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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Um Elvis Mais Sério e Violento: King Creole

KING CREOLE (EUA, 1958)

Título brasileiro: Balada Sangrenta
Gravação:
20 de janeiro a 12 de março de 1958
Lançamento:
2 de julho de 1958
Duração:
116min
Produtora:
Paramount Pictures
Orçamento:
US$ 1.500,000
Arrecadação:
US$ 3,5 milhões
Elenco principal:
Elvis Presley
Carolyn Jones
Walter Matthau
Dean Jagger
Vic Morrow
Trilha sonora:
"Hard Headed Woman" (single)
[b/w "Don't Ask Me Why"]
(10 de julho de 1958
"King Creole Volume 1" (EP)
15 de julho de 1958)
"King Creole Volume 2" (EP)
(29 de julho de 1958)
"King Creole" (LP)
(19 de setembro de 1958)
"King Creole" (CD/LP)
(FTD, 2010/2015/2016)



King Creole é o quarto filme de Elvis, seu último nos anos 1950 e último antes de ser convocado para servir o exército por dois anos. Nele, Danny é um adolescente dividido entre terminar os estudos e ter uma carreira ou se entregar à criminalidade.

Em fevereiro de 1955 o  produtor Hal Wallis fizera um caro investimento de US$ 25 mil dólares para comprar os direitos de "A Stone For Danny Fisher", história que transformaria em filme e ofereceria o papel principal a James Dean ou Ben Gazzarra.  Dean morreu antes mesmo de ser contatado e Gazzarra nem chegou a saber que era cotado para o papel na época.

Após uma bem sucedida apresentação da história no teatro em janeiro de 1957, o nome de Elvis Presley começou a ser sondado. Com o contrato fechado, o personagem Danny Fisher foi modificado para se adaptar a Elvis. Danny passou a ser cantor ao invés de boxeador e a história foi ambientada em New Orleans ao invés de New York.

Wallis escolheu Michael Curtiz para dirigir a produção porque confiava no diretor e já haviam trabalhado juntos em clássicos como "Casablanca" (1942). Curtiz decidiu filmar em preto e branco para dar mais dramaticidade e um ar noir ao filme, adicionou atores coadjuvantes experientes, como Walter Matthau (Delírio de Loucura, 1956) e Carolyn Jones (mais conhecida como Mortícia Addams do seriado A Família Addams, 1964-1966), e pediu a Elvis que emagrecesse 8 quilos e tirasse as suíças (o que ele fez).

Mas em 20 de dezembro de 1957 a produção se viu praticamente fadada ao esquecimento quando Elvis foi chamado para servir o exército. A Paramount trabalhou duro para conseguir o adiamento da convocação para março de 1958.

Elvis e o elenco feminino


As filmagens começaram em 20 de janeiro de 1958 e se estenderam até 12 de março. Foram usadas duas locações reais (a cidade de New Orleans e o lago Pontchartrain) e algumas poucas cenas foram gravadas nos estúdios da Paramount na California.

Enquanto filmava em New Orleans, Elvis tinha que trocar o local onde morava por várias vezes para evitar a aglomeração de fãs. Como era muito difícil de se conseguir privacidade em uma cidade que sabia quem estava filmando ali, a produção colocou todos os atores e membros da equipe no décimo andar do hotel Beverly Wilshire.

A estreia do filme se deu no Loew's State Theater, em New York, no dia 2 de julho de 1958. A produção ficou em 5º lugar em arrecadação por várias semanas e recebeu críticas positivas de diversos colunistas, embora alguns poucos achassem que Elvis não era páreo nem deveria ter sido colocado no meio de tanta gente talentosa.

Elvis e Walter Matthau em cena

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TRILHA SONORA

Em 10 de julho de 1958 a RCA lançou um single contendo "Hard Headed Woman" e "Don't Ask Me Why", sendo que a primeira alcançou o 1º lugar nas paradas e a segunda, o 25º. A gravadora também lançou todo o conteúdo da trilha sonora em dois EPs nos dias 15 e 29 de julho.

A influência musical de King Creole foi tanta que 10 anos depois, no especial da CBS de 1968, um dos grandes sucessos foi a primeira versão ao vivo de "Trouble".




Dez semanas após o lançamento do filme, finalmente o LP com todas as músicas contidas na produção é lançado pela RCA. Gravado em 4 sessões no Radio Recorders, o álbum contém músicas estritamente escritas para o filme. O LP ficou em 2º lugar nas paradas por algumas semanas e recebeu o certificado de Ouro em 1999.

