir quem antes de sair da cidade.

Eu sei que as pessoas vão achar difícil acreditar nestas reivindicações, mas eu conhecia o verdadeiro Elvis, e depois do que aconteceu comigo, estou mais convencida do que nunca de que estamos a um longo caminho de descobrir a verdade sobre sua morte.

Adaptado por Glenys Roberts de The Flip Side of Paradise, um livro a ser lançado. © 2011 Suzanna Leigh (a atriz faleceu antes de terminar de escrevê-lo)

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OBSERVAÇÕES:

* a mulher em questão é Priscilla.

** documentos que podem ter alguma revelação muito grande são mantidos em sigilo pelo FBI por 50 anos (no Brasil, a ABIN mantém por 100 anos).

*** há informações reais sobre tal investigação, mas até onde se sabe, Elvis não estava sabendo dela.

**** Elvis realmente planejou se afastar dos palcos entre 1978 e 1980.

¹ tal livro se trata de "Elvis: What Happened?".

² embora os membros da Máfia de Memphis tenham sido praticamente os mesmos desde o início, havia uma segunda equipe de seguranças que cuidava do bem estar de Elvis no interior de hotéis e camarins.

³ fotos dessas férias, em março de 1977, são bem conhecidas, bem como a mudança do físico de Elvis neste período.
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Artigo original: Daily Mail
Fotos: Google e © Getty Images®
Tradução: EAP Index | http://www.eapindex.site
>> a re-disponibilização desta tradução só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Entrevista com Sheila Ryan

Sheila Ryan foi namorada de Elvis entre o fim de 1973 e o início de 1975, período em que ele e Linda Thompson estavam um tanto distantes, apesar de ainda estarem em uma relação. Ryan foi capa da Playboy de outubro de 1973 e teve um breve casamento com o ator James Caan em 1976.  Sheila morreu em 18 de setembro de 2012, um dia após completar 60 anos, devido a um câncer.

Abaixo disponibilizamos a transcrição de entrevista dada ao jornalista David Adams, do site Elvis Australia, em 2010.

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EA: Quando foi a primeira vez que encontrou Elvis?

SR: A primeira vez que encontrei Elvis foi em Las Vegas e Joe Esposito me levou aos bastidores. Ele saiu do camarim com uma toalha no pescoço e havia, talvez, trinta pessoas na sala; ele sai e a primeira coisa que faz, a primeira coisa que acontece é nossos olhos se encontrarem. E todos notaram isso, particularmente a garota com quem ele estava saindo. Quero dizer, foi uma espécie de coisa mágica de que só acontece uma vez. Ele apenas sai da sala e boom, você sabe como é. Mágica. E eu sabia naquele momento, sabe - tive uma intuição que a maioria das mulheres têm, e eu certamente tinha naquela época, e sabia que ia passar muito tempo com ele.

EA: Então vocês clicaram instantaneamente?

SR: Instantaneamente. Eu Sim, não acontece mais rápido do que aquilo aconteceu. Era o destino.

EA: Elvis jogou uma uva em você?

SR: Oh, sim. Ele jogou uma uva em mim, sim, e eu ainda não tenho certeza realmente por que ele jogou aquela uva em mim. Joe Esposito disse que foi de propósito para que pudesse ter uma razão para vir falar comigo. Eu pensei que ele a tinha jogado no Joe por trazer, você sabe, uma mulher atraente e que fosse um tipo de ciúme. Eu pensei, mas ainda não tenho certeza até hoje e não sei se vou ter, realmente.

EA: Quais foram as primeiras palavras de Elvis para você?

SR: As primeiras palavras de Elvis para mim foram: "Desculpe". Quero dizer, foi uma jogada incrível, na verdade. Ele provavelmente estava a uns quinze metros de distância e eu estava flertando porque, depois daquele primeiro olhar, você sabe, eu realmente não precisava saber de mais nada naquela noite. Sua namorada estava lá. Eu não ia fazer uma cena, você sabe, mas como ele atirou aquela uva e me acertou bem entre os olhos, na testa, é incrível para mim.

EA: Você provavelmente é a única mulher no mundo nessa situação.

SR: Amor à primeira uva, sim.


Cheque de mil dólares dado a Sheila Ryan (escrito "Shiela") como bônus de Natal em 7 de dezembro de 1974


EA: Vocês começaram a conversar naquela noite?

