EAP Index Brasil: 6.2 - 1960-69
Mostrando postagens com marcador 6.2 - 1960-69. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 6.2 - 1960-69. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Fim de um Ciclo: Change of Habit

CHANGE OF HABIT (EUA, 1969)

Título brasileiro: Ele e as Três Noviças
Gravação:
Março-abril de 1969
Lançamento:
10 de novembro de 1969
Duração:
93min
Produtora:
Universal Pictures
Orçamento:
US$ 3 milhões
Arrecadação:
US$ 3,5 milhões
Elenco principal:
Elvis Presley
Mary Tyler Moore
Barbara McNair
Jane Elliott
Trilha sonora:
"Don't Cry Daddy" (single)
[b/w "Rubberneckin'"]
(Novembro de 1969)
"Let's Be Friends" (LP)
(Abril de 1970)
"Almost In Love" (LP)
(Outubro de 1970)
"You'll Never Walk Alone" (LP)
(Março 1971)
"Command Performances: Essential 60's Masters II (CD)
(15 de julho de 1992)
"The Last Movies" (CD/LP)
(FTD, 2017/2018)




Change of Habit é o 31º e último filme de Elvis em seu contrato com Hollywood iniciado em 1956. Nele, o Dr. John Carpenter é o médico-chefe de uma clínica popular do gueto de Chicago que luta contra gangsters que querem fechar o local quando recebe a ajuda divina de três mulheres.

Em 1969, os pensamentos de Elvis estavam voltados a coisas mais grandes do que sua carreira em Hollywood. No ano anterior, seu especial de Natal, o "'68 Comeback Special", havia sido uma das maiores audiências da televisão dos EUA e seu retorno aos palcos estava nos pedidos dos fãs. Além disso, a cena musical estava em plena mudança, priorizando o R&B e o Rock, dois estilos que moldaram sua carreira nos anos 1950 e que ele realmente gostava.



Quando Elvis começou suas filmagens para "Change of Habit", em março de 1969, seu contrato com o International Hotel para uma temporada de shows em agosto daquele ano já estava assinado e as obras do hotel quase prontas. O Rei do Rock estava entusiasmado com o ressurgimento de sua carreira nos palcos e muito bem humorado durante as gravações, dado o fato de que o roteiro era de seu agrado e lhe permitia atuar em um drama concreto pela primeira vez nos seus 13 anos de cinema; além disso, a cantoria foi mantida a um mínimo novamente, algo pelo qual ele prezava mais que tudo.

Elvis, Mary Tyler Moore e a coadjuvante Lorena Kirk
em cena de "Ele e as Três Noviças".

O filme em si havia sido anunciado em 1967 e Mary Tyler Moore entrou no projeto em outubro de 1968. A produção era um veículo para promover a carreira de Moore (o que deu certo, pois ela ganhou sua própria série em 1970) até janeiro de 1969, quando Elvis assinou contrato para assumir o papel principal, também como meio de promover seu vindouro retorno aos palcos.

E estes não eram os dois únicos nomes de destaque no elenco. Barbara McNair, cantora muito popular na época, era uma das coadjuvantes junto a Jane Elliott, atriz já consagrada na TV. Darlene Love, do grupo The Blossoms, também estavam nele; Darlene, que faria backing vocal para Elvis em 1969 e 1970, aparece em um papel não-creditado. Na direção, o veterano William A. Graham usou toda sua técnica para tirar só o melhor dos atores.

Elvis e Charlie Hodge nos bastidores


Embora ambientado em Nova York, o filme foi rodado na área de Los Angeles e no lote da Universal Studios em março e abril de 1969. A história agradou a muitos por pregar a tolerância religiosa (em um momento em que os católicos eram muito mal vistos nos EUA) e falar de um assunto tão controverso quanto a liberação ou não de padres e freiras para abandonarem o sacerdócio em caso de dúvidas sobre sua verdadeira vocação ou, no âmbito do filme, algum evento (a freira se apaixonando pelo médico) que os faça questionar tal chamado.

Ele e as Três Noviças foi lançado nos Estados Unidos em 10 de novembro de 1969 e foi o filme de maior sucesso de Elvis desde "Feitiço Havaiano" (1961), passando quatro semanas na 17ª posição de bilheteria na Variety Box Survey. A produção teve sucesso em promover as carreiras do Rei do Rock e de Mary Tyler Moore, além de ganhar US$ 3,5 milhões (dos quais Elvis ficou com 50%) a partir de seu orçamento de US$ 3 milhões (dos quais o cantor recebeu US$ 850 mil de cachê).

Em resumo, depois de filmes medíocres e muitos momentos tensos, Elvis conseguiu finalmente atuar como um ator de drama, o que o levou a estrelar "Ama-me Com Ternura" (1956) em primeiro lugar, e terminou sua carreira cinematográfica (embora "That's The Way It Is" e "On Tour" ainda viessem a ser lançados no cinema) com bastante dignidade, recuperada durante seus quatro últimos filmes.


TRILHA SONORA

Quando Presley gravou a trilha do filme, seu especial de televisão fora um sucesso e o disco com as músicas da atração tinha sido seu primeiro Top 10 em anos; ele também tinha recém acabado as sessões no American Sound Studio, que iriam cimentar o seu ressurgimento como uma força na música popular americana. Além disso, ele estava próximo de começar suas primeiras apresentações ao vivo em oito anos.