Em 1997 e em 2005 foram lançadas versões em CD do álbum contendo takes alternativos e versões undubbed. Nessa época também foi trazida a público pela primeira vez em CD a música "Danny", que foi escrita para o filme mas nunca usada. De 2010 a 2016, a FTD lançou todo o conteúdo disponível da produção.




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ESTRELAS COADJUVANTES


WALTER MATTHAU

Walter John Matthou nasceu em 1 de outubro de 1920 em New York, e se interessou pela atuação ainda quando criança. Depois da 2ª Guerra Mundial dedicou-se ao cinema, tendo feito seu primeiro grande papel em 1955 e ficando bem conceituado.

Sua carreira se estendeu por 52 anos e contabilizou 96 trabalhos em cinema, teatro e televisão. No final da carreira, Matthau ficou muito conhecido pelas comédias que fazia ao lado de seu grande amigo Jack Lemmon.

Walter Matthau morreu em 2000, aos 79 anos, após um ataque cardíaco fulminante.


CAROLYN JONES

Carolyn Sue Jones nasceu em 28 de abril de 1930 em Amarillo, Texas. Começou sua carreira em 1952 e chegou a 1958 já sendo candidata a um Oscar e um Globo de Ouro.

Embora tenha feito 34 filmes e mais de 50 aparições em séries de TV, seu papel mais conhecido é Mortícia Addams, do seriado A Família Addams (1964 - 1966), pelo qual ganhou um Globo de Ouro.

Jones descobriu que tinha um câncer no cólon em 1981, doença que se alastrou rapidamente.

Mesmo em meio a terríveis dores a atriz ainda trabalhou até sua morte em 1983, aos 53 anos.


DEAN JAGGER

Jagger nasceu em 7 de novembro de 1903 em Ohio e começou a carreira ainda nos anos 1920, tendo sua primeira grande oportunidade em 1937 e ganhando um Oscar em 1949 por sua atuação em Almas Em Chamas.

Sua carreira, que durou  58 anos, se baseou em filmes de faroeste, guerra e dramas como King Creole.

Nos anos 1970 e 1980 o ator passou a aparecer em filmes B geralmente de terror ou catástrofe. Seu último filme foi "A Cidade Maldita", um terror quase trash sobre um homem que chega a uma cidade pacata e descobre que um cientista louco planeja montar um exército de zumbis.

O ator morreu em 1991, aos 87 anos, de insuficiência cardíaca.

LILIANE MONTEVECCHI

Nascida em Paris, França, 13 de outubro de 1932, a atriz e bailarina franco-italiana começou sua educação em dança aos 8 anos de idade no Opera de Paris. Aluna dos principais nomes da dança, ela recebeu a honra, em 1949, de dançar na coroação de Rainier III, Príncipe de Mônaco, em Monte Carlo.

Sua carreira internacional começou em 1955 com um contrato com a MGM, sendo um dos seus filmes mais conhecidos "Papai Sabe Tudo" (1955), com Fred Astaire. Depois de Elvis em 1958, a atriz passou a ser chamada para participar de séries e peças de teatro consagradas, como "Gigi" e "Hello, Dolly!".

Em 2012 ela estrelou sua própria peça em diversas cidades dos EUA com bastante sucesso. Em janeiro de 2017, recebeu o Lifetime Achievement Award do Ziegfeld Society of New York City.

Liliane faleceu em 29 de junho de 2018, aos 85 anos.

VIC MORROW

Nascido Victor Morozoff em 14 de fevereiro de 1929, no bairro do Bronx em Nova York, ele abandonou o colégio aos 17 anos para se alistar no exército. 
Em 1958 Vic casou-se com a atriz e roteirista Barbara Turner, com quem teve duas filhas, a mais famosa sendo a atriz Jennifer Jason Leigh.

Morrow é mais conhecido pela série "Combate!" (1962-1965). 
O ator morreu em 23 de julho de 1982, aos 53 anos, quando um helicóptero caiu sobre ele e duas atrizes devido a um acidente pirotécnico durante as filmagens de "Além da Imaginação: O Filme" (1983).

PAUL STEWART

Paul Stenberg nasceu em 13 de março de 1908 em Manhattan, fez escola pública e terminou uma universidade, formando-se em Direito. Apesar disso sua verdadeira aptidão era para o teatro, começando a estudar atuação em 1925. Seu debut na Broadway se deu em 1930 e no cinema, no ano seguinte. Sua associação com Orson Welles rendeu grandes obras como a transmissão radiofônica de "Guerra dos Mundos" em 1938, que causou terror na população dos EUA, e o filme "Cidadão Kane" (1941).

