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terça-feira, 7 de novembro de 2023

O ÚNICO CANTOR MOVIDO A ENERGIA ATÔMICA: 1956 – A PRIMEIRA VEZ DE ELVIS EM LAS VEGAS

Elvis em frente à sua moldura de
papelão, posicionada na entrada
do New Frontier Hotel - 1956
Em 1829, Rafael Rivera, um jovem europeu, descobriu um lindo vale norte-americano onde o mato brilhante crescia selvagem. Ele deu ao vale o nome “Las Vegas” – em espanhol, “as pradarias”.

Foi descoberto, posteriormente, que essa parte do deserto tinha fontes de água naturais, o que atraiu os pioneiros. Mais tarde, os Mormons construiriam na região um forte para que os seguidores da religião tivessem onde passar a noite em sua viagem em busca de mantimentos entre Salt Lake City e Los Angeles.

Nevada se tornaria o trigésimo sexto estado dos Estados Unidos em 1844. No fim dos anos 1800, o ouro e o ferro descobertos na região atrairiam uma multidão.

Mas Las Vegas, oficialmente fundada em 1905, se fazia famosa não por isso, e sim pelas leis liberais da cidade. Lá podia-se divorciar-se em questão de dias. Em 1911 um divórcio poderia sair em questão de horas, bastando ter residido na cidade por mais de seis semanas. A cidade foi crescendo cada vez mais com a chegada desses tipos e se tornou um local com ruas cheias de hotéis e lojas.

Em 1931, a construção da Represa Hoover promoveu um boom na população. No mesmo ano as jogatinas foram legalizadas e logo Al Capone tornou-se uma figura constante naquelas ruas. No ano de 1935, enquanto Elvis nascia do outro lado do país, a cidade encheu-se de pequenos cassinos frequentados por pobretões e jogadores compulsivos que logo foram afastados com a chegada de Lucky Luciano e seus amigos da máfia, os quais viram ali grande potencial para lavagem de dinheiro.

A pequena Las Vegas em 1905


Através do sócio Bugsy Siegel, Luciano inaugurou em 1946 o Flamingo Hotel & Casino. Bugsy foi morto em seguida, sob alegação de roubo de lucros, por outro parceiro de Luciano, Meyer Lansky, que se apropriou da fama por ter “dado vida” a Las Vegas.

A cidade logo se tornou uma “ilha da fantasia”para adultos, trazendo pessoas de todos os lugares que queriam liberdade para jogar e contratar alguma garota dos chamados “serviços de acompanhante”. Sammy Davis Jr.Dean Martin, Frank Sinatra - The Rat Pack -, todos grandes figuras, entretinham as multidões, mas Las Vegas não tinha um rei – não até 1969.


The Rat Pack em apresentação em Las Vegas em 1965. Esquerda para a direita:
Dean Martin, Sammy Davis, Jr., Frank Sinatra e Johnny Carson.


Antes disso, ainda em 1956, o jovem cantor Elvis Presley chega à Cidade do Pecado com grande entusiasmo. Coronel Parker havia conseguido um contrato para apresentações no New Frontier Hotel entre 23 de abril e 6 de maio daquele ano pela astronômica quantia (à época) de US$ 17 mil.

Elvis já havia tido diversos sucessos de venda e crítica, e parecia lógico.Hearbreak Hotel” estava no topo das paradas e já vendera mais de um milhão de cópias, enquanto seu primeiro LP pela RCA, “Elvis Presley”, ia bem com 360 mil cópias vendidas. Seu contrato com a Paramount para “Love Me Tender” já era de conhecimento público também.

Os fatores contribuíam para que a experiência em Vegas fosse um sucesso. Mas a Cidade do Pecado estaria preparada para Elvis?


Poster do lobby do New Frontier Hotel anunciando os shows de Elvis - 1956


Em 23 de abril de 1956, enquanto bombas atômicas eram testadas no deserto próximo, Freddy Martin e sua orquestra eram a atração principal, mas o Coronel não deixou que a atenção fosse desviada de sua mina de ouro. Panfletos para a atração entregues na rua liam: Freddy Martin e Sua Orquestra com Shecky Greene e Atração Extra ELVIS PRESLEY – ‘O Cantor Movido a Energia Atômica’.

Em termos de publicidade, o Coronel era gênio. Ele pediu pessoalmente à RCA que ajudasse na divulgação do slogan “O Único Cantor da América Movido a Energia Atômica” e passou a inseri-lo em todos os cartazes e panfletos. A imagem clássica de Elvis em seu primeiro álbum pela RCA, tirada durante um show em Tampa, Flórida, foi usada e ampliada para a criação de um modelo de 6 metros de altura que impressionava o público que passava pela frente ou entrava no local.

Mas a plateia de Las Vegas era um desafio totalmente diferente. Era constituída de pessoas da alta sociedade, almofadinhas, e adultos em geral. Não era o território de Presley – na verdade, mal se via um adolescente por ali. Milton Berle havia trabalhado a figura de Elvis algumas semanas antes, levando-o a seu programa por duas vezes seguidas. Em 3 de abril, Elvis fez sua apresentação mais selvagem na TV, sendo assistido por 40 milhões de pessoas que amaram ou odiaram, mas com certeza nunca esqueceram. Sua performance foi alvo de críticas ferrenhas por seu “comportamento lascivo e obsceno”.

Vinte dias depois, as cortinas se abriam no New Frontier Hotel para mostrar um Elvis nervoso com Bill Black no baixo, Scotty Moore na guitarra e D.J. Fontana na bateria. A plateia os recebia com um silencioso olhar de surpresa. Para eles, aqueles quatro garotos pareciam caipiras ou uma forma de vida alienígena.

Muitos não conseguiam entender o sotaque de Elvis ou as frases que soltava aleatoriamente – muito menos sua música. Um grande grupo de pessoas se retirou depois que um homem levantou-se e, aos gritos, perguntou “que merda” era “aquela gritaria e barulheira”. E essa reação continuaria pelos próximos 14 dias. Para piorar, Elvis fazia duas apresentações de 12 minutos cada por dia – um sofrimento em dobro.

