Amarillo '77 foi o centésimo primeiro CD da FTD. Ele cobre o show quase completo de 24 de março de 1977 e versões excepcionais da mesma turnê. O trabalho encontra-se atualmente fora de catálogo.
Em 1977, Elvis estava em baixa. Seu setlist ficou bastante estagnado e seus shows eram muitas vezes superficiais, na melhor das hipóteses. Após a excitação e a alta energia recém-descoberta dos shows de dezembro de 1976, no início de 1977 ele desceu rapidamente e ganhou o peso que havia perdido recentemente. Em janeiro, o cantor mostrou pouco interesse em terminar as músicas para seu próximo álbum no Creative Studios de Nashville. Talvez fosse sua preocupação com o próximo livro revelador que estava sendo escrito por seus ex-guarda-costas ou talvez a novidade de seu novo relacionamento com Ginger Alden tivesse se esgotado.
Desesperado por novas músicas, Felton Jarvis, produtor de Elvis, saiu em turnê de março a maio de 1977 para tentar gravar novo material ao vivo. Essas gravações eventualmente forneceram três músicas para o LP "Moody Blue", além de serem usadas para a compilação "Spring Tours '77" da FTD.
A primeira turnê de Elvis em 1977 teve 10 shows, começando em Hollywood, Flórida, em 12 de fevereiro e terminando em Charlotte, Carolina do Norte, no dia 21 do mesmo mês.
Apesar de ter descansado no Havaí por um mês, a turnê de março não seria das melhores também, mas teve alguns highlights como o show do dia 24 em Amarillo. Infelizmente, com Elvis tendo engordado e estando esgotado, as coisas seriam muito piores daqui para frente e a turnê de abril teria 4 dos doze shows cancelados devido a problemas de saúde. A partir de então, Elvis só ocasionalmente se animava a realizar concertos admiráveis.
Ao lançar o CD "Spring Tours '77" em 2002, a FTD teve a oportunidade de selecionar as melhores gravações ao vivo de Felton Jarvis na primavera de 1977, que criaram um perfil interessante, embora um tanto positivista, de Elvis em concerto durante esses 3 meses. Ao distribuir este novo trabalho, a gravadora foi inteligente em selecionar treze novas músicas que não foram apresentadas em compilações anteriores, tornando-o um companheiro digno.
Na verdade, até agora, nenhum show completo de 1977 foi considerado digno de lançamento oficial, embora muitos tenham surgido em bootlegs - e alguns deles de gravações do público. Mas aqui, finalmente, temos um show "completo" (tanto quanto foi gravado pelo engenheiro) e, melhor ainda, uma performance completamente desconhecida do segundo e último show de Elvis em Amarillo, em 24 de março de 1977. Sabendo que Elvis não estava em seu melhor, há um bônus definitivo em ter uma seleção de 11 faixas extras para aumentar o tempo de execução do CD.
Abaixo segue nossa resenha deste CD espetacular.
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- 1. That's All Right: Para uma gravação de mesa de som, a qualidade é muito boa e a mixagem é excelente com a voz de Elvis bem equilibrada entre a banda, músicos de apoio e orquestra. Infelizmente, o engenheiro de som não gravou os primeiros números - que incluíam uma rendição de "Love Me Tender" logo após a abertura -, mas, novamente, Elvis costumava levar algum tempo para "aquecer". E para ser honesto, não faz falta ter outra versão extremamente longa de "I Got a Woman / Amen". Quando começamos a ouvir o concerto, Elvis já soa totalmente engajado, cantando muito bem e sem arrastar as palavras - um ótimo sinal.
- 2. Are You Lonesome Tonight: "E então gravamos uma música chamada 'Are You Lonesome Tonight'." Elvis conversa e brinca coma plateia por alguns minutos, algo que já havia se tornado raro. Assim como acontecera em fevereiro, ele erra a letra logo no início e para a rendição. Depois de um pouco mais de interação com fãs e seus músicos, o cantor volta à música, mas agora está mais disperso do que nunca. Rindo e se divertindo, ele faz uma constatação a Charlie Hodge: "Charlie, 20 anos indo ralo abaixo." Em comparação, esta é uma versão das menos memoráveis.
- 3. Reconsider Baby: "'Fizemos um blues chamado 'Reconsider Baby'." Após a rendição perfeita feita um mês antes em Charlotte, era de se esperar que outra desse clássico raro animasse tanto Elvis quanto seus fãs. Infelizmente, ele apenas ensaia alguns acordes e desiste de cantá-la.
- 4. Love Me: Elvis tenta iniciar o hit de 1956, mas percebe que os músicos estão fora do tom: "Vejam, um de nós está errado, amigos. E eu não vou levar a culpa disso." A rendição é a padrão, com Elvis distribuindo beijos e lenços para a plateia enquanto canta.
- 5. If You Love Me (Let Me Know): "Esta próxima canção foi gravada por Olivia Newton-John e se chama 'Se Você Me Ama, Deixe-me Saber... Se não, cai fora!'" A voz de Elvis está fraca para este clássico poderoso, mas mesmo assim ele consegue entregar uma boa versão.
- 6. You Gave Me a Mountain: Há uma interação divertida com a multidão no fim da rendição, quando Elvis faz um esforço para dar o melhor de si e recebe gritos e aplausos efusivos da plateia. A versão em si é mediana, talvez um pouco menos enérgica do que a do "In Concert".