Elvis gravou quatro músicas para a trilha no Decca Universal Studio em 5 e 6 de março de 1969. "Rubberneckin'", gravada em janeiro, foi usada como a quinta faixa e, posteriormente tornou-se o único single lançado, como lado B para "Don't Cry Daddy", em novembro de 1969. "Let's Be Friends", não usada no filme, seria lançada no LP de budget homônimo, em 1970, junto a "Change of Habit" e "Have a Happy". A canção de encerramento do filme, "Let Us Pray", só viria à público em outro álbum de budget, "You'll Never Walk Alone", em 1971.


_________________________________________________________________________________________________________________

ESTRELAS COADJUVANTES

MARY TYLER MOORE

Mary Tyler Moore nasceu no Brooklyn HeightsBrooklynNova York, em 29 de dezembro de 1936. A atriz decidiu aos 17 anos que queria ser bailarina. Por sua beleza, Mary foi escalada para uma série de comercias de televisão, trabalho que a fez seguir carreira na atuação. Seu primeiro papel regular na televisão foi como a recepcionista misteriosa e fascinante na série "Richard Diamond, Private Detective" (1957-1960). Em 1961, Carl Reiner colocou Mary no "The Dick Van Dyke Show" e suas performances cômicas e energéticas a tornaram uma estrela.

Depois de ter aparecido com Elvis em "Ele e as Três Noviças", Moore ganhou sua própria série, "The Mary Tyler Moore Show" (1970-1977). De 1990 em diante Moore passou a ser estrela convidada em diversos talk shows e séries até 2011, quando fez uma operação de urgência para a retirada de um tumor cerebral . Portadora de diabetes tipo I desde 1969, Mary Tyler Moore se aposentou em 2013 devido a problemas cardíacos e renais, além de estar quase cega. A atriz faleceu em 25 de janeiro de 2017, aos 80 anos.


BARBARA MCNAIR

Barbara Jean McNair nasceu em 4 março de 1934 em ChicagoIllinois, onde estudou música no Conservatório Americano de Música. Sua grande chance veio em 1951 com uma vitória no programa de TV "Talent Scouts", o que a levou a fazer shows em teatros consagrados e a produzir discos para as maiores gravadoras de artistas negros dos EUA.

Em 1967 McNair se apresentou para as tropas norte-americanas no Vietnã e participou de séries como "Dr. Kildare"e  "Missão: Impossível". Em 1968, posou nua para a Playboy e filmou sequências de nudez no drama criminal "If He Hollers Let Him Go" (1968); por esse motivo, foi criticada pela comunidade católica por viver uma das freiras em "Ele e as Três Noviças".

McNair estrelou sua própria série, "The Barbara McNair Show" (1969-1972), sendo uma das primeiras mulheres negras a ter seu próprio programa. Em 1976 seu marido foi assassinado pelo chefe da Máfia Jimmy Fratianno; a publicidade afetou sua carreira, mas ela continuou a participar de programas pelos 30 anos seguintes. A atriz morreu no dia 4 de fevereiro de 2007, aos 72 anos, de câncer.


JANE ELLIOT

Elliot nasceu em Nova York no dia 17 de janeiro de 1947 e fez sua estréia na série de curta duração da CBS TV "Uma Chama no Vento" (1965). Mais tarde, ela co-estrelou em várias séries de televisão como "Mod Squad", "Kojak" e "Barnaby Jones", coadjuvando em "Ele e as Três Noviças", com Elvis e Mary Tyler Moore, em 1969. Mais tarde, ela teve o papel principal na série de curta duração da NBC "Rosetti and Ryan" (1977).

Porém, em sua carreira no cinema e televisão, Jane Elliot é mais conhecida por seu papel na novela norte americana "General Hospital" (1978-presente), Tracy Quartermaine, que dominou a primeira fase da atração, entre 1978 e 1980; em 2003, Elliot retornou à novela como membro regular do elenco, onde continuou até 2017. Em 2014 ela foi nomeada para um Daytime Emmy Award como Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática, 33 anos depois de sua primeira vitória, e 21 desde sua última nomeação. A atriz se aposentou em março de 2017, tem 72 anos e vive em Nova York.




_________________________________________________________________________________________________________________

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O Problema Com Elvis: The Trouble With Girls

THE TROUBLE WITH GIRLS (AND HOW TO GET INTO IT) (EUA, 1969)

Título brasileiro: Lindas Encrencas - As Garotas
Gravação:
Setembro - outubro de 1968
Lançamento:
3 de setembro de 1969
Duração:
99min
Produtora:
Metro-Goldwyn-Mayer
Orçamento:
US$ 1,5 milhão
Arrecadação:
US$ 1 milhão
Elenco principal:
Elvis Presley
Marlyn Mason
Nicole Jaffe
Sheree North
Edward Andrews
Trilha sonora:
"Clean Up Your Own Backyard" (single)
[b/w "The Fair's Moving On"]
(5 de junho de 1969)
"Let's Be Friends" (LP)
(Abril de 1970)
"Almost In Love" (LP)
(Outubro de 1970)
"Command Performances: Essential 60's Masters II" (CD)
(15 de julho de 1992)
"The Last Movies" (CD/LP)
(FTD, 2017/2018)




The Trouble with Girls (and How to Get Into it) é o 30º filme de Elvis. Nele, Walter Hale é o novo dirigente de uma trupe Chautauqua itinerante que precisa encontrar um jeito de manter seus funcionários unidos e ao mesmo tempo evitar que seu interesse amoroso os convença a criar um sindicato para regular o trabalho.