Seu sucesso seguiu aumentando nos anos seguintes em produções para o teatro, séries de TV e filmes cinematográficos como King Creole (1958), "Além da Imaginação" (1959-1964), "O Dia do Gafanhoto" (1975) e "MacGyver" (1985-1992).

Paul Stewart morreu em 17 de fevereiro de 1986, aos 77 anos.




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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Elvis, O Prisioneiro do Rock: Jailhouse Rock

JAILHOUSE ROCK (EUA, 1957)

Título brasileiro: O Prisioneiro do Rock
Gravação:
13 de maio - 17 de junho de 1957
Lançamento:
8 de novembro de 1957
Duração:
96min
Produtora:
Metro-Goldwyn-Meyer
Orçamento:
US$ 400,000
Arrecadação:
US$ 4 milhões
Elenco principal:
Elvis Presley
Judy Tyler
Mickey Shaughnessy
Jennifer Holden
Vaughn Taylor
Dean Jones
Trilha sonora:
"Jailhouse Rock" (single)
[b/w "Treat Me Nice"]
(24 de setembro de 1957)
"Jailhouse Rock" (EP)
(30 de outubro de 1957)
"Jailhouse Rock / Love Me Tender (CD)"
(15 de abril de 1997)
"Jailhouse Rock, Volumes 1 & 2 (CD/LP)"
(FTD, 2009/2010/2018)




Depois do sucesso dos dois primeiros filmes, Elvis já estava bem visto pelas produtoras cinematográficas. Com isso a esposa do produtor Pandro Berman o convenceu a usar Presley na adaptação do roteiro baseado em uma história escrita pelo roteirista Nedrick Young.

Apesar de ser a terceira produção com o Rei do Rock, o filme não chegou a ser listado pela MGM como um dos lançamentos de 1957 no seu anúncio anual na revista Variety porque Nedrick Young era um dos roteiristas presentes na "lista negra" dos estúdios.

Pandro deixou a escolha do elenco nas mãos de Benny Thau e Abe Lastfogel, os quais decidiram que Judy Tyler seria a atriz certa para contracenar com Elvis. Em seguida foi contratado o diretor Richard Thorpe (Murder at Dawn, 1932), conhecido por filmar de forma rápida (de fato as filmagens duraram apenas 34 dias).

Para a trilha sonora Pandro decidiu por Jerry Leiber e Mike Stoller, algo que acabaria na hilária cena em que o produtor musical Jean Aberback os trancou em um quarto de hotel até que tivessem criado todo o material para o filme devido a atrasos na entrega do mesmo.



A coreografia da cena principal, onde Elvis dança com os prisioneiros, foi desenvolvida por Alex Romero. O coreógrafo se baseou nos trabalhos de Fred Astaire e Grace Kelly para tal.

A coreografia e a cena em si são lembradas até hoje como "o melhor momento de Elvis no cinema" e pelo ar de "espetacular erotização, senão homoerotização, da imagem masculina". Na cena, como também nas cenas dentro da prisão, Elvis usou uma peruca e maquiagem para cobrir seu cabelo e as suíças. Todas as músicas na produção foram dubladas por Elvis e nenhuma regravação foi feita, uma das características da filmagem rápida de Thorpe.

Cartaz enviado aos cinemas pela MGM


Jailhouse Rock teve sua première em 8 de novembro de 1957 no Loew's State Theater, em Memphis. Sua arrecadação ficou até 1969 como uma das maiores do cinema, equivalendo a US$ 33 milhões nos dias atuais. A estreia nacional se deu em 18 de novembro e colocou o filme na quarta posição entre os mais assistidos de 1957.

Apesar dos bons resultados, a crítica teve uma visão negativa da produção. Para eles, forçar os papéis secundários a seguirem e se submeterem aos maneirismos do personagem principal durante todo o filme era uma ideia extremamente de mal gosto. A Associação de Pais e Mestres criticou pesadamente a cena em que Elvis e Judy Tyler aparecem deitados na mesma cama e classificou o filme como "um inferno com valores humanos ausentes". Um cartaz promocional do filme, onde Elvis abraça Judy Tyler, foi proibido de circular por ser considerado "um ato sexual explícito".