Elvis e Scotty Moore durante apresentação em Vegas - 1956


Pensando em melhorar as coisas, a gerência do New Frontier colocou um show extra no dia 28 de abril para os fãs adolescentes de Elvis, os quais não podiam entrar nas outras apresentações por causa da venda de bebidas alcoólicas.  Os jovens pagaram apenas um dólar pela entrada, valor que lhes dava direito a um refrigerante, e o total arrecadado foi revertido para a Federação Juvenil de Baseball de Las Vegas. Naquela noite Elvis voltou a ser o centro das atenções e alvo de gritos – mas de histeria. A plateia, composta majoritariamente de mulheres, saiu do show completamente exausta. Elvis, também.

Um jornalista do The Memphis Press Scimitar, jornal local de Memphis, descreveu a ocasião:

Os adolescentes que não podiam ver o show normal estavam pedindo para serem atendidos, e por isso a gerência montou um show especial.
A carnificina foi terrível. Eles se empurraram e se acotovelaram para entrar no salão com mil lugares e centenas de jovens extasiados zuniram como abelhas zangadas do lado de fora.
Depois do show, tumulto! Uma turba que gritava e ria cercou-o; ele fugiu para o santuário inseguro de sua suíte. A porta não os conteve. Eles agarravam sua camisa e a despedaçaram. Uma garota triunfante se agarrou a um botão como se fosse um diamante.
Um esquadrão policial teve de ser chamado para liberar o local.
Uma mulher mais velha, que havia sido surpreendida pela gigante onda juvenil, discutia o ocorrido confusa e incrédula no balcão do bar, onde bebia um coquetel medicinal para se acalmar.
“Meu Deus, o que aquelas garotas fizeram no banheiro! Batom por toda a parede... cestas de lixo jogadas e papel espalhado... parecia com o final de uma demolição.”
Elvis riu de tudo; “Nossa”, ele disse, “não foi tão ruim quanto outras vezes. Como quando elas jogaram pedras nas janelas do ônibus para tentar me agarrar e conseguir autógrafos.”

Elvis e Judy Spreckles nos bastidores do
The Milton Berle Show - 5 de junho de 1956
Fora dos palcos, Elvis passava a maior parte de seu tempo com a atraente Judy Spreckles, que havia se divorciado do barão do açúcar Adolph Spreckles. Eles haviam forjado uma forte amizade que se estenderia ao longo dos anos até a morte de Elvis e, ao que se sabe, era bem quista pelos pais do cantor.

Em 1974, quando o Rei gostava de polemizar em seus shows, ele a apresentou para a plateia – com direito a holofotes -  composta, além dos fãs, por Priscilla.


Durante seu romance em 1956, Spreckles presenteou Elvis com um anel de safira negra em forma de estrela – o qual ele deu a Priscilla posteriormente.

De volta ao palco do New Frontier em 1956, os ânimos não eram os melhores. A plateia recebia Elvis e sua banda sempre com desdém. Infelizmente não há muitos áudios disponíveis daquelas apresentações para realmente podermos tirar alguma conclusão, nem fotos em quantidade para se poder atestar quais roupas foram usadas. Dos áudios disponíveis, somente o segundo show de 6 de maio, a última noite de apresentações, é encontrado de forma completa, dando uma pequena brecha para o conteúdo e atmosfera da primeira temporada de Elvis em Vegas.

As críticas, geralmente negativas, eram sempre as partes mais lidas e esperadas dos jornais. Abaixo destacamos partes de críticas feitas durante as duas semanas de Elvis em Vegas no ano de 1956.

 Elvis Presley, que chegou aqui com uma onda de publicidade e falhou em atingir a marca prometida nesta ilha em pleno deserto. O forte e ensurdecedor som de seu rhythm and blues, que o levou ao estrelato em outras partes, é insuportável. Seu som é tão péssimo quanto as letras e suas canções sem sentido. – Resenha de Bill Willard - Las Vegas Sun, 28 de abril de 1956.

Depois de finalmente conhecer Elvis Presley, não sei se serei feliz novamente. Elvis Presley é um jovem e intenso cantor que provavelmente ainda nem fez sua primeira barba, bebeu sua primeira cerveja ou deu seu primeiro beijo. E ele fica lá, maltratando seu violão; ele se balança como se estivesse com coceira nas roupas íntimas ou sapatos quentes. – Resenha de repórter desconhecido – Las Vegas Sun, 1º de maio de 1956.

Da parte da imprensa, poucos tinham coragem de falar em favor de Elvis como o jornalista Ed Jameson.

Não vim enterrar Cesar; vim agraciá-lo. É uma fraqueza da mente julgar algo antes de qualquer coisa. Apesar das críticas negativas e do rebuliço feito pelos meios jornalísticos, eu acho que o Sr. Presley vai sobreviver e cantar ainda mais. Não vai demorar muito para ele ser conhecido por todo o país. Ele tem um tom de voz profundo; ele tem classe, é calmo, legal e cheio de novidades. A música dele é surreal e única, cheia de mistério – ele realmente as faz chorar. Então, acalme-se, papai. Tire o sangue dos olhos. O garoto vai longe. Boa sorte, garoto. – Resenha de Ed Jameson – Las Vegas Sun, 12 de maio de 1956.


Abaixo você pode ouvir a última apresentação de Elvis em Vegas em 1956.
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quinta-feira, 27 de julho de 2023

A Boy from Tupelo - The Complete 1953-55 Recordings (Livro + 3xCD - FTD, 2012 / Sony Legacy, 2017) [The Sun Masters- LP - Sony, 2017]

Título:
A Boy from Tupelo - The Complete 1953-55 Recordings
Selo:
FTD [FTD 205] [506020 975049]
Formato:
Livro + CD triplo
Número de faixas:
100
Duração:
221:00
Tipo de álbum:
Estúdio / Sessão de gravação / Concerto
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2012
Gravação:
18 de julho de 1953 a 4 de novembro de 1955
Lançamento:
16 de agosto de 2012
Singles:
---


A Boy from Tupelo - The Complete 1953-55 Recordings é o primeiro trabalho da RCA e Sony, em parceria com a Follow That Dream, a reunir de forma oficial todas as gravações disponíveis do período inicial da carreira de Elvis, incluindo raridades que se pensava terem sido perdidas para sempre. O CD triplo é o acompanhamento de um livro contando em detalhes a ascensão do Rei do Rock ao estrelado mundial. O trabalho não está mais no catálogo da gravadora.