Em junho de 1959, foi anunciado que Don Mankiewicz iria escrever um roteiro de uma história inédita. Até dezembro de 1960, com o projeto intitulado "Chautauqua", a MGM estava pronta para fazer o filme com Glenn Ford e os rumores que circularam em Hollywood afirmavam que Elvis co-estrelaria a produção ao lado de Hope Lange, mas o projeto acabou sendo deixado de lado.



Em 1964, Dick Van Dyke tinha assinado contrato para estrelar "Chautauqua", novamente com Elvis cotado para co-estrelar. Depois de vários anos, roteiros falhos e mudanças de elenco, a MGM vendeu os direitos para a Columbia Pictures em maio de 1965. A Columbia também se esforçou para tirar o projeto do chão, e sem conseguir, vendeu os direitos de volta à MGM em 1968.



Desta vez a MGM resolveu realmente escalar o Rei do Rock para estrelar e a produção saiu do papel no outono de 1968. Ao que se vê, o problema era realmente com Elvis: o fato de ele estar apenas cogitado pelo público e nunca ser chamado realmente para a produção parecia ser o motivo pelo qual ela não decolava.

"Chautauqua", que era o título de trabalho, foi mais tarde alterado para "The Trouble with Girls (and How to Get Into It)" porque os produtores ficaram preocupados com a possibilidade de o público não entendê-lo ou ser incapaz de pronunciá-lo.



Várias das canções ouvidas no filme foram escolhas pessoais de Elvis, baseadas em seus gostos. Por exemplo, "Swing Down Sweet Chariot" era um de seus clássicos Gospel preferidos; "Almost", uma composição de Buddy Kaye, caiu nos gostos do cantor durante as filmagens, e Elvis tocou piano durante a execução da canção no filme. "Clean Up Your Own Backyard" também agradou o Rei do Rock por seu conteúdo crítico aos "homens de fé".



No elenco, alguns nomes chamam a atenção. John Carradine, astro do terror dos anos 1940, faz uma ponta; vindo também do sucesso no terror, Vincent Price interpreta Mr. Morality, alvo da canção "Clean Up Your Own Backyard". Nicole Jaffe e Frank Welker se tornariam, no mesmo ano, as vozes oficiais de VelmaFred, respectivamente, na série animada "Scooby-Doo: Cadê Você?". O Coronel Parker originalmente queria a atriz Jean Hale para co-estrelar, mas Marlyn Mason foi escolhida por insistência do diretor Peter Tewksbury.

A produção chegou aos cinemas em 3 de setembro de 1969 e, assim como ocorrido com "Charro!", deixou as opiniões divididas entre quem queria ouvir Elvis cantando mais e por falta disso não gostou do filme, e quem gostou da atuação mais séria; esta divisão ocorreu também na imprensa.

Lançada como a segunda atração de um double bill, que trazia como filme principal o trash "Sede de Crime", com Raquel Welch, a produção não conseguiu recuperar seus gastos e arrecadou apenas US 1 milhão, ficando US$ 500 mil abaixo do seu orçamento. Elvis recebeu US$ 850.000 de cachê, mais 50% dos lucros.


TRILHA SONORA

Ao entrar no estúdio para The Trouble with Girls, Presley sabia que tinha uma boa mercadoria nas mãos com seu especial de televisão, mas ainda lembrava que seus últimos três singles e o álbum "Speedway" haviam falhado, e que, se continuasse assim, sua carreira estaria praticamente morta. Inspirado, ele comandou as gravações para a trilha do filme em apenas uma sessão no United Artist Recorders, em Hollywood, no dia 23 de outubro de 1968.

"Clean Up Your Own Backyard" foi a única canção lançada em single (com "The Fair's Moving On" no lado B) e com um enorme sucesso, chegando à 35ª posição na Billboard Hot 100. "Almost" apareceria no álbum de budget "Let's Be Friends" em 1970; estas seriam as únicas faixas do filme lançadas durante a vida de Elvis. O remake de "Swing Down Sweet Chariot" só viria ao público em 1983, e as outras, somente a partir de 1990.


_________________________________________________________________________________________________________________

ESTRELAS COADJUVANTES


MARLYN MASON

Marlyn Mason nasceu no dia 7 de agosto de 1940 em San Fernando, Califórnia. Seus créditos na televisão incluem papéis nas séries "A Lei de Burke", "Kentucky Jones", "Bonanza", "Laredo", "O Homem da U.N.C.L.E.", "Missão: Impossível", "O Fugitivo" e "Os Invasores".

No cinema, Mason estreou em "Because They're Young" (1960) e fez pequenas participações nos anos seguintes; "Lindas Encrencas - As Garotas", com Elvis, foi seu filme de maior destaque. Sua aparição mais recente se deu no filme para a televisão "O Preço de Uma Escolha 2" (2008). A atriz continua ativa na indústria e tem 78 anos.