O controverso still promocional do filme

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TRILHA SONORA

Durante a promoção do filme, um single foi lançado em 24 de setembro de 1957. Ele continha a canção título no lado A e "Treat Me Nice", a única música que não sairia no disco oficial do filme, no lado oposto. O single chegou ao primeiro lugar nas paradas logo no lançamento e permaneceu no topo por três semanas.

Ao contrário dos dois primeiros filmes, a trilha sonora de Jailhouse Rock não recebeu um LP e apenas teve quatro das seis canções lançadas em um EP.

"Treat Me Nice", também presente no filme,  ficou de fora deste trabalho e só foi lançada como parte da trilha sonora em um CD de 1997 que também trouxe a trilha completa de Love Me Tender pela primeira vez. No lugar dela, a RCA colocou originalmente um extra de Loving You, a canção "Don't Leave Me Now".

A trilha sonora foi gravada em 6 sessões no Radio Recorders e no Sound Stage da MGM.





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ESTRELAS COADJUVANTES

JUDY TYLER

Nascida Judy Mae Hess em 9 de outubro de 1932 em Manhattan, New York, sua carreira começou ainda quando criança no teatro. Na adolescência ela participou regularmente da série "Howdy Doody" entre 1950 e 1953. Seu último filme foi "Jailhouse Rock", lançado postumamente, mas sua última aparição na TV se deu em dezembro de 1957, mais de seis meses após sua morte.

Depois de terminar suas cenas em "Jailhouse Rock", Judy e o marido Greg resolveram voltar para casa em Manhattan dirigindo no dia 3 de julho de 1957. Eles se envolveram em um grave acidente de carro onde Judy, com apenas 24 anos, morreu instantaneamente e seu marido, no dia seguinte.

Elvis nunca mais assistiu ao filme depois da morte da atriz.

MICKEY SHAUGHNESSY

Joseph C. Shaughnessy nasceu em 5 de agosto de 1920 em New York, New York, e ficou bem conhecido por seus papéis como o cara adorável, durão, mas pouco inteligente. Nessa esfera, o mais lembrado é o que fez em "Jailhouse Rock".

Mickey fez 18 filmes em  18 anos, entre 1952 e 1970. Além do cinema, ele também trabalhou em programas de TV e se apresentou em números de comédia em clubes noturnos - algo que fez até seus últimos dias.

O ator morreu de insuficiência cardíaca devido a um câncer de pulmão em 23 de julho de 1985, aos 64 anos.


JENNIFER HOLDEN

Holden nasceu em Chicago, Illinois, em 24 de outubro de 1936 e decidiu se aventurar no cinema aos 18 anos.

Ela foi escolhida para atuar no filme, que marca sua estreia no cinema, por sua versatilidade e seriedade. O fato de ela ter estudado drama com Lillian Roth, um dos maiores nomes da Broadway dos anos 1920 a 1940, também chamou a atenção. Apesar disso, a atriz fez somente 3 filmes entre 1957 e 1958.

Não há informações detalhadas sobre seu paradeiro atual, mas se sabe que - em 2022 - ela ainda está viva e tem 85 anos.



VAUGHN TAYLOR

Nascido em 22 de fevereiro de 1910 em Boston, Massachusetts, Taylor trabalhou como notário público em sua juventude e casou-se em 1933 com a radialista e atriz da Broadway Ruth Moss.

Depois de servir o exército durante a Segunda Guerra Mundial, ele voltou aos EUA e começou a trabalhar como extra ou ator coadjuvante em diversos filmes e séries.

Seu primeiro papel de destaque se deu com Jailhouse Rock, o que o levou a produções maiores como "Gata em Teto de Zinco Quente" (1958), com Elizabeth Taylor, "Psicose" (1960), de Alfred Hitchcock, e sua atuação final "Uma Corrida de Loucos" (1976), com Gary Busey.

Vaughn Taylor se aposentou em 1976 devido a problemas de saúde. O ator morreu de causas naturais em 26 de abril de 1983, aos 73 anos.

DEAN JONES

Nascido Dean Carroll Jones em 25 de janeiro de 1931 na cidade de Decatur, Alabama, Dean já tinha seu próprio programa de rádio na cidade enquanto fazia faculdade. Depois de retornar da Guerra da Coreia, o ator foi fazer residência em um teatro da California, estreou no cinema em 1956 e teve seu debut no teatro em 1960 ao lado de Jane Fonda.