SR: Não, eu não consegui conversar com Elvis naquela noite.

Não além de quando ele veio, se ajoelhou, estava se desculpando muito, e eu estava me sentindo desconfortável porque sabia que sua namorada estava assistindo e não havia erro sobre o que estava acontecendo entre nós dois. Era, você sabe, uma dessas coisas. Então ele se levantou e teve que sair e, você sabe, estar com o resto das pessoas na sala, e então eu aproveitei a sugestão e fui embora. Você sabe, quase imediatamente. Pedi ao Joe Esposito para me levar para fora e assim eu não consegui falar com ele naquela noite.

EA: Quando foi a próxima vez que você viu Elvis?

SR: Eu estava em um apartamento, estava me mudando e, como eu disse antes, naquela época da minha vida, eu só tinha o saber, eu sabia coisas. Então meu telefone foi desconectado por dois dias porque eu estava transferindo de apartamento e sabia que Joe estava tentando desesperadamente me alcançar. Eu só sabia e assim que o telefone foi conectado, tocou e era Joe. E, você sabe, eu só disse, "Olá, Joe". E ele disse: "Deus, como você sabia que era eu? Onde diabos você estava? O chefe...", você sabe, ele não estava exatamente zangado, mas frustrado por não ter sido capaz de me alcançar por dois dias e eu meio que ri. E ele disse: "Meu chefe gosta de você e quer te ver".

EA: Você foi a um grande encontro com Elvis?

SR: Sim, fui a um grande encontro com Elvis. Grande, grande encontro. Ele durou cerca de dois anos. É um grande encontro.

EA: Que tipo de coisas vocês faziam?

SR: Nós fugíamos no meio da noite para tomar sorvete e vinham helicópteros e a guarda armada, você sabe, nos buscar e nos colocavam sob a mira de uma arma e era como, "volte para o hotel". Claro, eu estou exagerando, mas, sim, nós fizemos coisas do tipo, apenas tentávamos ser crianças, crianças más. E ele me entreteve. A segunda noite que eu estava lá, a nossa segunda noite juntos, ele me levou para a varanda da suite do Internacional, você sabe, a grande suíte em Las Vegas que era uma espécie de casa quando ele estava lá. E ele cantou para mim. Ele cantava muito e nós líamos e nos divertimos. Nós nos divertimos.

EA: Quais foram as qualidades que você viu em Elvis que te tocaram?


SR: Elvis tinha qualidades que nenhum outro ser humano teve, tem ou terá. Algumas delas são tão difíceis de descrever porque o carisma, as qualidades que ele tinha quase não eram deste mundo. Elas eram, muitas vezes, angelicais. Ele sabia coisas antes de acontecerem. Ele sabia coisas que eu estava sentindo antes de senti-las. Ele era muito jovial, tinha aquela qualidade de garotinho e eu sempre disse, você sabe, antes de conhecê-lo, que ele tinha aquele sorriso que todo mundo interpretava como sendo seu olhar sexy. E não era nada disso. Não era um olhar sexy. Era a sua inocência, a sua vulnerabilidade. Não era nada que ele ligasse e desligasse.

EA: Elvis tinha um coração mole?

SR: Eu não acho que há outra pessoa, novamente, quero dizer, vamos ser realistas. O homem não era normal, você sabe. A maior alegria que ele tinha era em presentear e eu realmente não entendia muito isso na época. Mas o que trazia mais alegria para ele era doar.

EA: O que significou mais para você em seu relacionamento com Elvis?

SR: A coisa que mais me interessou no meu relacionamento com Elvis foi que era diferente dos relacionamentos que ele tinha tido com outras mulheres e que eu não era irritante, ciumenta. Não estou dizendo que todas as mulheres com quem ele esteve eram chatas e ciumentas, mas eu não tentei mudá-lo. Quero dizer, eu não esperava que ele fosse monogâmico. Quando ele ia embora, eu sabia que estaria com outra mulher e que quando voltasse iria me contar sobre o que aconteceu. E nós ríamos porque, você sabe, eu estava segura em saber que eu não era uma ciumenta. Eu ainda não sou uma pessoa ciumenta. E então o que era mais diferente no meu relacionamento com ele é que ele não tinha que se explicar. Ele não precisava ter medo. Ele não precisava se esconder, embora escondesse algumas coisas. Quer dizer, não era completamente um livro aberto.