NICOLE JAFFE

Nicole Jaffe David nasceu em 12 de setembro de 1941) no Canadá. Seu trabalho mais conhecido é a voz original de Velma Dinkley no desenho animado "Scooby-Doo: Cadê Você?" (1969-1973). Membra vitalícia do Actors Studio, Nicole estreou no cinema em "Lindas Encrencas - As Garotas", ao lado de Elvis.

Jaffe se aposentou da atuação depois de se casar, em 1973, e abriu uma agência de talentos; seus clientes mais famosos incluíram John Travolta, Whitney Houston, Lauryn Hill, e Elijah Wood. Ela retornou brevemente para a série "Scooby-Doo" durante a dublagem dos filmes lançados em 2003, e hoje, aos 77 anos, está aposentada.


SHEREE NORTH

North nasceu como Dawn Shirley Crang, em Los AngelesCalifórnia, em 17 de janeiro de 1932. Ela começou a dançar em shows durante a Segunda Guerra Mundial, aos dez anos, se casou aos 16 e teve seu primeiro filho um ano depois. Em 1949 continuou a dançar em clubes sob o nome artístico Shirley Mae. Sheree fez sua estréia no cinema como um extra sem créditos em "Excuse My Dust" (1951) e então foi descoberta por um coreógrafo e lançada como corista. Depois de estrear na Broadway ela assinou contrato com a 20th Century-Fox, que tinha grandes planos para ela. Em 1955 teve o papel principal em "Como ser Muito, Muito Popular", o qual Marilyn Monroe havia recusado.

Após terminar seu contrato em 1958, sua carreira estagnou. Ela continuou a atuar em filmes, televisão, e no palco, mas quando apareceu ao lado de Elvis em "Lindas Encrencas - As Garotas", já quase nem era reconhecida. A atriz participou como extra ou esporádica co-estrela em diversas séries e filmes de 1970 a 1998, quando se aposentou. Dawn morreu em 4 de novembro de 2005, aos 73 anos, durante uma cirurgia para retirar um câncer.


EDWARD ANDREWS

Andrews nasceu em Griffin, Georgia, no dia 9 de outubro de 1914. Com 12 anos, fez uma ponta em uma produção de teatro que contou com James Gleason e ficou viciado na carreira de ator. Aos 21 fez sua estréia na Broadway e em 1936 já aparecia em filmes. No entanto, não foi até 1955 que sua carreira tomou forma. Porém, por sua idade, já na faixa dos 40 anos, ele foi consistentemente estereotipado como um tipo de avô, e, portanto, está mais fortemente associado com esses papéis.

Seus créditos mais importantes no cinema incluem "Lindas Encrencas - As Garotas", "Tora! Tora! Tora!" (1970) e "Gremlins" (1984), que seria seu último filme. Na televisão, esteve presente em quase todas as séries de sucesso entre os anos 1960 e 1970, tornando-se figura marcada do horário nobre. Neste meio, seu papel mais importante foi o personagem principal, Harry Flood, na série "Supertrain" (1979).  Em 8 de março de 1985, aos 70 anos, Andrews sofreu um ataque cardíaco em sua casa e foi transportado para o Hospital Santa Monica, onde morreu mais tarde naquele dia.



_________________________________________________________________________________________________________________

sábado, 8 de dezembro de 2018

Uma Guinada a Oeste: Charro!

CHARRO! (EUA, 1969)

Título brasileiro: Charro!
Gravação:
22 de julho a 10 de setembro de 1968
Lançamento:
13 de março de 1969
Duração:
98min
Produtora:
National General Pictures
Orçamento:
US$ 1 milhão
Arrecadação:
US$ 1,5 milhão
Elenco principal:
Elvis Presley
Ina Balin
Victor French
Barbara Werle
Paul Brinegar
Trilha sonora:
"Charro!" (single)
[b/w "Memories"]
(25 de fevereiro de 1969)
"Let's Be Friends" (LP)
(Abril de 1970)
"Command Performances: Essential 60's Masters II" (CD)
(15 de julho de 1992)
"The Last Movies" (CD/LP)
(FTD, 2017/2018)





Charro! é o 29º filme de Elvis. Nele, Jess Wade é um ex-fora-da-lei acusado de ter participado de um roubo contra sua antiga gangue e punido por isso. Jurado de morte e dividido entre a vingança, o amor de uma mulher e o bem de uma cidade, ele deverá pesar todos os elementos para decidir qual a melhor saída para seu dilema: matar, morrer ou desistir de tudo. Esta produção marca o primeiro filme sério de Elvis desde 1958.

A produção foi rodada em locação no Apacheland Movie Ranch e Old Tucson Studios, no Arizona, durante os meses de julho, agosto e setembro de 1968. O filme representa o primeiro Western de Elvis, bem como o único a não ter nenhum tipo de cena com o Rei do Rock cantando; a única canção ouvida com sua voz é a dos créditos de abertura. Elvis também aparece barbudo pela primeira e única vez.

Em termos de história, este é o único drama sério estrelado pelo cantor; "Ama-Me Com Ternura" (1956), apesar de ser drama e Western, trazia Elvis cantando durante a trama. Este também foi o único filme de Presley a ser lançado nos cinemas pela pequena produtora e distribuidora National General Pictures.