Jones passou a aparecer como ator principal de diversos filmes da Disney a partir de 1963, sendo "O Fantasma do Barba Negra" (1968) o mais lembrado. A série de filmes sobre o Fusca Herbie (1977-1997) é outro dos highlights de sua carreira.

O ator morreu devido ao Mal de Parkinson em 1 de setembro de 2015, aos 84 anos.



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terça-feira, 25 de abril de 2017

Astro Principal Pela Primeira Vez: Loving You

LOVING YOU (EUA, 1957)

Título brasileiro:
A Mulher Que Eu Amo
Gravação:
Janeiro - março de 1957
Lançamento:
10 de julho de 1957
Duração:
101min
Produtora:
Paramount Pictures
Orçamento:
US$ 1.000,000
Arrecadação:
US$ 3,7 milhões
Elenco principal:
Elvis Presley
Lizabeth Scott
Dolores Hart
Trilha sonora:
"(Let Me Be Your) Teddy Bear" (single)
[b/w "Loving You"]
(11 de junho de 1957)
Loving You (LP)
(20 de junho de 1957)
Loving You, Volume 1 (EP)
(20 de junho de 1957)
Loving You, Volume 2 (EP)
(20 de junho de 1957)
Just For You (EP)
(21 de agosto de 1957)
Loving You Special Edition (CD)
(FTD, 12 de janeiro de 2006)


Depois de ser coadjuvante em "Love Me Tender", Elvis e o Coronel trabalharam duro para que as próximas produções trouxessem Elvis como o principal nome nos créditos e foi o que ocorreu já em seu segundo filme.

"A Garota Que Eu Amo" é também o segundo dos quatro filmes que Presley faria antes de entrar para o exército e o primeiro a trazer Elvis no papel de um cantor ascendendo em sua carreira, tramas que seriam vistas também em "Jailhouse Rock" e "King Creole". Isso foi um pedido pessoal de Elvis, que achou-se desconfortável em "Love Me Tender" por não estar interpretando algo que lhe parecesse natural.

O diretor Hal Kanter então passou algum tempo deliberando com Elvis em dezembro de 1956 até ter uma boa ideia de como modificar um de seus roteiros para que se adaptasse àquela visão do cantor.

Elvis com Dolores Hart (E) e Lizabeth Scott (D)


Originalmente o filme tinha três títulos possíveis: "Lonesome Cowboy" (Cavaleiro Solitário), "Something For the Girls" (Algo Para As Garotas) e "Running Wild" (aprox. Conquistando Tudo).

O último chegou a ser usado por Ed Sullivan em uma das aparições de Elvis em seu show, mas quando as filmagens começaram o título já havia sido mudado para "Loving You" para se encaixar com a música homônima composta por Jerry Leiber e Mike Stoller. Para o descontentamento de Elvis, o filme também havia sido modificado para conter canções que serviriam de merchandising tanto para o filme como para elas mesmas.

Em uma das cenas do filme, os membros da banda inicial de Elvis - DJ Fontana, Scotty Moore e Bill Black - estão presentes


Este seria seu primeiro papel em Technicolor e por isso Elvis achou que ficaria melhor com os cabelos pretos, pois o seu loiro natural poderia brilhar demais na tela (uma das reclamações que Elvis também fez ao ter de interpretar seu irmão gêmeo loiro em "Kissin' Cousins", em 1963). Além disso, seus ídolos, como Tony Curtis e James Dean, tinham cabelos pretos e Elvis seguia todos os seus passos com admiração. Depois da primeira vez, foram raras as ocasiões em que se viu o Rei do Rock com seus cabelos loiros.

Houve uma série de aparições especiais nessa produção. The Jordanaires, os backing vocals de Elvis nos shows e discos daquela época, aparecem logo no início do filme, onde seu personagem canta "Got a Lot O' Livin' to Do". Nessa mesma cena estão os pais de Elvis, Gladys e Vernon, fazendo cameo como membros da plateia do pequeno show improvisado. Mais à frente ainda podemos ver DJ Fontana, Scotty Moore e Bill Black, os membros da banda que se iniciou com Elvis e o acompanhava nas apresentações.

Na mesma cena em que aparecem The Jordanaires, Gladys e Vernon estão na plateia


"Loving You" teve sua première no Strand Theater, em Memphis, no dia 9 de julho de 1957. Elvis não compareceu à estreia e preferiu levar sua atual namorada, Anita Wood, e os pais dela para uma sessão especial privada à meia-noite. Tal fato talvez tenha se dado porque Elvis ainda estava abalado pela morte de Judy Tyler, sua co-estrela no próximo filme, "Jailhouse Rock", que morrera em um acidente de carro em 3 de julho, logo após o fim das filmagens.