Ao completar 18 anos, no início de 1953, o jovem Elvis Presley já demonstrava um grande interesse pela música. Com os estudos básicos terminados e trabalhando como eletricista para a Crown Electric, Co., as andanças no caminhão da empresa por Memphis lhe permitiam observar com frequência o grande movimento de artistas em busca de sucesso no pequeno estúdio localizado na rua Union, o Sun, uma pequena divisão da Memphis Recording Service aberta apenas três anos antes, e isso lhe chamava a atenção.

Elvis não era estranho à música, principalmente a Gospel e a Rockabilly, gêneros que ele mais apreciava. De fato, o Rei do Rock já havia ganho um pequeno prêmio pela obtenção do terceiro lugar em um concurso musical em 1945, com apenas dez anos de idade, onde cantara uma versão emocionante de "Old Shep". Em entrevistas dadas anos após a morte do cantor, JD Sumner sempre contou que aquele garoto comparecia assiduamente aos cultos em que ele se apresentava com os Blackwood Brothers em Memphis desde 1948, e que frequentemente os abordava com perguntas aparentemente sem sentido sobre música.

Depois de criar coragem e de pedir um adiantamento salarial para seu chefe, Elvis pegou seu violão e foi até o Sun Studio para gravar um acetato com duas faixas em 18 de julho de 1953 (data disputada por documentos que apresentam o acontecido em 22 de agosto daquele ano).

Sua desculpa era de que aquilo seria um presente para o aniversário de sua mãe, o que hoje soa estranho por sabermos que Gladys nascera em 25 de abril e que os Presley e seus familiares não tinham condições financeiras de terem uma vitrola. Acredita-se então que a verdadeira intenção do jovem era ouvir sua voz gravada e ao exibi-la para o dono do estúdio, Sam Phillips, descobrir se ela era musical e vendável.

Nada aconteceria e mais uma vez Elvis iria ao Sun, dessa vez em 4 de janeiro de 1954, para gravar mais duas faixas. Ele seria dispensado novamente, mas graças à secretária de Phillips, Marion Keisker, teria seu nome lembrado quando o chefe admitira estar procurando algo novo e inédito, uma mistura do ritmo negro com a voz branca.

Um pequeno ensaio em 25 de junho provou ser infrutífero, mas quando o cantor se juntou a Scotty Moore, Bill Black e D.J. Fontana em 5 de julho de 1954 uma certa mágica aconteceu: a partir de um improviso nasceu "That's All Right", a inovação que Phillips procurava e que se tornaria um sucesso local em seu lançamento 14 dias depois.

Não demorou muito para que Elvis Presley se transformasse em um nome de peso na música dos estados sulistas e passasse a se apresentar como atração principal em shows famosos como o The Louisiana Hayride e o Grand Ole Opry pelos próximos dois anos.

Na segunda metade de 1955, seus singles começaram a chegar às paradas nacionais, com "I Forgot to Remember Forget" indo para o número 1, o que convenceu a RCA a comprar o contrato do cantor. Presley e o Rock 'n' Roll ainda eram sucessos não comprovados, mas a partir de "Heartbreak Hotel", primeiro single pela nova gravadora, a história mudaria completamente.

"A Boy from Tupelo - The Complete 1953-55 Recordings" traz uma quase completa jornada em áudio por esse período de ascensão ao disponibilizar todos os Masters gravados por Elvis de 1953 a 1955 e a maior parte dos takes alternativos dos mesmos, alguns até então inéditos.

Surpreendentemente, a pesquisa das gravadoras foi capaz de encontrar as fitas originais com os Masters do Sun para "That's All Right" e "Blue Moon of Kentucky", possibilitando que pela primeira vez desde o lançamento em 1954 os fãs pudessem ouvir as versões consideradas perdidas, uma vez que a partir de 1956 somente os remasters da RCA foram vendidos.

Destacam-se também os remixes feitos pela gravadora em 1955 e 1956 sobre o material original do Sun, faixas inéditas até então e a versão de 1965 de "Tomorrow Night" com novos overdubs adicionados à gravação original.

No setor de takes alternativos estão presentes raridades que qualquer fã tem a obrigação de colecionar, como os sete takes de "I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version)" lançados anteriormente somente no LP duplo "Sunrise", de 1988. Todos os takes existentes das gravações no Sun são apresentados em transferências a partir das fitas originais, sendo que a maior parte nunca havia sido remasterizada desde o LP duplo "The Complete Sun Sessions", de 1987.

As versões ao vivo no terceiro CD não apresentam muitas coisas novas, sendo que a maioria já estava no mercado há anos em bootlegs, mas é a primeira vez que são reunidas com qualidade e de forma oficial. Os itens inéditos e mais raros aqui são as faixas gravadas em 5 de março de 1955 no Louisiana Hayride, as quais foram transferidas digitalmente de um acetato em péssimas condições que foi destruído no processo.

O box da FTD também traz um livro de 512 páginas com material majoritariamente inédito. Das 500 fotos disponibilizadas, 200 são vistas aqui pela primeira vez, bem como boa parte das informações sobre como Elvis saiu do anonimato para o estrelato nacional em menos de um ano e meio. Tanto o livro quanto os CDs foram editados em um longo processo dispendioso iniciado em 2007, o que fez com que este trabalho tivesse sua venda limitada a 3 mil cópias.

No trabalho constam as seguintes faixas:

CD 1
GRAVAÇÕES PRIVADAS
1. My Happiness (18/07/53)
2. That's When Your Heartaches Begin (18/07/53)
3. I'll Never Stand in Your Way (04/01/54)
4. It Wouldn't Be the Same (Without You) (04/01/54)
GRAVAÇÕES DO SUN
5. Harbor Lights
6. I Love You Because
7. That's All Right [45 RPM SUN Master) [Original SUN sound as released in 1954]
8. Blue Moon of Kentucky (45 RPM SUN Master) [Original SUN sound as released in 1954]
9. Blue Moon (Original SUN tape)
10. Tomorrow Night
11. I'll Never Let You Go (Little Darlin')
12. I Don't Care If the Sun Don't Shine
13. Just Because
14. Good Rockin' Tonight
15. Milkcow Blues Boogie
16. You're a Heartbreaker
17. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version) [Original SUN tape]
18. Baby Let's Play House
19. I'm Left, You're Right, She's Gone
20. I Forgot to Remember to Forget (SUN tape copy)
21. Mystery Train (SUN tape copy, with ending from digital transfer of 78 RPM RCA single)
22. Tryin' to Get to You
23. When It Rains, It Pours (Original SUN vocal channel slapback tape)
REMASTERS DA RCA
24.That's All Right (RCA Single Version) [With RCA added echo]
25. Blue Moon of Kentucky (RCA Single Version 78 RPM Master)
26. I Love You Because (RCA LP Version, spliced from takes 3 & 5)
27. Tomorrow Night (RCA 1965 LP Version, overdubbed and slowed down)