O filme é co-estrelado por Ina Balin, Victor French, Barbara Werle e Paul Brinegar em um de seus últimos trabalhos, além de marcar a despedida do diretor Charles Marquis Warren.  O papel de Jess Wade fora originalmente rejeitado por Clint Eastwood, e Elvis se ofereceu para o projeto com grandes esperanças depois de ler o roteiro. Sua decepção foi enorme quando chegou para seu primeiro dia de filmagens, em 22 de julho de 1968, e encontrou um a história alterada além do ponto de reconhecimento.



Originalmente a cena de abertura teria nudez feminina total, mas a ideia foi abandonada em favor de uma cena mais suave, passada na cantina, pois os produtores temiam que a inovação (nunca houve nudez total nos filmes de Presley) poderia não agradar os fãs. Muitas das cenas mais violentas e pesadas foram retiradas da trama por completo, a exemplo de uma em que Ina Balin sai nua da banheira em seu quarto.

Stills da cena deletada com Ina Balin.


Apesar das mudanças de ares para coisas mais favoráveis ao que Elvis tinha em mente, a produção não foi bem recebido pelos fãs e crítica. De um lado, os fãs sentiam falta das canções; do outro, os críticos não se impressionaram com a trama como um todo. No entanto, o filme recuperou seu orçamento, embora sem ultrapassá-lo. Elvis recebeu US$ 850.000 de cachê, mais 50% dos lucros.


TRILHA SONORA

Apropriadamente para um Western, os produtores contrataram Hugo Montenegro, um especialista em trilhas do gênero, para criar as duas músicas do filme em duas sessões de gravação no Goldwyn Studios, em Hollywood, uma no dia 15 de outubro (apenas trilha) e outra em 25 de novembro de 1968 (Elvis colocou sua voz nas trilhas). A canção de abertura, "Charro!", foi lançada como single, com "Memories" no lado B, em 25 de fevereiro de 1969.

A segunda canção gravada para, mas não utilizada no filme, "Let's Forget About the Stars", apareceu somente em 1970 no álbum de budget "Let's Be Friends". Nenhuma das duas músicas chegou a pontuar significativamente em qualquer parada.




_________________________________________________________________________________________________________________

ESTRELAS COADJUVANTES


INA BALIN

Nascida Ina Rosenberg em 12 de novembro de 1937, no BrooklynNova York, ela apareceu pela primeira vez na televisão no "The Perry Como Show" (1950-1956), aos 12 anos de idade. Em seguida, entrou para o teatro amador, o que a levou a papéis na Broadway e a ganhar, em 1959, o Prêmio Mundial do Teatro por sua atuação na comédia "A Majority of One". Nesse mesmo ano, ela conseguiu seu primeiro papel no cinema em "A Orquídea Negra", com Sophia Loren e Anthony Quinn. Um ano depois, foi nomeada para o Globo de Ouro por sua performance ao lado de Paul Newman em "Paixões Desenfreadas". Em 1961, apareceu como Pilar Graile em "Os Comancheros", com John Wayne e Stuart Whitman.

Com Jerry Lewis, estrelou a comédia "O Otário" em 1964 e, no ano seguinte, teve papel com algum destaque no épico "A Maior História de Todos os Tempos". Em 1969, foi vista com Elvis em "Charro!" e passou a ser estrela convidada de séries de TV como "Bonanza", "Viagem ao Fundo do Mar", "Agente 86" e "Magnum". Em 1980, interpretou a si mesma em um filme para televisão baseado em suas experiências de vida. Sua última participação em qualquer meio se deu em 1982 com a comédia "The Comeback Trail". Balin morreu em 20 de junho de 1990, aos 52 anos, de hipertensão pulmonar causada por doença cardíaca coronária.


VICTOR FRENCH

Nascido Victor Edwin French em Santa BarbaraCalifórnia, no dia 4 de dezembro de 1934, o ator seguiu os passos de seu pai e também começou sua carreira na televisão como dublê em westerns e séries. Seu primeiro papel importante, embora secundário à trama, se deu em "Sete Homens e Um Destino" (1960); L.Q. Jones, outro ator destinado a se tornar conhecido por seus westerns, o convenceu a aceitar um pequeno papel na série "The Dakotas" (1963), trabalho que o colocou em evidência. Nos anos seguintes, apareceu 23 vezes em "Gunsmoke" (1955-1975), consolidando-se no gênero.

Sua participação como o vilão em "Charro!"  é apenas mais uma das muitas vezes em que ele interpretou um papel do tipo. A partir de 1974, French teve uma parceria duradoura com o ator Michael Landon, que o colocou em algumas de suas séries, como "Os Pioneiros" (1974-1983) e "O Homem Que Veio do Céu" (1984-1989). Fumante inveterado, French foi diagnosticado com câncer de pulmão avançado em abril de 1989, morrendo em 15 de junho do mesmo ano, aos 54 anos.


BARBARA WERLE

Barbara May Theresa Werle nasceu em 6 de outubro de 1928, em Mount VernonNova York. Ela tornou-se dançarina de salão depois de terminar o colegial, vencendo o aclamado Harvest Moon Ball no início de 1950.

Seus créditos televisivos variam desde aparições no "The Ed Sullivan Show", nos anos 1950, a papéis em séries como "O Homem da Virgínia" (1962-1971) e "Aeroporto Internacional de San Francisco" (1970-1971). No cinema, suas aparições são poucas, sendo as mais importantes "Krakatoa, O Inferno de Java" (1968) e "Charro!", com Elvis.