- 7. Jailhouse Rock: "Meu terceiro filme se chamou 'Jailhouse Rock' e, vocês sabem... Minha voz era muito mais aguda na época e as letras são bem rápidas, então vou tentar e ver o que acontece." Outra descartável nas apresentações, mas que aqui recebe um tratamento um pouco melhor do que o normal.
- 8. O Sole Mio / It's Now or Never: "Em 1960 gravamos uma música chamada 'It's Now or Never'. Ela foi tirada da canção italiana 'O Sole Mio'. Gostaria de pedir a Sherrill Nielsen para fazer a versão italiana, 'O Sole Mio'. Ouçam a voz dele, senhoras e senhores." A adoração de Elvis pela voz de Nielsen às vezes é incompreensível. É difícil saber se ele realmente o tinha como um ótimo cantor ou se sabia que fazê-lo cantar causava um tanto de ódio - e dor de ouvido - na plateia. Passada a tortura, "It's Now or Never" tem um ar latino - embora seja uma canção napolitana - ausente na maioria das vezes e é até gostosa de se ouvir.
- 9. Little Sister: "Gostaria de fazer um medley de algumas das minhas gravações, começando com 'Little Sister'." O cantor tenta dar um bom espetáculo, mas é audível que sua voz está com pouco alcance neste dia.
- 10. Teddy Bear / Don't Be Cruel: Assim que começa a rendição, Elvis a para e se dirige a Tony Brown: "Espere um minuto, Ronnie. Tony... É a primeira vez que o ouço entrar atrasado. Você é um pianista fantástico, mas..." A rendição é mediana para medíocre, com Elvis centrado na plateia para esconder o estado de sua voz.
- 11. My Way: "Esta próxima música... Vocês talvez nos tenham ouvido cantá-la, mas foi gravada por Frank Sinatra e se chama 'My Way'. Não sei a letra dela, então terei de ler, mas gostaria de tentar mesmo assim." Um número poderoso, traz Elvis colocando tudo de si em uma empolgante rendição - apesar de sua voz falhar em algumas partes. É uma tentativa válida e emocionante, mas não tão boa quanto a de Chicago cerca de um mês antes.
- 12. Introductions / Early Morning Rain: Alegadamente, o lado A da fita de Amarillo acabou aqui e, até ser virada, as introduções foram perdidas. A FTD as substitui pelas gravadas em Abilene, Texas, três dias depois. Elvis começa as apresentações com The Sweet Inspirations, JD Sumner e os Stamps - identificando-os um a um - e canta durante o solo de John Wilkinson.
- 13. What'd I Say / Johnny B. Goode: Os solos de James Burton soam medianos.
- 14. Band Introductions: Na sequência estão os solos de costume de Ronnie Tutt, Jerry Scheff, Tony Brown e Bobby Ogden, e Charlie Hodge.
- 15. School Days: Finalizando 12 dispensáveis minutos, Elvis apresenta o maestro Marty Harrell (substituindo Joe Guercio por alguns dias) e sua orquestra.
- 16. Hurt: "Uma das nossas mais novas gravações se chama 'Hurt'." De volta ao lado B da fita de Amarillo, temos uma rendição bastante boa, mas que ainda mostra que Elvis não estava vocalmente preparado naquele dia.
- 17. Hound Dog: O cantor tenta dar uma modificada no início da música, nos fazendo lembrar das versões de 1972, mas no fim a rendição é mais uma dispensável.
- 18. Can't Help Falling in Love / Closing Vamp: "Muito obrigado, senhoras e senhores. Desculpem termos nos atrasado para chegar aqui hoje, mas tivemos um pequeno problema pessoal - nada muito grave. Mas quando quiserem que voltemos, nos deixem saber e nós voltaremos porque vocês são uma boa plateia." Elvis dá uma explicação básica de seu atraso porque o show começou muito mais tarde do que o previsto. Ao entrar no palco naquela noite, os fãs estavam tão eufóricos por ele ter aparecido que o Rei do Rock resolveu brincar com alguém na plateia: "Vocês acharam que eu não viria, não é?" Um minuto e meio de uma versão acima da média da noite levam ao fim da apresentação e a um "Closing Vamp" mais em tom funk do que de costume.
MÚSICAS BÔNUS
- 19. And I Love You So [Alexandria, 30/03/77]: "Vou descansar por alguns minutos, senhoras e senhores, há algo errado com meu microfone e eles vão consertar. Vou ter que chamar meus engenheiros de som ao palco. Ia começar... Felton, você também, filho! Bruce Jackson e Felton Jarvis. Se vocês não tivessem ficado jogando futebol, não estariam cansados." Elvis parece estar com o humor ácido. Após iniciar a música, ele dá uma risada sarcástica e faz uma emenda na letra para criticar o sistema de som. No geral, a versão é melhor do que a ouvida no "In Concert".
- 20. Fever [Alexandria, 30/03/77]: "Fever." A versão que se segue é boa, mas um tanto lenta. Elvis parece estar se mexendo bastante no palco, pela reação das fãs.
- 21. Love Me Tender [Alexandria, 30/03/77]: "Vamos fazer 'Love Me Tender', ok?" Raridade na setlist em 1977, traz Elvis se divertindo e aproveitando a música e a plateia. Ele ri e parece estar lembrando da loucura das versões do início dos anos 1970.
- 22. Blue Suede Shoes [Alexandria, 30/03/77]: Empolgado com a reação à música anterior, o cantor emplaca outro hit de 1956 e a versão é muito boa para aquele ponto do ano. Ouvir uma rendição sem Elvis estar arrastando a voz é fantástico.