CD 2
MASTERS E TAKES ALTERNATIVOS ORIGINAIS
1. Harbor Lights (Takes 1-2, level adjustments) [Original SUN tape]
2. Harbor Lights (Take 3/M) [Original SUN tape]
3. Harbor Lights (Take 4) [Original SUN tape]
4. Harbor Lights (Takes 5-6) [Original SUN tape]
5. Harbor Lights (Take 7) [Original SUN tape]
6. Harbor Lights (Take 8) [Original SUN tape]
7. I Love You Because (Take 1) [Original SUN tape]
8. I Love You Because (Take 2) [Original SUN tape]
9. I Love You Because (Take 3) [Original SUN tape]
10. I Love You Because (Take 4) [Original SUN tape]
11. I Love You Because (Take 5) [Original SUN tape]
12. That's All Right (Takes 1-2) [Original SUN tape]
13. That's All Right (Take 3) [Original SUN tape]
14. Dialogue [Digital transfer of SUN tape]
15. Blue Moon of Kentucky (Slow Tempo Outtake) [Digital transfer of SUN tape]
16. Blue Moon (takes 1-3) [Original SUN tape]
17. Blue Moon (take 4) [Original SUN tape]
18. Blue Moon (take 5) [Original SUN tape]
19. Blue Moon (takes 6-7) [Original SUN tape]
20. Blue Moon [take 8) [Original SUN tape]
21. Blue Moon (take 9/M) [Original SUN tape]
22. Dialogue Fragment (before 'Tomorrow Night') [Original SUN tape]
23. I'll Never Let You Go (Little Darlin') (Incomplete Take) [Original SUN tape]
24. Good Rockin' Tonight (Fragment from Vocal Slapback tape) [Original SUN tape]
25. I Don't Care if the Sun Don't Shine (takes 1-2) [Original SUN tape]]
26. I Don't Care if the Sun Don't Shine (take 3/M) [Original SUN tape]
27. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 1) [Original SUN tape]
28. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 2) [Original SUN tape]
29. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 3) [Original SUN tape]
30. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 4)[Original SUN tape]
31. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 5/M) [Original SUN tape]
32. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 6) [Original SUN tape]
33. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 7) [Original SUN tape]
34. How Do You Think I Feel (Guitar Slapback tape, rehearsal + take 1) [Digital transfer of SUN Guitar Channel Slapback tape]
35. How Do You Think I Feel (Guitar Slapback tape, rehearsals) [Digital transfer of SUN Guitar Channel Slapback tape]
36. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Take 1) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
37. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Take 2, rehearsal) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
38. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Takes 3-4) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
39. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Take 5/M) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
40. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Take 6-7) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
41. When It Rains It Pours [Vocal Slapback tape, Take 8) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
(texto em vermelho: material até então inédito)

CD 3
AO VIVO NO LOUISIANA HAYRIDE
1. That's All Right (16/10/54)
2. Blue Moon of Kentucky (16/10/54)
3. Shake, Rattle and Roll (06/01/55)
4. Fool, Fool, Fool (06/01/55)
5. Hearts of Stone (15/01/55)
6. That's All Right (15/01/55)
7. Tweedlee Dee (15/01/55)
8. Shake, Rattle and Roll (19/01/55)
9. KSIJ Radio commercial with DJ Tom Perryman (??/??/55)
10. Money Honey (22/01/55)
11. Blue Moon of Kentucky (22/01/55)
12. I Don't Care if the Sun Don't Shine (22/01/55)
13. That's All Right (22/01/55)
14. Tweedlee Dee (05/03/55)
15. Money Honey (05/03/55)
16. Hearts of Stone (05/03/55)
17. Shake, Rattle and Roll (05/03/55)
18. Little Mama (05/03/55)
19. You're a Heartbreaker (05/03/55)
20. Good Rockin' Tonight (19/03/55)
21. Baby Let's Play House (??/03/55)
22. Blue Moon of Kentucky (19/03/55)
23. I Got a Woman (19/03/55)
24. That's All Right (19/03/55)
25. Tweedlee Dee (30/04/55)
26. Interview with Mae Boren Axton (12/05 ou 28/07/55) [Digital transfer of 1981 BBC broadcast tape copy]
27. That's All Right (26/05/55) [Broadcast tape]
28. I'm Left, You're Right, She's Gone (02/07/55)
29. Baby Let's Play House (20/08/55)
30. Maybellene (20/08/55)
31. That's All Right (20/08/55)
32. Interview with Bob Neal (29-31/08/55)
(texto em vermelho: material até então inédito)

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Título:
A Boy from Tupelo - The Complete 1953-55 Recordings
Selo:
Sony Legacy [88985 41773 2]
Formato:
Livro + CD triplo
Número de faixas:
85
Duração:
180:00
Tipo de álbum:
Estúdio / Sessão de gravação / Concerto
Vinculado a:
Discografia oficial
Ano:
2017
Gravação:
18 de julho de 1953 a 4 de novembro de 1955
Lançamento:
28 de julho de 2017
Singles:
---


Cinco anos após a colaboração com a FTD, a Sony Legacy decidiu lançar sua própria versão devido ao sucesso da anterior. O trabalho trouxe praticamente o mesmo material presente no box de 2012, retirando 15 faixas e adicionando a até então inédita rendição ao vivo de "I Forgot to Remember to Forget" em 29 de outubro de 1955. De 512 páginas, o livro foi reduzido para meras 120 com calendários e uma espécie de diário de viagens acompanhando Elvis em seus shows.