Barbara deixou a atuação em 1975 e mudou-se para a costa da Califórnia. Entre 2000 e 2012, ela cantou como soprano no coral de St. Elizabeth Seton. Werle morreu aos 84 anos em 1º de janeiro de 2013, de causas não reveladas.


PAUL BRINEGAR

Paul Brinegar nasceu em 19 de dezembro de 1917 em Tucumcari, no leste do Novo México, e ainda jovem foi para a Califórnia buscar oportunidades de atuação, fazendo sua estréia no cinema em "Larceny" (1948). De lá, ele lançou uma carreira cinematográfica constante que abrandou consideravelmente no final de 1950, depois que começou a aparecer na televisão, mas não terminou até 1994, quando fez sua última aparição na versão cinematográfica de "Maverick".

Brinegar foi uma figura popular nos westerns a partir de 1952. Seu sucesso no gênero se consagrou com as séries "As Aventuras de Wyatt Earp" (1955-1961), "Rawride" (1959-1965) e "Lancer" (1968-1970). O papel que desempenha em "Charro!", ao lado de Elvis, não foi de nenhuma dificuldade. Entre 1946 e 1994, o ator apareceu em mais de cem filmes de faroeste. Brinegar morreu de causas naturais em 27 de março de 1995, aos 77 anos de idade.






_________________________________________________________________________________________________________________

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O Retorno do Rei: '68 Comeback Special

ELVIS (NBC-TV SPECIAL) (EUA, 1968)

Título brasileiro: Elvis - '68 Comeback Special
Gravação:
20 a 30 de junho de 1968
Lançamento:
3 de dezembro de 1968
Duração:
90min
Produtora:
NBC-TV
Orçamento:
US$ 1 milhão
Arrecadação:
---
Elenco principal:
Elvis Presley
Trilha sonora:
"If I Can Dream" (single)
[b/w "Edge of Reality"]
(5 de novembro de 1968)
"Elvis (NBC-TV Special)" (LP)
(22 de novembro de 1968)
"Charro!" (single)
[b/w "Memories"]
(25 de fevereiro de 1969)
"The Complete '68 Comeback Special " (CD)
(4 de agosto de 2008)
"Elvis (NBC-TV Special)" (CD)
(FTD, março de 2016)
"'68 Comeback Special - 50th Anniversary" (CD)
(30 de novembro de 2018)

ELVIS, também conhecido como ELVIS - NBC-TV Special ou '68 Comeback Special, é o primeiro especial televisivo do cantor e foi ao ar na televisão norte-americana no dia 3 de dezembro de 1968, marcando oficialmente o retorno de Elvis Presley aos palcos, no ano seguinte, depois de 13 anos fazendo filmes questionáveis em Hollywood.

Dirigido e produzido por Steve Binder, o musical teve uma duração longa para os programas da época, se estendendo por 90 minutos em um momento em que mesmo as séries de maior sucesso tinham apenas 45 minutos, e atraiu uma plateia de mais de 200 milhões de pessoas. A apresentação informal de Elvis frente a uma pequena plateia é considerada uma precursora do conceito "unplugged", mais tarde popularizado pela MTV.


IDEIA E CONCEITO

Apesar do grande sucesso tanto em sua carreira musical quanto no cinema no final dos anos 1950 até meados de 1960, Elvis viu esse status diminuir de forma constante nos anos que antecederam 1968. A cena musical tinha mudado drasticamente desde seu último single #1 em 1962, e Presley estava ameaçado por bandas como The Beatles e a invasão britânica em geral, que estava dominando o final da década com o "iê iê iê".

Em parte devido aos scripts repetitivos e canção risíveis, e em parte devido ao sentimento geral de que ele já não era "legal", os filmes de Presley tinham vindo a fazer menos dinheiro em cada lançamento e o cantor estava cansado de Hollywood. Com isso, o Coronel Parker encontrava obstáculos cada vez mais difíceis de ultrapassar para garantir o habitual cachê de US$ 1.000.000 por filme, e não tinha alternativa a não ser fazer uma abordagem diferente.

Ele então negociou um acordo com a NBC e a fabricante de máquinas de costura Singer para financiar  um especial de televisão, um LP (Elvis Sings Flaming Star, 1968/69) e um filme ("Change of Habit", de 1969), pelos quais Elvis receberia um montante de US$ 1.250.000.

Elvis durante conferência de imprensa para o '68 Comeback Special. FONTE: Getty Images/NBC.

Parker queria que o show, que seria transmitido na época do Natal, não tivesse mais do que Presley cantando músicas natalinas; ele acreditava que o especial poderia ser simplesmente uma versão de televisão do programa de rádio de Natal com o qual Elvis havia contribuído no ano anterior. Para desviá-lo da ideia, Binder argumentou que o especial era uma oportunidade para restabelecer a reputação do cantor após anos de filmes medíocres e gravações de qualidade variável, e que tudo deveria ser feito para retirá-lo de perto dessa imagem.

Ele então contratou roteiristas especializados em shows com temas específicos: grandes cenários, sequências de dança e exposição total do artista principal. No entanto, a ideia foi aberta a quaisquer variações que ajudassem a mostrar os talentos do cantor, e Presley estava aparentemente muito feliz com esta abordagem flexível.

Elvis e Steve Binder (à sua esquerda) durante a gravação da sequência "Trouble/Guitar Man".
FONTE: Getty Images/NBC.