EA: Foi um relacionamento realmente apaixonado?

SR: Nosso relacionamento era apaixonado e eu fico surpresa ao ouvir das mulheres que conheço, porque na época havia basicamente duas. Você sabe, eu e depois Linda Thompson e nós ficávamos tipo que em uma disputa. Era ela e então eu cheguei, era uma espécie de corrida de cavalos, você sabe. Nós estávamos pescoço a pescoço e então eu caí para trás e ela, você sabe. Mas eu tinha ouvido que ele não tinha muita intimidade com as mulheres. Na maioria das vezes, você sabe, ele gostava de conversar muito, ficar acordado e lendo, e tivemos uma vida romântica apaixonada e muito ativa.

EA: Perdoe-me se não é você.

SR: Ah, eu sei o que está por vir.

EA: Elvis queria que todos pintassem o cabelo no meio da noite?

SR: No meio da noite, Elvis queria que seu cabelo fosse tingido. E assim ele queria que eu também fizesse isso. Ele não queria que Charlie Hodge tingisse. Eu não acho que Charlie realmente se prestaria a isso.

EA: Fale sobre a alegria de Elvis.

SR: Sim, ele tinha essa risada. Ele e Joe Esposito às vezes se reuniam antes que todos os outros chegassem. Eles iam para a sala comigo e Elvis começava a contar piadas. E então Joe também contava e, às vezes, era interessante porque eles terminavam as frases um do outro e então começavam a rir. Ele se deixava levar e começava a me bater na perna, você sabe, como alguém bate na própria perna, quando estavam rindo histericamente. Ele fazia isso e minha perna ficava como, você sabe, apenas um pouco dolorida. E então ele costumava se divertir com Ricky, seu meio-irmão. E ele tinha essa coisa que fazia com uma espada com Ricky. Não sei se você já ouviu falar sobre isso.

EA: Conte-nos sobre isso.

SR: Ok, ele podia fazer coisas que realmente não eram normais, mas, quero dizer, você poderia sempre se sentir seguro, não importa o que ele estava fazendo. Você sempre se sentiria como se houvesse anjos ao redor ou algo assim. Mas ele tinha essas duas, não sei que tipo de facas ou espadas samurai enormes. Ele dizia: "Ricky, vá buscar minhas facas". Ricky suava e ficava todo vermelho: "Não, por favor, não - eu faço qualquer coisa. Por favor, não me faça fazer isso". Então ele pegaria essas duas facas e entraria em seu tipo de modo de karate, você sabe, com sons e golpes ninjas. Passava acima e abaixo de seu corpo, não acertando, você sabe, apenas chegando perto mas nunca tocando; nós pensávamos que era engraçado, mas Ricky não pensava assim.

EA: Vocês nunca saíram só os dois?

SR: Uma vez fomos dar um passeio no Pantera amarelo e eu fiquei petrificada porque, você sabe, ele simplesmente não foi devagar. Eu estava preocupada, ele não dirigia muito porque estávamos sempre em uma limusine e era tarde, escuro e estávamos na interestadual para o Mississippi. Ele está neste carro e eu estou lá e é só nós dois; e eu pensando "ok, eu não sei como ser apenas nós dois", você sabe. E ele estava aceso, sabe, como uma árvore de Natal. Seus olhos estavam como ficavam às vezes, você sabe.

Estávamos a 120 km/h e eu estou pensando "ok, você sabe, eu posso lidar com 120". E então 135, 150 e 210. Nós estávamos indo a duzentos e dez e ele diz "aqui, pegue o volante", e tira as mãos. Eu disse: "Por favor, isso não é engraçado. Por favor". Tive que implorar para ele ver que eu estava realmente com medo. Eu estava realmente com medo, mas ainda assim era apenas um lado dele que não via muitas vezes. Despreocupado, você sabe, ele não estava no trabalho, não estava trabalhando. Ele não estava em Las Vegas e não estava fazendo shows. Então ele estava apenas se divertindo e quando vi os portões com as notas musicais, eu estava realmente feliz por estar de volta.


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Texto original: Elvis Australia
Fotos: Google e Elvis Australia
Tradução: EAP Index | http://www.eapindex.site
>> a re-disponibilização desta tradução só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<