O filme estreou nacionalmente em 30 de julho e ficou na 7ª posição logo no primeiro dia, permanecendo entre os dez mais assistidos por quatro semanas. Após a morte de sua mãe, Elvis jurou nunca mais ver o filme.

Poster original do Strand Theater anunciando as sessões de "Loving You"

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TRILHA SONORA

Em 6 de junho de 1957, a RCA fez sua primeira investida na trilha do filme ao lançar o single de "(Let Me Be Your) Teddy Bear", um hit nº 1 que ficou dez semanas nas paradas de sucesso, com a canção título no lado B.



Lançado em 20 de junho de 1957, este foi um dos discos de trilha sonora mais bem sucedidos de Elvis, ficando dez semanas em primeiro lugar nas paradas e sendo certificado como Ouro em 1968.Foi seguido por dois EPs - "Loving You, Volume 1" e "Loving You, Volume 2", lançados no mesmo dia, e um terceiro - "Just For You" - lançado em 21 de agosto.

Gravado em 12 sessões entre janeiro e fevereiro de 1957, o álbum traz as sete músicas escritas para o filme e mais quatro canções que já haviam sido lançadas em singles, como "(Let Me Be Your) Teddy Bear". "Don't Leave Me Now", que também está no disco, fora escrita para o filme, mas ficou de fora quando da reescrita do roteiro e foi encaixada em "Jailhouse Rock".





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ESTRELAS COADJUVANTES


LIZABETH SCOTT

Nascida Emma Matzo em 29 de setembro de 1921, Lizabeth sempre foi muito talentosa nas artes cênicas, sendo muito conhecida por seus filmes noir. Sua carreira começou em 1942 e se estendeu por 30 anos, embora somente tenha atuado em 22 filmes.

Em 1957, durante as filmagens de "Loving You", uma revista trouxe rumores de que ela era bissexual e tinha uma enorme lista de atrizes com quem se envolvia sexualmente. Elvis, que tinha receio de conviver com pessoas dadas como "devassas", teve muitos problemas para contracenar com ela. Verdade ou não, Lizabeth nunca se casou e não teve filhos.

Já aposentada, a atriz fez sua última aparição no filme "Pulp", de 1972, com Michael Caine.

A atriz faleceu em 31 de janeiro de 2015, aos 93 anos, devido a um infarto fulminante.



WENDELL COREY

Nascido em 20 de março de 1914, Wendell começou a carreira nos anos 1930, alcançando sua primeira grande oportunidade em 1942. Em 1957, o ator já era muito conhecido por seus papéis, principalmente na produção de Alfred Hitchcock "Janela Indiscreta" (1954).

Sua notoriedade o levou a ser presidente da Academia de Filmes, Artes e Ciências e do Sindicato dos Atores. Corey foi deputado por 3 anos e tentou se eleger para Senador, mas perdeu.

Wendell Corey morreu em decorrência da cirrose provocada por seu alcoolismo em 1968, aos 54 anos.



JAMES GLEASON

Nascido em 23 de maio de 1882, Gleason começou sua carreira no teatro e depois chegou ao cinema ainda na era dos filmes mudos. Além de ator, James também foi roteirista (sua obra mais conhecida é "A Melodia da Broadway", versão de 1934). "Loving You" foi seu penúltimo filme.

James Gleason morreu de causas naturais em 1959, aos 76 anos.



DOLORES HART

Dolores Hicks nasceu em 20 de outubro de 1938 e começou sua carreira em 1957 com "Loving You". No ano seguinte ela viveria um dos interesses amorosos de Danny Fisher, outra personagem de Elvis,  em "King Creole".

Sua atuação no cinema duraria apenas 6 anos, até 1963, mas a atriz trabalhou com grandes nomes como Alfred Hitchcock e em séries de sucesso como "O Homem da Virginia".

Em 1961, ao filmar "São Francisco de Assis" em Roma, Dolores conheceu o Papa João XXIII. Essa foi a chamada espiritual para a atriz, que se tornou freira em 1963.

Hoje Dolores é Madre Superiora e concorreu a um Oscar em 2012 pelo documentário sobre sua vida, "Deus É Maior Que Elvis". Ela tem 83 anos.