Na edição da Sony Legacy constam as seguintes faixas:

CD 1
GRAVAÇÕES PRIVADAS
1. My Happiness (18/07/53)
2. That's When Your Heartaches Begin (18/07/53)
3. I'll Never Stand in Your Way (04/01/54)
4. It Wouldn't Be the Same (Without You) (04/01/54)
GRAVAÇÕES DO SUN
5. Harbor Lights
6. I Love You Because (Unprocessed Master Edit)
7. That's All Right [45 RPM SUN Master) [Original SUN sound as released in 1954]
8. Blue Moon of Kentucky (45 RPM SUN Master) [Original SUN sound as released in 1954]
9. Blue Moon (Original SUN tape)
10. Tomorrow Night
11. I'll Never Let You Go (Little Darlin')
12. I Don't Care If the Sun Don't Shine
13. Just Because
14. Good Rockin' Tonight
15. Milkcow Blues Boogie
16. You're a Heartbreaker
17. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version) [Original SUN tape]
18. Baby Let's Play House
19. I'm Left, You're Right, She's Gone
20. I Forgot to Remember to Forget (SUN tape copy)
21. Mystery Train (SUN tape copy, with ending from digital transfer of 78 RPM RCA single)
22. Tryin' to Get to You
23. When It Rains, It Pours (Original SUN vocal channel slapback tape)
REMASTERS DA RCA
24.That's All Right (RCA Single Version) [With RCA added echo]
25. Blue Moon of Kentucky (RCA Single Version 78 RPM Master)
26. I Love You Because (RCA LP Version, spliced from takes 3 & 5)
27. Tomorrow Night (RCA 1965 LP Version, overdubbed and slowed down)
(texto em vermelho: material até então inédito)

CD 2
MASTERS E TAKES ALTERNATIVOS ORIGINAIS
1. Harbor Lights (Takes 1-3) [Original SUN tape]
2. Harbor Lights (Take 4) [Original SUN tape]
3. Harbor Lights (Takes 5-8) [Original SUN tape]
4. I Love You Because (Take 1, 2) [Original SUN tape]
5. I Love You Because (Take 3) [Original SUN tape]
6. I Love You Because (Take 4, 5) [Original SUN tape]
7. That's All Right (Takes 1-3) [Original SUN tape]
8. Blue Moon of Kentucky (Slow Tempo Outtake) [Digital transfer of SUN tape]
9. Blue Moon (takes 1-4) [Original SUN tape]
10. Blue Moon (take 5) [Original SUN tape]
11. Blue Moon (takes 6-8) [Original SUN tape]
12. Blue Moon (take 9/M) [Original SUN tape]
13. Dialogue Fragment (before 'Tomorrow Night') [Original SUN tape]
14. I'll Never Let You Go (Little Darlin') (Incomplete Take) [Original SUN tape]
15. Good Rockin' Tonight (Fragment from Vocal Slapback tape) [Original SUN tape]
16. I Don't Care if the Sun Don't Shine (takes 1-3/M) [Original SUN tape]
17. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 1) [Original SUN tape]
18. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 2) [Original SUN tape]
19. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 3) [Original SUN tape]
20. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 4-5/M) [Original SUN tape]
21. I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version, Take 6-7) [Original SUN tape]
22. How Do You Think I Feel (Guitar Slapback tape, rehearsal + take 1) [Digital transfer of SUN Guitar Channel Slapback tape]
23. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Take 1) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
24. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Take 2, rehearsal), takes 3-4) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
25. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Take 5/M) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]
26. When It Rains It Pours (Vocal Slapback tape, Take 6-8) [Original SUN Vocal Channel Slapback tape]

CD 3
AO VIVO NO LOUISIANA HAYRIDE
1. That's All Right (16/10/54)
2. Blue Moon of Kentucky (16/10/54)
3. Shake, Rattle and Roll (06/01/55)
4. Fool, Fool, Fool (06/01/55)
5. Hearts of Stone (15/01/55)
6. That's All Right (15/01/55)
7. Tweedlee Dee (15/01/55)
8. Shake, Rattle and Roll (19/01/55)
9. KSIJ Radio commercial with DJ Tom Perryman (??/??/55)
10. Money Honey (22/01/55)
11. Blue Moon of Kentucky (22/01/55)
12. I Don't Care if the Sun Don't Shine (22/01/55)
13. That's All Right (22/01/55)
14. Tweedlee Dee (05/03/55)
15. Money Honey (05/03/55)
16. Hearts of Stone (05/03/55)
17. Shake, Rattle and Roll (05/03/55)
18. Little Mama (05/03/55)
19. You're a Heartbreaker (05/03/55)
20. Good Rockin' Tonight (19/03/55)
21. Baby Let's Play House (??/03/55)
22. Blue Moon of Kentucky (19/03/55)
23. I Got a Woman (19/03/55)
24. That's All Right (19/03/55)
25. Tweedlee Dee (30/04/55)
26. That's All Right (26/05/55) [Broadcast tape]
27. I'm Left, You're Right, She's Gone (02/07/55)
28. Baby Let's Play House (20/08/55)
29. Maybellene (20/08/55)
30. That's All Right (20/08/55)
31. Interview with Bob Neal (29-31/08/55)
32. I Forgot to Remember to Forget (29/10/55)
(texto em vermelho: material até então inédito)
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Título:
A Boy from Tupelo - The Sun Masters
Selo:
Sony Legacy [88985 43266 1]
Formato:
LP
Número de faixas:
17
Duração:
42:00
Tipo de álbum:
Estúdio / Sessão de gravação / Concerto
Vinculado a:
Discografia oficial
Ano:
2017
Gravação:
5 de julho de 1954 a 4 de novembro de 1955
Lançamento:
28 de julho de 2017
Singles:
---

Como uma espécie de acompanhamento para o lançamento acima, a Sony Legacy colocou nas lojas no mesmo dia um vinil somente com os Masters das sessões no Sun.

No trabalho constam as seguintes faixas:

LADO A
1. That’s All Right (45 RPM SUN Master) [Original SUN sound as released in 1954]
2. Blue Moon of Kentucky [45 RPM SUN Master) [Original SUN sound as released in 1954]
3. Good Rockin’ Tonight
4. I Don’t Care if the Sun Don’t Shine
5. Milkcow Blues Boogie
6. You’re a Heartbreaker
7. Baby Let’s Play House
8. I’m Left, You’re Right, She’s Gone
9. I Forgot to Remember to Forget
LADO B
10. Mystery Train
11. I Love You Because(RCA LP Version, spliced from takes 3 & 5)
12. Blue Moon
13. I’ll Never Let You Go (Little Darlin’)
14. Just Because
15. Tryin’ to Get To You
16. Tomorrow Night
17. Harbor Lights