O especial acabou incluindo uma sequência musical extravagante com números Gospel, um "mini-filme" semi-autobiográfico centrado na música "Guitar Man", e outras regravações passadas em cenários de luxo. Um segmento em um bordel com a canção "Let Yourself Go" foi inicialmente aprovado pelos censores da rede, mas removido a pedido do principal patrocinador do show, a Singer Corporation, que a considerou muito ousada; a primeira aparição pública dessa sequência estava na versão expandida do documentário "This is Elvis", de 1981, mas ela mais tarde retornou à edição final nos lançamentos em DVD.

O final do especial contou com Elvis apelando para a paz mundial e a tolerância racial com a canção "If I Can Dream", que tornou-se um de seus maiores sucessos. Um dos maiores sucessos da época, "A Little Less Conversation", gravada em 7 de março de 1968 e ouvida no filme "Live a Little, Love a Little", chegou a ser regravada para os créditos finais do programa, mas acabou não sendo usada e substituída por uma também regravação de "Let Yourself Go" apenas instrumental.

Carta enviada ao Coronel por Steve Binder, requisitando o Master de "A Little
Less Conversation
" e uma versão sem a voz de Elvis para serem usadas no programa


GRAVAÇÕES E MONTAGEM

As gravações de estúdio das músicas para estes segmentos com grandes cenários foram feitas no Western Recorders Studio 1 em Hollywood, Califórnia, entre 20 e 23 de junho de 1968, com retoques em 27, 28 e 30 daquele mês, e contou com uma orquestra, o grupo The Blossoms como backing vocals e os experientes músicos de estúdio, que já haviam trabalhado com Elvis em discos como "How Great Thou Art", em 1967,  Hal Blaine, Don Randi, Tommy Tedesco, Larry Knechtel, Tommy Morgan e outros - membros do famoso The Wrecking Crew.

Elvis fez as filmagens de suas sequências neste mesmo período nos estúdios da NBC em Burbank, Califórnia. O ambiente bastante descontraído possibilitou a Elvis ficar um pouco mais à vontade do que nas gravações de seus filmes e trouxe à tona seu lado mais brincalhão. Entre um take e outro, o cantor se descontraía com seus amigos, novos e antigos, conversava com as integrantes do The Blossoms e tentava escapar dos olhares e avanços das dançarinas das esquetes, mas sem deixar de desfrutar de toda a atenção e mesmo responder a alguns incentivos nada implícitos.

Elvis no palco do Studio 4 da NBC, o mesmo onde os Beatles se apresentaram em 1963


Foi logo depois das gravações no Western Recorders que Binder teve sua mais genial ideia: colocar Elvis e seus amigos em um palco rodeado por uma seleta plateia, para a qual ele contaria algumas histórias de sua carreira e cantaria seu maiores sucessos.  Presley ficou muito apreensivo com a ideia de se apresentar ao vivo, uma vez que seu último show havia sido feito na Bloch Arena em Pearl Harbor, Havaí, em 25 de março de 1961.

Binder ofereceu grande apoio e confiança ao cantor para evitar que ele rejeitasse quaisquer segmentos ao vivo. Percebendo que algumas músicas já gravadas precisariam ser cortadas para que o tempo limite do programa não fosse ultrapassado, o diretor usou a sessão informal para capturar a sensação de interferência enquanto Elvis tocava e conversava com os membros sobreviventes de sua banda original  - Scotty Moore e D. J. Fontana (o baixista Bill Black havia falecido em 1965). Ele também trouxe os amigos pessoais de Presley Alan Fortas, Lance Legault e Charlie Hodge para fazê-lo se sentir à vontade.

Elvis e amigos. FONTE: Getty Images/NBC.


Dois ensaios informais foram gravados, cada um com cerca de duas horas de duração; o primeiro em 24 de junho e o segundo no dia 25. Ambos ocorreram no camarim de Elvis e foram capturados em fita por Joe Esposito, usando o próprio gravador do cantor. Muitas canções foram ensaiadas, incluindo "Danny Boy", "Blue Moon" e  "This is My Desire", além de "I Got a Woman", mas o repertório final foi decidido pouco antes da gravação oficial.

Ainda desgostoso com todas aquelas decisões importantes sendo tomadas sem sua supervisão, Parker quis mostrar a Elvis que o programa, se não fosse feito da forma que ele imaginara, seria um fracasso. O Coronel então se prontificou a fazer a distribuição dos ingressos das apresentações para os revendedores, mas seu plano era mais maquiavélico. No dia 27 de junho de 1968, quando as primeiras gravações com plateia aconteceriam, nenhuma pessoa apareceu; Binder, incrédulo de que ninguém mais se interessava por Elvis, acabou descobrindo por um segurança da portaria da NBC qual fora o destino dos ingressos: "Um homem velho de terno, fumando um charuto e meio careca, deixou vários pacotes de ingressos na minha cabine há alguns dias", disse o funcionário.

Não havia dúvidas de que o Coronel quisera sabotar seu protegido para minar sua confiança e fazê-lo retornar para o abrigo de seus conselhos. Sem saída, Binder atravessou a rua do estúdio e entrou na lanchonete Bob's Big Boy: "Quem gostaria de ver Elvis Presley se apresentar de graça?", perguntou em voz alta. Em minutos o estúdio estava cheio.