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terça-feira, 18 de abril de 2017

Elvis Conquista Hollywood: Love Me Tender

LOVE ME TENDER (EUA, 1956)

Título brasileiro:
Ama-Me Com Ternura
Gravação:
Junho - agosto de 1956
Lançamento:
15 de novembro de 1956
Duração:
89min
Produtora:
20th Century Fox
Orçamento:
US$ 1.250,000
Arrecadação:
US$ 4,5 milhões
Elenco principal:
Elvis Presley
Debra Paget
Richard Egan
Trilha sonora:
"Love Me Tender" (single)
[b/w Any Way You Want Me]
(28 de setembro de 1956)
"Love Me Tender" (EP)
(15 de novembro de 1956)
"Love Me Tender" (CD)
[b/w "Jailhouse Rock"]
(15 de abril de 1997)
"Love Me Tender" (2xCD)
(FTD, 2014)



Depois das excelentes repercussões de suas aparições em programas como "The Milton Berle Show" e "The Ed Sullivan Show", era natural que o próximo passo fosse levar Elvis a Hollywood. E a ideia não era má para o cantor sensação do momento, pois ele mesmo havia sido lanterninha durante a adolescência e almejava, entre tantas outras coisas, se tornar um ator de cinema para seguir os passos de seus ídolos que eram nada menos que Marlon Brando, James Dean e Tony Curtis.

Em 26 de março de 1956, Hal Wallis deu a oportunidade de ouro a Elvis com seu primeiro teste.

Wallis e seus parceiros da Paramount Pictures ficaram boquiabertos com a naturalidade que o jovem cantor passava em sua interpretação e o consideraram seriamente para papéis sérios em muitos filmes (mas como se sabe, depois de "King Creole" Elvis passou a fazer filmes medíocres).

Em 6 de abril Elvis recebeu a proposta de contrato para um filme e outros seis que poderiam ser negociados, com liberdade para filmar uma produção por ano com outra produtora qualquer. A assinatura do mesmo se deu em 25 de abril, mas Elvis estava tão confiante em sua contratação que deixou claro em uma entrevista no dia 10 que estaria em uma das próximas produções da Paramount.

Elvis e Debra Paget posam para foto promocional


Wallis prometeu a Elvis que ele faria um drama sério para que sua carreira no cinema decolasse de imediato e ele esperava estrelar em "The Rainmaker" ao lado de Burt Lancaster, mas mudanças de planos o colocaram em um então pequeno papel que já fora recusado por Robert Wagner e Jeffrey Hunter.

O filme era "The Reno Brothers", uma adaptação da história dos irmãos Reno que provavelmente não teria sucesso uma vez que uma adaptação da mesma história havia sido lançada no ano anterior pela RKO Radio Pictures.

Segundo Jane Juanico, a namorada de Elvis na época, ele não ficou muito contente com a ideia de começar com um papel secundário e que ainda por cima morreria no fim. Ao saberem que Elvis havia aceitado a proposta, os produtores aumentaram suas falas e aparições no filme, não podendo porém mudar o final por ser uma história real. Em 13 de agosto de 1956, Elvis foi emprestado para a 20th Century Fox e as filmagens finalmente começariam no dia 22 do mesmo mês.

Elvis recebe instruções do diretor Robert Webb


Elvis chegou à locação não só com todas as suas falas decoradas, mas também com as falas de todo o resto do elenco. De início ele achou tudo muito difícil, declarando em um dado ponto que havia passado "o dia todo atrás de um bando de mulas". Mas em menos de um mês Elvis já havia gravado todas as suas cenas mostrando que era uma pessoa muito séria quando se tratava de trabalho. Na verdade, ele até corrigia colegas quando estes erravam os textos.

Em 9 de setembro, durante uma pausa nas filmagens, Elvis cantou "Love Me Tender" pela primeira vez no The Ed Sullivan Show. Duas semanas depois a RCA confirmou o lançamento do single. O tremendo sucesso do disco fez com que o título do filme fosse mudado para "Love Me Tender".

Première em Nova York; 15 de novembro de 1956


Mas o filme parecia que não iria tão bem, pois o fato de o personagem de Elvis morrer não era bem-vindo pela plateia selecionada para fazer a crítica inicial. Tentando encontrar um consenso entre manter a cena da morte e agradar os fãs, a produção editou o final colocando um verso extra da música título sobre a cena. Mesmo assim, na première de 20 de novembro de 1956 em Memphis, Gladys, a mãe de Elvis, chorou copiosamente ao vê-lo morrer na tela. Isso fez com que Elvis jurasse nunca mais fazer um filme em que seu personagem morresse no final (o que não foi totalmente cumprido).