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SESSÕES DE GRAVAÇÃO


Data:
18 de julho de 1953 a 4 de novembro de 1955

Estúdio:
Sun Studio

Local:
Memphis, Tennessee
               

Músicos:
Voz: Elvis Presley
Violão: Elvis Presley
Guitarra: Scotty Moore
Baixo: Bill Black
Bateria: D. J. Fontana

Engenheiro de som / Engenheiro de gravação:
Sam Phillips, Marion Keisker


18 DE JULHO DE 1953
              My Happiness WPA5 2531-NA
              That's When Your Heartaches Begin WPA5 2532-NA

4 DE JANEIRO DE 1954
              I'll Never Stand in Your Way CPA5 5101-NA
              It Wouldn't Be the Same (Without You) CPA5 5102-NA

26 DE JUNHO DE 1954
              Without You (Ensaio)
              Rag Mop (Ensaio)

5 DE JULHO DE 1954
              Harbor Lights EPA3 2742-03
              I Love You Because G2WB 1086-SP
              That's All Right F2WB 8040-04

7 DE JULHO DE 1954
              Blue Moon of Kentucky F2WB 8041-NA

15/19 DE AGOSTO DE 1954
              Blue Moon F2WB 8117-09

12/16 DE SETEMBRO DE 1954
              Tomorrow Night F2WB 8115-07
              I'll Never Let You Go (Little Darlin') F2WB 8116-NA
              Satisfied
              Just Because F2WB 8118-NA
              Good Rockin' Tonight F2WB 8043-02
              I Don't Care If the Sun Don't Shine F2WB 8042-03

15 DE NOVEMBRO DE 1954
              Milkcow Blues Boogie F2WB 8044-NA
              You're a Heartbreaker F2WB 8045-NA

6 DE JANEIRO DE 1955
              Shake, Rattle and Roll WPA5 2534-NA
              Fool, Fool, Fool WPA5 2533-NA

19 DE JANEIRO DE 1955
              Shake, Rattle and Roll HRA1 8699-NA

30 DE JANEIRO / 4 DE FEVEREIRO DE 1955
              I Got A Woman
              Tryin' to Get to You
              Baby Let's Play House F2WB 8046-01

6 DE MARÇO DE 1955
              You're a Heartbreaker
              I'm Left, You're Right, She's Gone F2WB 8047-06
              I'm Left, You're Right, She's Gone (Slow Version) OPA1 4196-05
              How Do You Think I Feel

21 DE JULHO DE 1955
              I Forgot to Remember to Forget F2WB 8000-NA
              Mystery Train F2WB 8001-01
              Tryin' to Get to You F2WB 8039-NA

1/4 DE NOVEMBRO DE 1955
              When it Rains, it Pours NPA5 5826-05

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LOGS DAS SESSÕES





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quinta-feira, 25 de maio de 2023

The Complete Louisiana Hayride Archives 1954 - 1956 (Livro + CD - MRS, 2011)

Título:
The Complete Louisiana Hayride Archives 1954 - 1956
Selo:
Memphis Recording Service [MRS30001256]
Formato:
Livro + CD
Número de faixas:
36
Duração:
90:00
Tipo de álbum:
Livro + CD
Vinculado a:
Discografia não-oficial
Ano:
2011
Gravação:
16 de outubro de 1954 a 15 de dezembro de 1956
Lançamento:
21 de novembro de 2011
Singles:
---


The Complete Louisiana Hayride Archives 1954 - 1956 é um box de livro com CD lançado pela Memphis Recording Service (MRS) em 2011. Ele contém gravações até então inéditas em sua maioria de apresentações de Elvis no The Louisiana Hayride entre 1954 e 1956. O trabalho encontra-se fora de catálogo.

Elvis e seu trio em apresentação no The Louisiana Hayride; Shreveport, Louisiana, 1956 (©Shreveport Louisiana Hayride Co.)


Começando em 16 de outubro de 1954, Elvis passou 14 meses se apresentando regularmente no The Louisiana Hayride, o principal show e programa de rádio / televisão da região Sul dos EUA entre 1948 e 1960, transmitido ao vivo do Shreveport Municipal Memorial Auditorium em Shreveport, Louisiana.

Agenciado por Scotty Moore, Elvis fazia aparições quinzenais na atração e o resultado era sempre uma casa lotada. Quando o Coronel Parker assumiu como seu agente, em janeiro de 1955, Elvis passou a ser escalado semanalmente no programa e em pouco tempo ganhou status de estrela principal. Parker, sempre pensando em faturar, já preparava o terreno para que seu protegido voar alto.

A partir de 8 de janeiro de 1955, no seu aniversário de 20 anos, o nome de Elvis Presley foi a atração principal em 56 shows do Louisiana Hayride até 16 de dezembro de 1956, já como um nome consagrado da RCA. A febre Presley já era grande neste período, com os ingressos para todos os shows em que o jovem cantor apareceu sendo totalmente vendidos com bastante antecedência. Seu nome foi suficiente para colocar 2816 pessoas no Shreveport Municipal Memorial Auditorium, um recorde para a época.

Quando o Louisiana Hayride fazia turnês pelo Sul, até 6000 ingressos eram vendidos por apresentação. Em sua última apresentação na atração, quase 10 mil pessoas se amontoaram para ver Elvis se despedir do circuito sulista e atingir novos horizontes nacionais e mundiais.

Elvis, Scotty,  Bill e o apresentador Frank Page no palco do The Louisiana Hayride durante a primeira
apresentação do trio na atração; Shreveport, Louisiana, 16 de outubro de 1954


Infelizmente, o engenhoso Coronel Parker ainda não tinha pensado na ideia de capitalizar em tudo sobre Elvis e os shows não foram gravados profissionalmente, existindo posteriormente somente em fitas guardadas pela transmissora oficial do The Louisiana Hyride, a Rádio KWKH. As transmissões televisivas do evento, que começaram em 3 de março de 1955 e tiveram Elvis no spotlight por 35 vezes, também não foram aproveitadas para a posteridade, tendo pouquíssimas imagens sobrevivido ao tempo. Os registros que ainda existem estão em mãos da RCA e de outras empresas competentes no ramo de preservar arquivos importantes da história mundial.

Juntamente com a Sony, a RCA retrabalhou extensivamente estes arquivos para disponibiliza-los no box "Young Man With The Big Beat", lançado em 27 de setembro de 2011, com a melhor qualidade possível. Apesar disso, as gravadoras pecaram em alguns aspectos e esqueceram de limpar e corrigir a velocidade de algumas fitas, lançando principalmente o último show no The Louisiana Hayride incompleto e com o pitch de Elvis soando bem mais alto do que ele realmente cantava.