Posteriormente, às 18h do dia 27 de junho, Elvis subiu ao palco pela primeira vez em mais de sete anos, resultando em duas sessões de meia hora cada, gravadas nos estúdios da NBC Burbank. Vestido em couro preto, Presley se sentou e tocou com os companheiros de banda em dois destes shows, cada um com uma plateia diferente e com intervalo de uma hora entre eles (tempo suficiente para Presley tomar banho e ter seu equipamento limpo a seco para retirar resquícios de suor).

Outros dois, também de meia hora cada, gravados às 20h de 29 de junho, trouxeram o cantor de pé frente a uma plateia e colocando sua voz em um mix pré-gravado com diversas canções, além de cantar ao vivo alguns de seus sucessos. Estas quatro sessões são muitas vezes referidas coletivamente como "The Burbank Sessions", nome vindo não apenas do local, mas dos títulos de dois LPs bootleg de 1978.

Elvis se apresenta ao vivo pela primeira vez desde 1961; Burbank, Califórnia, 27 de junho de 1968.
FONTE: scottymoore.net

Porém, apenas ínfimas partes dessas apresentações foram incluídas no especial televisivo. Presley e seus amigos tocaram e cantaram, interpondo histórias pessoais, de suas músicas e performances iniciais; o grupo também falou da educação religiosa de Elvis e fez referência aos principais grupos da época, como The Byrds e The Beatles, observando como as coisas tinham melhorado não apenas na esfera das gravações, mas também no padrão dos músicos e engenharia de som.

Em meio a hits como "That's All Right", "Heartbreak Hotel", "One Night"  e "Are You Lonesome Tonight?", Elvis também tocou sucessos do momento, mostrando-se extremamente feliz com seu retorno aos palcos. "Love Me Tender" foi abertamente oferecida a sua esposa, Priscilla, que se encontrava na plateia de todas as apresentações.


TRANSMISSÃO E LEGADO

A transmissão editada de 3 de dezembro de 1968, combinando os números coreografados e algumas das sessões informais ao vivo, foi um enorme sucesso e tornou-se o especial de televisão de maior audiência do ano. De acordo com Binder, ele foi provavelmente o primeiro especial de TV de um homem só a aparecer na televisão americana.

Duas versões foram inicialmente exibidas pela NBC. A primeira incluía Elvis cantando "Blue Christmas", a única música sazonal que Binder concordou em usar. Quando o especial foi retransmitido no verão seguinte, ela foi substituída por uma performance de "Tiger Man". Eventualmente, todas as canções foram lançadas em trabalhos oficiais e bootlegs através dos anos.

Still promocional usado para propagandas impressas sobre o especial


O '68 Comeback Special tem um legado histórico, sendo  amplamente creditado como o criador da revitalização da carreira de Elvis. Após o especial, o cantor apareceu em mais três filmes bem recebidos pelo público ("Charro!", "Lindas Encrencas - As Garotas" e "Ele e as Três Noviças", todos de 1969) e começou sua temporada em Las Vegas com uma série de performances sell-out que bateram recordes em toda a América.

O show continua atual e é sempre lembrado por diversos artistas. Em 2002, "A Little Less Conversation" ganhou uma versão remixada por Junkie XL, que deu ao Rei do Rock seu segundo hit #1  póstumo. A sequência de abertura "Trouble/Guitar Man" foi posteriormente copiada ou homenageada por vários artistas, como Robbie Williams, Falco e Texas.

Em 2007 e 2008, dois duetos virtuais foram inspirados por performances de Presley no show; um no reality show American Idol, onde Céline Dion cantou "If I Can Dream" junto a um holograma do Rei do Rock, e outro com Martina McBride sendo digitalmente inserida na performance de "Blue Christmas" vista no especial.


TRILHA SONORA

A primeira música do especial a ser lançada foi "Tiger Man", no LP de budget "Elvis Sings Flaming Star", em 18 de outubro de 1968, tornando-o o primeiro trabalho a trazer uma apresentação ao vivo de Elvis. "If I Can Dream" seria a próxima, em single vendido em 5 de novembro de 1968, com "Edge of Reality", do filme "Live a Little, Love a Little", como lado B.

O LP da trilha sonora em si foi lançado em 22 de novembro de 1968 e continha a maioria das músicas que seriam ouvidas na transmissão televisiva do mês seguinte. O álbum foi um sucesso de vendas, alcançando o 8º lugar da Billboard Hot 200 e atingindo a certificação Ouro em 22 de julho de 1969 e Platina em 15 de julho de 1999.

Uma nova edição com faixas adicionais foi lançada em CD em 1991. Em 1998, o 30º aniversário do especial foi comemorado com um CD duplo que trazia, além da versão reeditada de 1991, extras dos ensaios de 24 e 25 de junho de 1968 e highlights dos shows de 27 e 29 de junho daquele ano.

As gravações completas só vieram a público em 2008, quando a Sony Legacy lançou um box com quatro CDs e um livreto cobrindo todo o especial, intitulado "ELVIS - The Complete '68 Comeback Special". "ELVIS - Original Soundtrack From His NBC-TV Special", uma reedição da FTD em CD duplo, chegou ao mercado em 2016, mas não ofereceu muitas novidades. "
'68 Comeback Special - 50th Anniversary" trouxe as gravações quase completas e dois Blu-Rays em 2018.