Em outro fato inédito, a 20th Century Fox produziu 575 cópias do filme quando em geral os grandes filmes recebiam apenas 200 cópias. Na primeira semana de exibição, o filme já havia recuperado os gastos da produção e no início de dezembro já estava lucrando milhares de dólares.

"Love Me Tender" ficou em 2º lugar nas bilheterias, apenas atrás do filme póstumo de James Dean, "Giant", fechando o ano como o 23º em arrecadação, outro recorde do cinema.

Elvis e Richard Egan relaxam no intervalo das filmagens


Em seu livro "Me and a Guy Named Elvis", Jerry Schilling descreve a atmosfera dentro do Loew's Theater, em Memphis, na première do dia 20 de novembro: "Os gritos das fãs eram tão altos que eu não conseguia entender o que se passava no filme. Foi a primeira vez que vi uma platéia se comportar como se estivesse em um show ao vivo, respondendo alto a cada movimento e palavra proferida pelo ídolo."

Elvis confessou mais tarde a Cliff Gleaves que achava essas manifestações das fãs embaraçosas e altamente prejudiciais à sua aceitação como um ator sério.

Foto acima: Elvis e Debra Paget relaxam entre cenas.
Foto abaixo: Elvis interpreta "We're Gonna Move".

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TRILHA SONORA

O filme originalmente seria um drama sério para Elvis, mas devido à popularidade do cantor, o Coronel quis tentar lucrar mais ao promover o filme com músicas e as músicas com o filme. Assim, foram adicionadas quatro trilhas à produção.

Em 28 de setembro de 1956 a RCA lançou o single de "Love Me Tender", cujo lado B era "Any Way You Want Me".

Este single gerou um fato inédito na história da música até hoje: Sem nem mesmo ter sido produzido ainda, ele já ganhara o certificado de Ouro pelos pedidos de pré-venda.

"Love Me Tender", sendo uma reimaginação da balada "Aura Lee" dos tempos da Guerra Civil, teve um grande apelo comercial. Embora a letra tenha sido escrita por Ken Darby, ele cedeu os direitos a sua esposa, Vera Matson, e a Elvis.

Em 27 de novembro de 1956 a RCA lançou o EP de "Love Me Tender" contendo as quatro canções presentes no filme: "Love Me Tender", "Let Me", "Poor Boy" e "We're Gonna Move".

Este disco chegou ao 9º lugar nas vendas, com 600 mil exemplares comercializados.

As quatro músicas foram gravadas durante 3 sessões entre agosto e outubro de 1956. O trecho extra presente no fim do filme só foi comercializado após a morte de Elvis.






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ESTRELAS COADJUVANTES


DEBRA PAGET

Debra nasceu Debralee Griffin em 19 de agosto de 1933 e teve seus primeiros contatos com os palcos aos tenros 8 anos. Trabalhou no rádio entre 1950 e 1956, quando atuou ao lado de Elvis Presley. Segundo ela, Elvis a pediu em casamento durante as filmagens.

Paget não gostava do sistema hollywoodiano que prendia o ator por contrato a um determinado estúdio e quebrou diversas cláusulas por várias vezes. Sem estúdios que a quisessem de forma permanente, a atriz encerrou sua carreira em 1965.

Debra se tornou Testemunha de Jeová em 1987. No mesmo ano ela recebeu o prêmio Golden Boot por sua contribuição aos filmes western e estrelou seu próprio programa, "Interlude with Debra Paget" na rede de TV evangélica TBN.

Atualmente (2022), aos 88 anos, ela vive sozinha.

RICHARD EGAN

Egan nasceu em San Francisco, California, em 29 de julho de 1921 e começou sua carreira em 1949 atuando em filmes bíblicos e faroestes. Ele se tornou subitamente famoso após ganhar um Golden Globe em 1953. 
Contracenou com Elvis em 1956 e participou de várias séries e filmes de diversas produtoras. Em sua trajetória, ficou muito conhecido por introduzir novos atores no cinema, como o famoso boxeador Ryan O'Neal.

O ator casou-se com a atriz Patricia Hardy em 1958. Ele se dedicou ao teatro e televisão de 1974 a 1987. 
Richard Egan faleceu devido a um câncer de próstata em 1987, aos 65 anos.




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