Coube à então relativamente nova gravadora Memphis Recording Service o trabalho de entregar excelentes materiais aos fãs no CD "The Complete Louisiana Hayride Archives 1954-1956" no lançamento em 21 de novembro de 2011. Além de disponibilizar todos os trechos de shows conhecidos com alta qualidade sonora e total correção de velocidade, a MRS ainda montou um livreto com 100 páginas de informações e fotos raras das apresentações.

Abaixo segue a resenha do CD.

Elvis e Scotty Moore com The Jordanaires no palco do The Louisiana Hayride; circa 1955

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PRIMEIRO SHOW - 16 DE OUTUBRO DE 1954

- 1. The Louisiana Hayride Begins: Abertura musical do The Louisiana Hayride.

- 2. Introduction / That's All Right: O apresentador Frank Page introduz Elvis e sua banda. Um tanto nervoso, o jovem cantor se identifica e diz estar feliz de participar da atração. A plateia gosta bastante da canção e da guitarra de Scotty Moore. Pode-se notar que Elvis ainda cantava e falava com um tom bastante sulista.

- 3. Blue Moon of Kentucky: Frank Page pergunta a Elvis como ele inventou aquele estilo chamado Rhythm & Blues e o futuro Rei do Rock responde: "Nós simplesmente tropeçamos nele." "Tropeçaram nele... vocês foram muito sortudos, sabiam? Eles estavam procurando algo novo no campo da música folk por muito tempo e eu acho que vocês conseguiram", diz Page. A versão da canção feita por Elvis é quase idêntica à ouvida no compacto lançado três meses antes, em 17 de julho de 1954.

15 DE JANEIRO DE 1955

- 4. Hearts of Stone: Estudiosos creem que essa seja uma das canções mais raras que Elvis já cantou, tendo aparecido em apenas cinco apresentações no The Louisiana Hayride e nunca sendo oficialmente gravada. Nota-se que a música não está muito dentro do estilo de Elvis naquele momento, mas ela é executada com um certo charme. Apesar de todo o trabalho da MRS para recuperar essa raridade, o áudio ainda é bastante precário.

- 5. That's All Right: Uma versão mais solta e descontraída, com mais gritos da plateia e a adição de pelo menos uma guitarra e um piano aos instrumentos. O problema no áudio continua.

- 6. Tweedle Dee: Outra das raras de Elvis e nunca gravada profissionalmente, parece agradar bastante ao público. O piano está mais presente no mix e faz um ótimo solo com a guitarra de Scotty. O áudio melhora repentinamente no fim da faixa.

22 DE JANEIRO DE 1955

- 7. Money Honey: A canção que seria gravada pela RCA em 1956 é apresentada aqui pela primeira vez em um ritmo mais bluesy do que o do single posterior. A voz melodiosa de Elvis se encaixa perfeitamente com o piano e a guitarra, arrancando gritos das mulheres na plateia.

- 8. Blue Moon of Kentucky: Uma versão um pouco mais rápida do que a original, é bastante diferente pela adição do piano. Durante o solo de Scotty, Elvis provavelmente fazia seus passos considerados sensuais à época, devido à resposta do público.

- 9. I Don't Care if the Sun Don't Shine: O show tem um ritmo bastante rápido e Elvis não perde tempo entre uma música e outra. A canção é ouvida com um pouco de silêncio da plateia, causado pela não apreciação da música ou simplesmente pelo alcance fraco dos microfones.

- 10. That's All Right: Sem muita diferença da gravação original, mas o piano dá um toque especial.

Uma das fotos mais raras de Elvis no Louisiana Hayride; Shreveport, Louisiana, 10 de março de 1956


5 DE MARÇO DE 1955

- 11. Tweedle Dee: Por muito anos, nenhuma gravadora conseguia confirmar algumas datas de gravações no Louisiana. Após muitos estudos, chegou-se à conclusão de que algumas canções tinham sido gravadas no programa do dia 5 de março de 1955, apesar de os registros do Sun Studio apontarem que Elvis estava em um sessão de gravação naquele dia  - agora sabido que erradamente.

A versão ouvida aqui é semelhante à de 15 de janeiro, embora com um áudio um pouco melhor.

- 12. Money Honey: Seja por conta de problemas na fita ou por motivos da ocasião de sua gravação, a versão ouvida aqui é bem mais lenta do que de costume. A plateia gosta e a banda se diverte, no entanto.

- 13. Hearts of Stone: Com áudio bem melhor do que o do dia 15 de janeiro, agora é possível ouvir o excelente trabalho de Scotty Moore em seu solo e a voz de Elvis soa muito clara.

- 14. Shake, Rattle & Roll: Elvis ainda ia demorar para lançar sua versão de estúdio da música, mas ela claramente já era uma preferida do público. As limitações do áudio são um pouco decepcionantes.

- 15. Little Mama: Talvez a mais rara das músicas que Elvis já cantou, é um rock de raiz que remete a alguns dos clássicos de Chucky Berry. As mulheres na plateia vão à loucura quando Elvis dança durante o solo de Scotty.

- 16. You're a Heartbreaker: Um dos sucessos de Elvis no Sun, era uma das mais pedidas nas apresentações. 

30 DE ABRIL DE 1955

- 17. Tweedle Dee: Elvis chega atrasado ao show devido a fatores desconhecidos e é o último a se apresentar. O The Louisiana Hayride é apresentado excepcionalmente do ginásio de uma escola em Gladewater, Texas, para rádio e TV. Frank Page diz a Elvis que ele tem dois minutos para cantar uma versão de "Tweedle Dee" e é isso que ele faz. Apesar disso, não há correria e a canção é executada com maestria.

2 DE JULHO DE 1955

- 18. I'm Left, You're Right, She's Gone: Frank Page abre o show e apresenta Elvis: "Há alguns meses, um jovem fez sua primeira aparição aqui no palco do Louisiana Hayride, a qual pode ter feito uma grande mudança na música folk - e ele certamente colocou ritmo nela, não há dúvida disso -  e ele se tornou bastante popular no sul, sudeste e sudoeste do Estados unidos. Elvis Presley é seu nome!". Promovendo sua mais nova gravação, o Rei do Rock faz uma versão standard da música e a plateia aprova.

20 DE AGOSTO DE 1955

- 19. Baby Let's Play House: "Vamos trazer o estouro de Memphis agora, Elvis Presley é seu nome", diz o produtor e apresentador Horace Logan. Depois de alguns anúncios sobre sua turnê pelo Texas, Elvis faz uma versão da canção que, por sua letra, causava um pouco de polêmica na época. Como sempre, não houve problemas e ele foi bem recebido pelo público, especialmente as mulheres, cujos gritos podiam ser ouvidos quase mais do que a música e faziam Elvis rir.

- 20. Maybellene: Elvis decide cantar o primeiro hit de um cantor que iniciava sua carreira, chamado Chuck Berry. A canção havia saído em um compacto de Berry há apenas alguns dias e ainda era bastante desconhecida, por isso a plateia permanece quieta e ensaia algumas vaias. Um outro motivo para isso era a segregação da época, principalmente nos estados do Sul. "Amigos, nós somos muito legais para sermos vaiados", diz Elvis no final.

- 21. That's All Right: Elvis e os meninos começam uma versão bem divertida da canção, brincando e fazendo várias paradas devido a um dito problema com os instrumentos (que não existia, claro). É uma versão bastante explosiva quando realmente se inicia, mas infelizmente a bateria de D.J. Fontana mal é ouvida.

29 DE OUTUBRO DE 1955

- 22. I Forgot to Remember to Forget: Uma das últimas músicas a serem encontradas, disponibilizada oficialmente pela primeira vez em 2012, foi adicionada a seu repertório para promover o compacto lançado cerca de 20 dias antes em seu último trabalho pelo Sun. A versão não difere do que se ouve na gravação de estúdio e o áudio é surpreendentemente claro.

Elvis, The Jordanaires e Scotty Moore durante o último show de Elvis no Louisiana Hayride; 16 de dezembro de 1956


ÚLTIMO SHOW - 15 DE DEZEMBRO DE 1956

- 23. Heartbreak Hotel: Já consagrado como estrela da RCA, Elvis aparece no Louisiana Hayride pela última vez. O delírio da plateia é evidente desde o primeiro momento em que ele começa a cantar e a agitação faz Elvis rir. Quando ele faz seus movimentos pélvicos durante o solo de guitarra e bateria, o lugar simplesmente vem abaixo com os gritos enlouquecidos das fãs. Elvis mal consegue se apresentar para a plateia após a canção.

- 24. Long Tall Sally: "Essa é uma música muito triste", brinca Elvis. Emprestando o hit de Little Richard, ele novamente enlouquece o público. Mal se pode ouvir Elvis falando no microfone antes que as fãs se acalmem um pouco.

- 25. I Was the One: "Estamos só no rádio?", pergunta Elvis, provavelmente pelo comportamento inapropriado de alguma fã. The Jordanaires são chamados ao palco para acompanhá-lo nas canções seguintes. Elvis canta com romantismo e as fãs se derretem por seus movimentos sensuais. Andando de um lado para o outro do palco, ele consegue capturar através de seu microfone a histeria na plateia.

- 26. Love Me Tender: A canção-título de seu primeiro filme, lançado um mês antes, é anunciada. "É a música do filme... no qual eu fui bombardeado com críticas negativas", diz Elvis; as fãs vaiam. A canção tem um efeito sedativo na plateia, que, com exceções, agora ouve calmamente. Elvis canta uma letra ligeiramente diferente da original e da versão alternativa do final do filme.

- 27. Don't Be Cruel: "Obrigado, amigos. E agora, um dos meus maiores... Amigos, vamos cantar todas as músicas que quiserem ouvir, mas... Agora gostaria de cantar um dos meus maiores lixos... sucessos, uma música chamada...", diz Elvis antes de entrar direto na canção. A versão apresentada é um pouco mais lenta do que a do single da RCA, mas bem recebida mesmo assim.

- 28. Love Me: Percebendo que a plateia estava saindo do controle, Elvis chama a atenção dos fãs e anuncia que vai cantar uma das músicas de seu mais novo LP. A canção faz com que a plateia se concentre novamente em ouvi-lo e esqueça o que quer que estivessem pensando em fazer no momento do tumulto. Elvis canta de forma bastante sexy e hipnotiza a todos.

- 29. I Got a Woman: "Weeeeellll...", assim como nos anos 1970, anuncia o início da canção. A bateria de D.J. Fontana é bem ouvida e estabelece o ritmo. Elvis faz seus movimentos pélvicos seguindo as batidas e a plateia não se cansa de gritar. O final da canção é o mesmo ouvido nos shows das décadas seguintes, um rápido riff de Blues. Elvis a teria cantado muito antes na atração, não sendo o fato de que sua gravação no Sun fora perdida.

- 30. When My Blue Moon Turns to Gold Again: Elvis pede a ajuda dos Jordanaires nos backing vocals novamente e canta uma versão idêntica à de seu LP, se aproximando da plateia e talvez até mesmo apertando algumas mãos. Aqui ouvimos Elvis tentando fazer um de seus primeiros dive bombs.

- 31. Paralyzed: A plateia sai do controle novamente e Elvis é obrigado a gritar para retomar o rumo do show. A canção é padrão para a época e não arranca tanto entusiasmo do público, apesar de as fãs continuarem gritando por Elvis.

- 32. Hound Dog: "Amigos, nós agradeceríamos bastante se não jogassem seus flashes no chão, nós não precisamos deles." A plateia enlouquecida acompanha cada passo de Elvis desde o início da música até o fim. Após segundos Elvis comanda a reprise do último refrão da canção de forma lenta e sensual três vezes seguidas. Elvis sai do palco rapidamente enquanto uma versão instrumental da música é tocada por sua banda.

- 33. Elvis Has Left the Building: A famosa frase é ouvida pela primeira vez: "Certo, Elvis deixou o recinto. Eu lhes digo positivamente que, neste momento, Elvis já deixou o palco, saiu por trás com a polícia e agora já não está mais no recinto", avisa Horace Logan.

- 34. Hayride End Jingle: Jingle instrumental do final da atração.

BÔNUS

- 35. June Carter Talks about Elvis on the Hayride: A história gira em torno de Elvis e June Carter tentando esquiar durante uma turnê pela Florida. O trecho é impossível de traduzir, pois a rima seria estragada e o sentido seria perdido.

- 36. Maybellene (Tunzi Remix): Faixa 14 remixada, com um som mais claro.